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Império do Clã Haidar: aliança familiar criou potência do narcotráfico na fronteira
Investigação revela que o "Clã Haidar" operava como uma empresa familiar armada, dividindo funções de comando, logística e finanças a partir de Ponta Porã/MS
No coração da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, uma estrutura criminosa de caráter armado e essencialmente familiar, batizada pela Polícia Federal de "clã Haidar", estabeleceu um dos eixos mais robustos do tráfico transnacional de drogas e armas das últimas décadas. É o que revelam os documentos da Operação Ifri, deflagrada nesta quarta-feira (4).
Com base principal no município de Ponta Porã (MS) e ramificações em Campo Grande (MS), o grupo estendeu seus tentáculos por mais sete estados brasileiros - Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Mato Grosso e Rio Grande do Sul -, além de manter conexões diretas com Paraguai, Bolívia e Argentina.
Segundo a Polícia Federal, o núcleo de comando e alta cúpula da organização é centralizado pelos irmãos Bassam Hassan Haidar Ahmed (conhecido como "Telha"), Adel Hassan Haidar ("Kiki" ou "Tabuleta"), Nasser Haidar ("Naná" ou "Cacil") e Assad Haidar.
Abaixo dos patriarcas, a segunda geração do clã assumiu papéis operacionais e de gerência estratégica. Maroan Fernandes Haidar Ahmed (filho de Bassam), mesmo atualmente custodiado no Presídio Federal de Porto Velho (RO), é apontado como engrenagem central e cúpula do grupo.
As investigações da Operação Ifrit apontam que, após a prisão de Maroan em janeiro de 2023, seu primo Adule Vasques Haidar (filho de Adel) assumiu as funções de comando operacional e logística nas ruas.
Para dar suporte às atividades ilícitas, o clã contava com uma rede de comparsas altamente especializados. Daniel Jonatas Ferreira (conhecido como "Paulista" ou "Bundinha") atuava como o braço da organização no estado de Santa Catarina. Bruno Leonardo Bergamasco ("Tuba" ou "Seu Barriga") dividia com Daniel o controle de empresas de transporte utilizadas para escoar as cargas.
No fornecimento de insumos, o grupo mantinha alinhamento com grandes nomes do crime organizado: o paraguaio Ireneo Ramon Acosta ("Califórnia") era o principal provedor de armamento pesado, enquanto o megatraficante argentino Jorge Adalid Granier Ruiz ("Pariente") coordenava o envio de toneladas de cocaína a partir de pistas de pouso bolivianas.
O clã teria, ainda, cooptado agentes públicos, sendo o delegado Hoffman D'Ávila Candido e Sousa e os policiais civis Andrey Elesbão Silva e Douglas Tobias suspeitos de fornecer "informações sigilosas e proteção investigativa à organização".
Hoffman teria, inclusive, "determinado a restituição de bem apreendido em favor do grupo, bem como realizado suposto desvio de entorpecentes apreendidos em sua delegacia para outros membros da organização criminosa".
Por fim, a autoridade policial destaca que a organização criminosa tem "alinhamento a facções como o PCC e o PGC, valendo-se de grave violência para intimidação de rivais e domínio territorial, inclusive mediante a suposta prática de homicídios, tortura e sequestro".
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