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'Homem não pode ganhar menos que a mulher', diz vereador durante sessão em Bela Vista (vídeo)

Dr. Johnys Basso (PSDB) afirmou que o homem deve ser o provedor da família e que, se receber salário menor que a companheira, precisa trabalhar mais; declaração foi contestada por colega na tribuna

05/11/2026 às 09:44 | Atualizado 05/11/2026 às 09:49 Brenda Souza
Câmara Municipal

“Homem tem que ser o provedor da casa, não pode ganhar menos que a mulher. Se está ganhando menos, trabalha mais.” A declaração foi feita pelo vereador Dr. Johnys Basso (PSDB) durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Bela Vista, em Mato Grosso do Sul, na terça-feira (3). Ao defender o que considera ser o papel masculino dentro da família, o parlamentar também afirmou que o dinheiro recebido pela mulher que trabalha deve ser dela.

Durante o discurso, Basso disse que aprendeu esse comportamento com o pai e que a responsabilidade pelo sustento da casa deve ser do homem. “Homem tem que ser o cara da casa, ele tem que ser o provedor. O resto é conversa fiada”, afirmou.

O vereador ainda declarou que homens que ganham menos que as mulheres precisam trabalhar em dobro ou fazer horas extras para aumentar a renda. Em outro trecho, usou a expressão “homem tem que ser macho do bago roxo” ao falar sobre independência financeira e posicionamento político.

A fala ocorreu durante uma manifestação em que Basso criticava colegas por supostas negociações de empregos para familiares na administração municipal. Ele afirmou que está no quarto mandato e que nunca teria usado o cargo para conseguir vagas para parentes. Também disse que não depende de benefícios ou de empregos para familiares.

Ao longo do discurso, o parlamentar fez críticas a outros vereadores, afirmou que alguns teriam sido eleitos com ajuda de colegas e ameaçou divulgar nomes de parentes que, segundo ele, seriam favorecidos com cargos na prefeitura.

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Contestação na tribuna

A declaração sobre o papel do homem na família foi contestada pelo vereador Diogo Murano (PP), que se manifestou na sequência. Ele afirmou não ver problema em uma mulher receber salário maior que o companheiro e questionou a associação entre renda e masculinidade.

“Eu não vejo o mal de uma mulher ganhar mais que o homem. Eu não vejo. Eu não sei aonde está esse machismo, essa hombridade de reconhecer que uma mulher não possa ganhar mais que um homem”, disse Murano.

O parlamentar acrescentou que nunca mediu o próprio valor pelo quanto ganha, mas pelo que fez pela família. Também criticou a ideia de que um homem seria mais importante ou teria mais valor por receber um salário maior.

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