há 1 hora
Bióloga alerta para riscos ambientais após naufrágio de barcaça com toneladas de minério no Pantanal
Em vídeo publicado nas redes sociais, Luciana Leite cobrou análises da composição da carga e maior fiscalização dos órgãos ambientais para identificar os riscos da ocorrência
A bióloga Luciana Leite alertou para os possíveis impactos ambientais do afundamento de uma barcaça carregada com cerca de mil toneladas de minério de ferro no Rio Paraguai, em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela cobrou análises da composição da carga e maior fiscalização dos órgãos ambientais para identificar os riscos da ocorrência.
A embarcação afundou no sábado (31), durante uma operação no Porto Gregório Curvo, na região de Porto Esperança. O acidente provocou uma mancha avermelhada na água, que desapareceu horas depois. Apesar disso, os possíveis impactos sobre o rio ainda são investigados.
Segundo Luciana, mesmo que o minério de ferro seja considerado predominantemente inerte, é necessário conhecer a composição exata do material que afundou. Ela aponta que, dependendo das características da carga, podem existir elementos associados potencialmente tóxicos, como alumínio, arsênio, mercúrio e chumbo.
A bióloga também chama atenção para possíveis alterações na qualidade da água e nos ecossistemas aquáticos. Entre os riscos estão o aumento da turbidez, a suspensão de partículas que podem afetar as brânquias dos peixes e a deposição de material no fundo do rio, com possíveis prejuízos aos organismos que vivem no leito.
"Não temos como dimensionar os riscos ambientais sem saber exatamente o que afundou", argumentou. Ela defendeu que órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Marinha exijam da empresa uma amostra representativa do lote transportado para análise da composição mineralógica.
Órgãos ambientais monitoram o Rio Paraguai
O Ibama e o Imasul acompanham a ocorrência e realizam análises para verificar possíveis alterações na qualidade da água. De acordo com o Ibama, a presença de minério na água não significa necessariamente contaminação. No entanto, dependendo da composição do material e das condições ambientais, pode haver liberação de metais.
O órgão também alerta que partículas depositadas no fundo do rio podem afetar peixes, ovos, larvas e organismos que vivem no leito. Entre os procedimentos previstos estão análises de transparência da água, concentração de partículas, níveis de oxigênio e presença de metais. Também será verificada a possibilidade de vazamento de combustível ou óleo da embarcação.
Em nota, o Imasul informou que acompanha o caso desde que foi comunicado pela empresa. Equipes técnicas realizaram coletas de amostras e medições de parâmetros físicos e organolépticos da água, além de análises laboratoriais para verificar a presença de metais.
O monitoramento abrange pontos próximos ao naufrágio, tanto antes quanto depois do local, além de um ponto de controle. O objetivo é comparar as condições da água e identificar possíveis alterações relacionadas ao acidente.
Até o momento, não há uma dimensão definida dos danos ambientais. A avaliação depende dos resultados das análises e das informações fornecidas pelos responsáveis pela embarcação e pelo porto.
Em nota, a LHG Mining informou que a barcaça pertence a um armador parceiro da empresa. A mineradora afirmou que apura as causas do incidente e colabora com as autoridades.
"A LHG Mining informa que está apurando as causas do incidente envolvendo uma barcaça de um armador parceiro, no Porto Gregório Curvo, ocorrido na manhã deste sábado (31), e colabora com as autoridades na investigação dos fatos, bem como na adoção das providências cabíveis. Não houve vítimas ou pessoas feridas", informou.
Na publicação, Luciana também relacionou o naufrágio a outros questionamentos sobre os impactos da mineração em Corumbá. Ela mencionou denúncias de contaminação da água, poeira de minério que atingiria comunidades e possíveis intervenções na hidrovia do Rio Paraguai.
A bióloga ainda questionou quais contrapartidas ambientais são exigidas das mineradoras e quanto da atividade econômica retorna à população do município.
Caso as análises identifiquem danos ambientais, os responsáveis poderão ser obrigados a adotar medidas de recuperação das áreas atingidas, além de responder por eventuais irregularidades. Até agora, não há conclusão sobre a extensão dos impactos provocados pelo naufrágio.