O conjunto residencial Serraville, bairro que nasceu como loteamento da Ehma (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande), vem registrando um crescimento inesperado para a região. A surpresa ocorre quando alguém para para analisar onde o loteamento foi construído, bem ao lado da Penitenciária de Segurança Máxima, uma das regiões mais desvalorizadas da Capital.
Hoje em dia, com a principal avenida asfaltada, ocorre um grande aumento no comércio local. Os moradores se dizem satisfeitos com o desenvolvimento do bairro. Segundo eles, quando o bairro estava apenas começando, muita gente criticava o loteamento, achando que ali nada iria para frente.
De acordo com a dona de casa Arlete da Silva, 48 anos, ela mudou-se para o Serraville, juntamente com a família, há aproximadamente sete anos e lembra como era o lugar, relatando que nos dias de hoje, praticamente tudo está melhor e mais prático.
"Moro aqui com meu marido e meu filho, quando chegamos não tinha muita coisa, principalmente os mercados que tínhamos que andar muito para comprar algo. Na época que estava mudando, comentei com meus parentes para onde iria, todos me acharam uma louca, com medo da violência que o bairro tinha fama. Mas mudei e não era nada do que todos imaginavam. Aqui ainda tem muito para melhorar, mas digo sempre que se trata de um passo de cada vez", relata.
Para a moradora Leila Alves Nascimento que acompanha o crescimento do bairro há oito anos, diz que com o tempo tudo vai se encaixando. "Logo teremos uma creche para nossas crianças, muitos supermercados. O problema aqui é a telefonia, pois fica próximo ao Presídio de Segurança Máxima", disse.
Os comerciantes estão satisfeitos, porque com o aumento da população o rendimento financeiro está melhorando juntamente com o desenvolvimento do bairro. "Mesmo com uma grande quantidade de mercados por aqui, hoje em dia mudou muita gente e clientela não falta", disse Joice da Paixão, dona de um estabelecimento na região há dois anos.
Para a aposentada Lucinda Romero de 71 anos, que mora sozinha em uma residência do conjunto habitacional, não tem medo e diz que é um bairro bom para se viver. "Vivo apenas com Deus, mas tenho tudo que preciso. Mudei para o bairro recentemente, há aproximadamente dois meses, mas por enquanto, está tudo tranquilo", esclarece a aposentada bem humorada.

Aposentada Lucinda Romero de 71 anos. Foto: Anna Gomes
Mas como nem tudo é um ''mar de rosas'', na contra mão, alguns moradores ainda reclamam que muita coisa precisa melhorar. " O bairro é novo, mas não podemos nos acomodar, queremos um posto de saúde, escolas, pois dependemos do Jardim Noroeste. Aqui também não temos lazer, mas o que adianta ter uma praça se os vândalos podem quebrar?", disse uma moradora que não quis revelar o nome.




