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Servidores confessam à PF ameaças de envenenar água de indígenas

À PF, dois servidores de Tacuru admitem áudios contra indígenas, mas alegam embriaguez e dizem não ter meios de executar as ameaças

31/10/2026 às 15:20 | Atualizado 31/10/2026 às 15:18 Metrópoles, parceiro TopMídiaNews
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Dois servidores da Prefeitura de Tacuru (MS) confessaram à Polícia Federal ter gravado áudios com ameaças de envenenar a água consumida pelos indígenas Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró. Nos depoimentos, ambos alegaram que estavam embriagados e disseram não ter meios de executar as ameaças.

Com os depoimentos, a investigação está praticamente concluída. O primeiro funcionário foi afastado na quarta-feira (28/10). O segundo, na sexta-feira (30). Ambos respondem a processo administrativo disciplinar e continuam sob investigação da PF.

O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou os afastamentos e afirmou que nenhum dos dois trabalha diretamente no abastecimento de água da aldeia.

Como mostrou o Metrópoles, em reportagem de Álvaro Luiz publicada na quarta-feira, a gravação circulou em um grupo de WhatsApp após a vitória de Lula no segundo turno. Em um dos trechos, o servidor diz: “Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. Lideranças indígenas denunciaram o caso e cobraram responsabilização.

O episódio integra um quadro mais amplo de intimidação. Segundo reportagem de Thays Martins e Evellyn Paola, também na editoria Brasil do Metrópoles, a Apib contabilizou mais de 30 denúncias de violência durante o período eleitoral. O governo federal criou uma força-tarefa e enviou uma comitiva de ministros ao estado.

A alegação de embriaguez dos servidores não diminui a gravidade de ameaçar uma comunidade inteira por sua escolha nas urnas.