Polícia

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Dois policiais investigados na Operação Ifrit já foram alvos de apuração por desvio de drogas

Delegado Hoffman D'Ávila e policial civil Douglas Tobias também aparecem em investigação da Operação Infiltrados, que apura esquema de desvio de cocaína apreendida e suspeita de enriquecimento incompatível com a renda

04/11/2026 às 12:12 | Atualizado 04/11/2026 às 11:29 Sarai Brauna
Marco Codignola

Dois policiais civis investigados na Operação Ifrit, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e pela Receita Federal, também são alvos de apurações conduzidas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) na Operação Infiltrados. São eles o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o policial civil Douglas Tobias.

Hoffman já havia sido alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS. Na ocasião, ele era investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais e posterior repasse a traficantes.

Conforme as investigações do Ministério Público, o esquema funcionaria de duas maneiras: pela omissão de parte dos entorpecentes apreendidos nos registros oficiais das ocorrências ou pela retirada de drogas diretamente dos depósitos de delegacias. A cocaína seria o principal entorpecente desviado.

Na operação, Hoffman foi alvo de mandado de prisão e de busca e apreensão. Na ocasião, policiais apreenderam um celular e um computador no imóvel. As equipes também buscaram imagens de câmeras de segurança para tentar esclarecer quando ele teria deixado o local.

O delegado já havia ocupado a titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), passado pelo Garras e assumido a 6ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

O policial civil Douglas Tobias também aparece nas apurações da Operação Infiltrados. Conforme denúncia do Gaeco, o patrimônio atribuído a ele e à família levantou suspeitas de incompatibilidade com os rendimentos lícitos identificados durante a investigação.

Entre os bens analisados estão uma residência de alto padrão avaliada em aproximadamente R$ 4 milhões e um Ford Mustang 2011 5.4 Shelby GT500, estimado em R$ 370 mil, além de outros veículos e movimentações bancárias.

Segundo o Ministério Público, valores supostamente provenientes do tráfico de drogas teriam circulado por contas de terceiros e sido repassados a policiais civis. A esposa de Douglas informou que parte dos gastos com a construção da residência foi financiada pela Caixa Econômica Federal. Para o Gaeco, porém, essa informação não explicaria integralmente o patrimônio apontado na denúncia.

Nova investigação

A Operação Ifrit investiga uma organização criminosa transnacional suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro e outros crimes. Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos e teria contado com apoio de agentes públicos.

Ela foi deflagrada nesta quarta-feira (4), com 76 mandados de busca e apreensão e 26 ordens de prisão em Mato Grosso do Sul e outros seis estados. A ação investiga a atuação de uma organização criminosa com ramificações nacionais e internacionais, suspeita de tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.

A participação dos policiais na Operação Ifrit é alvo de investigação. As suspeitas relacionadas à Operação Infiltrados também são objeto de apuração e denúncia do Ministério Público.