Campo Grande

há 2 horas

Sem vistoria, idosa, filho e netos dividem quarto após incêndio em apartamento em Campo Grande

Ilceni Borcat Kunz perdeu todos os móveis e precisa de vistoria da Defesa Civil para retornar para casa

05/11/2026 às 07:00 | Atualizado 04/11/2026 às 11:19 Rebeca Ferro
Arquivo Pessoal

Ilceni Borcat Kunz, de 61 anos, aguarda há 14 dias por uma vistoria da Defesa Civil em seu apartamento, que pegou fogo no dia 20 de outubro. O acidente aconteceu devido a uma falha elétrica no Residencial Leonel Brizola II, localizado no bairro Jardim Leblon, em Campo Grande (MS).

Segundo a idosa, o incêndio teve início após um dia tranquilo, já no final da tarde do dia 20, quando retornou com os dois netos para casa, após buscá-los na creche. Conforme conta Ilceni, o problema começou quando o disjuntor da casa sofreu uma queda e a energia da residência caiu. Após ligá-lo novamente, uma das crianças teria gritado pela avó do quarto, afirmando que havia uma mancha escura na parede e um forte cheiro dentro do cômodo.

"Eu voltei pra cozinha e os meninos estavam no quarto, e aí o meu neto me chamou falando que tinha uma mancha escura na parede. Quando eu vi, eu falei pra eles saírem, que era tóxico, e consegui puxar um deles para o corredor, e eu já ouvi o barulho do curto-circuito. Eu tinha lavado roupa naquele dia, e tinham muitas cobertas e lençóis pendurados na porta deles. O meu outro neto, com medo, entrou embaixo da triliche, e eu entrei no quarto atrás dele, e enfiei a mão embaixo da cama no escuro mesmo, e puxei ele pra fora. Sem perceber que tinha queimado a minha testa e o meu cabelo".

Segundo a idosa, após conseguir tirar as duas crianças do quarto, ela correu para fora do apartamento e passou a pedir socorro pela janela do corredor, uma vez que seus dois cachorros e um gato ainda estavam presos no apartamento. Equipes do Corpo de Bombeiros foram chamadas ao local e conseguiram realizar o resgate dos animais em segurança.

Ilceni explicou que foi instruída pelas equipes do Corpo de Bombeiros a realizar um pedido de vistoria para a Defesa Civil depois que o apartamento esfriasse das chamas. Devido à quantidade de tecidos espalhados pela casa, todos os cômodos pegaram fogo e os móveis da residência foram completamente destruídos. Sem ter para onde ir, Ilceni, seus dois netos e seu filho, que estava no trabalho no momento do acidente, passaram a dividir um quarto na casa da filha da idosa.

"Estamos agora na casa da minha filha, que é casada, mas meu neto, filho dela, faz tratamento para esquizofrenia, e lá só tem um quarto e estamos todos dividindo. Incluindo meus dois netos e o pai deles, meu filho, que mora com a gente e cria os meninos comigo. Todas as noites as crianças me perguntam quando que vamos poder voltar pra nossa casa".

Segundo Ilceni, no dia seguinte ao incêndio, ela realizou o boletim de ocorrência e foi instruída a realizar o pedido de vistoria da Defesa Civil por telefone. Ela teria sido informada, durante a ligação, de que seria necessário apenas aguardar, pois o pedido já havia sido realizado. Após dois dias de espera, nenhuma equipe foi ao local, e Ilceni descobriu que deveria ir presencialmente a uma unidade do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) para solicitar a vistoria.

"Até hoje ninguém do Cras veio me visitar. No momento, minha emergência é um lugar para morar ou pelo menos ajuda de aluguel social, se tenho direito a ele. Eu preciso de ajuda para conseguir reconstruir a minha casa, mas, para isso, eu preciso saber se posso entrar sem que as paredes caiam na minha família".

Segundo Ilceni, há anos ela faz tratamento para depressão e fibromialgia e, por não conseguir trabalhar, cuida dos netos enquanto o filho trabalha. Segundo ela, a família não tem condições de repor tudo o que perdeu, nem de reformar o apartamento. Por isso, pede ajuda para conseguir recomeçar a vida. A família aceita doações de móveis, tintas e materiais de construção, como portas, rejunte, pisos, etc. A família pede que interessados em ajudar entrem em contato pelo número (67) 99122-5459.

A redação entrou em contato com a Defesa Civil para saber qual a previsão da vistoria e com a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) para saber como Ilceni e demais pessoas em situação de vulnerabilidade podem ter acesso ao aluguel social. Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta havia sido dada.

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