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Casamento de filha de secretária reúne Adriane e investigados pelo Gaeco com luxo
Esposa do dono da Construtora JLC, empresa alvo de operação que apura suspeitas de fraudes e superfaturamento em contratos de iluminação pública, estava em confraternização da família Lopes
O feriado rendeu para a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), o marido dela, o deputado estadual pelo Avante Lídio Lopes, e o secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, que aproveitaram para ir a uma festa de casamento em Bento Gonçalves (RS), ao lado dos proprietários da Construtora JLC, empresa investigada na Operação Apagar das Luzes, que apura suspeitas de fraudes e superfaturamento em contratos de iluminação pública da Capital.
O evento foi o casamento da filha de Osvaldo Nogueira Lopes, conhecido como Bolota, irmão de Lídio Lopes, casado com a secretária Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes. Entre os convidados estava Lair Cáceres, esposa de Jorge Cáceres, um dos proprietários da Construtora JLC. Registros da festa mostram a presença da prefeita e do secretário Ulisses Rocha no mesmo ambiente.
A participação no evento chama atenção diante das relações sociais e familiares já reveladas em reportagens sobre a proximidade entre pessoas ligadas à família Lopes e integrantes do núcleo empresarial da JLC, que mantém contratos milionários com a Prefeitura de Campo Grande.
A relação já havia sido abordada pelo TopMídiaNews em novembro de 2025. Na ocasião, reportagem mostrou interações nas redes sociais entre Lair, Thelma, que é chefe da Casa Civil de Adriane, e Osvaldo Nogueira Lopes, o Bolota. Thelma é casada com Bolota, irmão de Lídio Lopes. Lair, por sua vez, é esposa de Jorge Cáceres, um dos donos da JLC.
A reportagem também apontou a proximidade de Lair com Sueli Teles, irmã de Lídio Lopes e diretora do Hospital de Câncer Alfredo Abrão. Na época, o levantamento mostrou que a JLC havia sido contratada por R$ 1,7 milhão para executar a decoração natalina de Campo Grande e acumulava mais de R$ 11 milhões em contratos com a administração municipal.
Empresa está na mira de investigação milionária
A Construtora JLC aparece entre as empresas investigadas na Operação Apagar das Luzes, deflagrada em 19 de dezembro de 2025 pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos de manutenção da iluminação pública de Campo Grande. Segundo o Ministério Público, os levantamentos identificaram indícios de superfaturamento superior a R$ 62 milhões, além de possíveis vínculos entre empresas contratadas e servidores públicos municipais.
Na operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Balneário Piçarras, em Santa Catarina. Além da JLC, a Construtora B&C e dois servidores públicos, um da ativa e outro aposentado, também foram citados nas investigações. Os contratos analisados foram firmados em 2024 e receberam aditivos durante a atual administração.
A JLC também foi alvo de questionamentos por outros contratos mantidos com a prefeitura. Em janeiro de 2026, o TopMídiaNews mostrou que Adriane havia renovado um contrato da empresa para locação de máquinas, caminhões, veículos e equipamentos, com vigência até dezembro, ou seja, mês que vem.
Apesar das suspeitas investigadas, a empresa continuou com contratos públicos. Em julho de 2026, novos aditivos envolvendo a JLC foram publicados, garantindo a continuidade de serviços de iluminação pública na Capital.
Em manifestação anterior ao TopMídiaNews, a JLC negou irregularidades e afirmou que seus contratos com o município foram firmados por meio de processos licitatórios regulares. A empresa também negou vínculos familiares entre seus sócios e agentes públicos mencionados nas reportagens. O que, mais uma vez, através das redes sociais, é mostrado o contrário, já que a presença de Adriane, Lídio e Ulisses na mesma festa que Lair ganha relevância diante desse histórico de relações sociais e contratuais.
A reportagem procurou a prefeita, o deputado estadual, o secretário e também a JLC para falar sobre o assunto, mas, até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.