Há um mês e dezenove dias, o TopMídia News começou a acompanhar o caso de Priscila Rodrigues da Silva. A jovem de 21 anos teve seu útero retirado após uma cesariana em medida de contenção de uma grave infecção que contraiu na Maternidade Cândido Mariano. Hoje (23), a morte de Priscila é símbolo do triste desfecho e da indignação de amigos e familiares da jovem que não resistiu ao quadro infeccioso.
A luta pela sobrevivência de Priscila começou no dia 12 de maio, data marcada para o nascimento de sua filha. Ela recebeu alta médica no dia 15 e logo que retornou para sua casa, começou a sentir fortes dores abdominais. No dia 19, Priscila voltou à maternidade e foi diagnosticada com apendicite - estranho para quem acabara de passar por um procedimento cirúrgico de parto.
Inconstância - Em observação por dois dias, as fortes dores continuaram, segundo o marido da jovem, Everton Alves Bonfim de 23 anos. Atendida pelo Hospital Regional de MS Rosa Pedrossian, foi constatada uma infecção no corte da cesariana e logo Priscila foi encaminhada para a primeira cirurgia com a finalidade de retirar seu útero.
Everton afirmou, durante a primeira entrevista ao TopMídia News, que a infecção de Priscila era muito grave. "No procedimento, retiraram um litro de pus da área infeccionada", disse indignado. Encaminhada para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), a jovem foi transferida para a ala da maternidade do hospital.
Longa espera e desinformação - Sem saber das reais condições de Priscila, a família aguardou o tratamento sem ter conhecimento sobre a origem do estado de saúde da jovem, situação comum em casos onde são constatados judicialmente a negligência ou erro médico. A recusa em fornecer os prontuários médicos é uma luta constante de Valdemar Morais de Souza, presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos que também acompanha o caso de Priscila.
Apesar da existência da recente Lei nº 4.546 promulgada pela Assembleia Legislativa de MS no dia 18 de junho de 2014 de autoria do Deputado Estadual Pedro Kemp (PT) que obriga a entrega dos prontuários aos familiares dos pacientes, no cotidiano vê-se muitos pacientes à mercê do desdém, humilhações e desrespeito das administrações hospitalares e profissionais da saúde.
O artigo 1º dessa Lei diz que "o acesso do paciente ao prontuário médico é um direito garantido na forma desta legislação." Para o presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos, a Lei ainda é falha já que a multa de 500 UFERMS (cerca de R$ 9.565) é recolhida em favor do Fundo Estadual de Saúde - ou seja, volta para os cofres públicos e não para os familiares dos pacientes que acabam lesados pela desinformação. "Nossa luta é para que tenhamos acesso aos prontuários e quando houver recusa na entrega do documento, que a multa aplicada seja paga à família, não ao Estado", afirmou.
Prontuário negado - A maternidade Cândido Mariano se recusou a entregar o prontuário médico de Priscila ao marido, conforme notícia publicada pelo TopMídia News no dia 10 de junho. Valdemar, presidente da AVEM, comunicou o caso ao Ministério Público Federal.
De volta para a CTI, Priscila teve que se submeter a uma quarta cirurgia e estava em estado gravíssimo no final do mês de junho. Devido à baixa imunidade, uma mobilização nas redes sociais e através do WhatsApp pedia a doação de plaquetas para a jovem.
Entre idas e vindas do CTI do Hospital Regional - de acordo com Everton, marido da jovem – cada vez que apresentava melhoras, Priscila era colocada no quarto em contato com outros pacientes também com infecção.
Transtorno
Para se dedicar à mulher e à filha recém-nascida, Evandro precisou deixar o emprego e alterar toda a rotina diária. Para lidar com a situação, o jovem de 23 anos recebeu acompanhamento psicológico, mas não perdia a esperança de que Priscila recebesse alta.
Mas ontem (22) a triste constatação de que Priscila havia sofrido morte cerebral foi o reflexo da negligência médica pela qual a jovem passou. A árdua batalha de Priscila contra uma grave infecção mostrou a força da jovem mãe que hoje pela manhã a luta teve fim.
Responsabilidade
O corpo de Priscila foi liberado no final desta manhã. O velório tem início hoje a partir das 16h na Rua Caramuru nº 563 no Bairro Guanandi. A reportagem do TopMídia News entrou em contato com a administração da maternidade Cândido Mariano, porém foi informada que a direção do hospital encontrava-se em horário de almoço pouco depois das 10h da manhã – expediente tão estranho quanto as circunstâncias da cesariana de Priscila.




