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Diplomatas enviam carta a Lula e pedem mulher chanceler; Tebet é favorita
Associação de mulheres diplomatas retoma campanha por indicação feminina ao comando do Itamaraty; Simone Tebet surge como um dos consensos
A Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) enviará nesta quarta-feira (28/10) uma carta ao presidente Lula, reeleito no domingo para um quarto mandato, na qual pede que ele considere indicar uma mulher para chefiar o Ministério das Relações Exteriores.
Embora o documento não cite nomes, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) desponta como uma das opções que reúnem maior consenso entre integrantes do Itamaraty, inclusive entre aqueles que não fazem parte da AMDB.
Integrantes do MRE argumentam que Tebet reúne atributos considerados estratégicos para o comando da pasta. Além de representar a possibilidade de uma mulher assumir o posto de chanceler, ela é vista como um nome capaz de estreitar os laços do Itamaraty com o agronegócio. Integrante de uma família tradicional do setor, Tebet nasceu em Mato Grosso do Sul, um dos principais estados produtores do país, onde também construiu sua trajetória política.
Outro fator considerado favorável à ex-ministra é o fato de ela não pertencer à carreira diplomática. Na avaliação de integrantes do ministério, a escolha de um nome com experiência política poderia facilitar as articulações em defesa dos interesses da pasta.
Além de Tebet, Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, também é mencionado em conversas entre diplomatas. Ele é visto como outra alternativa de perfil político que poderia assumir o comando do Itamaraty. A definição do próximo chanceler, avaliam integrantes da carreira diplomática, também dependerá de quem ocupará a Casa Civil. Entre os nomes cotados para o cargo estão Camilo Santana e Rui Costa.
Apesar de as discussões sobre possíveis nomes políticos mobilizarem parte dos diplomatas, a avaliação predominante é que essa alternativa tem poucas chances de se concretizar. Um dos cenários considerados mais prováveis é a recondução de Mauro Vieira ao comando do Itamaraty.
As articulações também envolvem possíveis nomes para a Secretaria-Geral das Relações Exteriores, o segundo posto mais importante da estrutura do ministério, abaixo apenas do chanceler. Entre os cotados estão os embaixadores Gisela Padovan, atual chefe da Secretaria de América Latina e Caribe, e Mauricio Lyrio, responsável pela Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente.
Tebet e Haddad disputaram cargos nas eleições deste ano em São Paulo. O ex-ministro da Fazenda concorreu ao governo estadual, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda no primeiro turno. O governador recebeu 62,65% dos votos, ante 36,42% de Haddad.
Tebet, por sua vez, concorreu a uma vaga no Senado por São Paulo e terminou em terceiro lugar, atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).