Tacuru

há 1 hora

Casa de rezadeira indígena é destruída por fogo e suspeita é de incêndio criminoso

Comunidade suspeita de ação criminosa; idosa relata histórico de ameaças e intolerância religiosa, e Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal

30/10/2026 às 12:11 | Atualizado 30/10/2026 às 12:45 Sarai Brauna
Reprodução/ Voz da Comunidade de Dourados

Uma residência localizada na aldeia Jaguapiré, no município de Tacuru, foi destruída por um incêndio na manhã desta quinta-feira (29). A comunidade local suspeita que o fogo tenha sido provocado de forma criminosa.

O imóvel pertencia à Roberta, de 90 anos. Na cultura Guarani e Kaiowá, a denominação é atribuída às mulheres que desempenham o papel de liderança espiritual e rezadeiras na comunidade. As chamas consumiram a estrutura da casa e todos os instrumentos sagrados utilizados na realização dos rituais tradicionais.

Intolerância religiosa e ameaças

Representantes da Kuñangue Aty Guasu (Assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul) relataram em publicações institucionais que a idosa vinha sendo vítima de intolerância religiosa e discriminação em razão das práticas espirituais mantidas no local.

A região da aldeia Jaguapiré é a mesma onde, recentemente, um servidor público municipal foi denunciado por ameaçar contaminar a rede de abastecimento de água após o resultado do segundo turno das eleições.

O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) informou que oficiou a Polícia Federal para instaurar inquérito e investigar as causas do incêndio e as denúncias de intimidação na área indígena.