Alguns minutos observando o sogro trabalhar renderam bons frutos ao empresário Antenor Pereira dos Santos, 51 anos, que hoje trabalha para sustentar a família proporcionando mais segurança nas residências da Capital quando o assunto é utilizar uma panela de pressão na hora de cozinhar. O amor e dedicação pela profissão rendeu até apelido carinhoso a Antenor: o 'Panela'.
De acordo com Antenor, a música "Panela velha é que faz comida boa" tem fundamento, mas desde que a panela passe pela revisão de um técnico de seis em seis meses para funcionar perfeitamente. A válvula de segurança e o pino de uma panela de pressão são as peças principais que devem ser trocadas, evitando assim, uma possível explosão na hora de preparar a comida.
O "Panela", apelido que Antenor é conhecido na região, garante que o serviço que pode evitar uma explosão dentro de casa pode ser feita por no máximo R$ 20,00 fazendo com que o cliente fique longe de possíveis problemas.
Antenor faz todos os tipos de reparo e bate no peito ao falar da profissão, que fez com que ele sustentasse sua família, que nunca passou necessidades devido a profissão herdada na família. O 'Paneleiro' tem três filhas e destaca com orgulho que o diploma da filha mais velha, formada em jornalismo, foi adquirido com o "suor" do pai, que batalha diariamente em sua loja na Rua Dom Aquino.
Confira a entrevista e fique atendo aos cuidados com suas panelas:
Top Mìdia News: Como surgiu o interesse para trabalhar com consertos de panelas?
Antenor: Eu aprendi a trabalhar com conserto de panela com meu sogro, ele que foi o pioneiro a mexer com panela aqui em Campo Grande. Ele tinha uma banquinha pequena, que dava para empurrar com a mão e ficava com ela aberta ali na esquina da Rua Dom Aquino com a Rua Ernesto Geisel. Eu trabalhava como pintor de automóvel e tive que passar por uma cirurgia. Foi ai que nos seis meses que fiquei afastado da oficina em que trabalhava, comecei a ajudar meu sogro, que era conhecido na região como Bier, hoje já falecido, nos consertos. Quando ele precisava sair eu que atendia os clientes e achei um serviço bem interessante porque entrava gente toda hora, o dinheiro que entrava era pouco, mas o pouco chegava toda hora e isso me chamou a atenção. Vi que era uma profissão que com o esforço, era possível ganhar dinheiro e proporcionar uma vida tranquila a minha família.
Top Mìdia News: Quais foram os primeiros trabalhos que desenvolveu quando estava aprendendo a profissão?
Antenor: Comecei a trocar cabos de leiteras, tentava desempenar panelas, mas essa parte era complicada e peguei apenas depois de quatro meses. Fazia os atendimentos mais simples, trocava uma válvula de segurança, colocava borrachas nas panelas dos clientes e com o tempo, fui aprendendo a fazer outros serviços mais difíceis. Nesse tempo, meu sogro conversou comigo e me disse para sair do serviço. Ele me convidou para trabalhar com ele porque ali eu teria trabalho todos os dias.
Top Mídia News: Após deixar o serviço, sentiu medo de não ter sucesso na profissão?
Antenor: Eu nunca senti medo, sempre tive certeza que daria certo porque eu acreditava no trabalho que eu prestava. Na oficina eu respirava muita tinta e resolvi que queria uma profissão mais tranquila do que aquela. Em 1987 trabalhei com ele e em 1989 eu apostei todas as minhas fichas no que fazia. Eu economizei dinheiro e com um ano que estava com meu sogro, comprei uma banca igual a dele e comecei a trabalhar na mesma rua, só que próximo da Rua Calógeras.
Top Mídia News: Qual foi a reação dos seus familiares no momento em que começou a arriscar e ter um comércio próprio?
Antenor: Eu tinha apoio, todos sabiam que eu sempre batalhei para ter minhas coisas e me apoiavam. Com o tempo as coisas iam melhorar e todos a minha volta tinham a mesma certeza que eu. Meu sogro me ajudou com sacolão na época, ele sempre me incentivou a crescer e me dava suporto quando eu não tinha".
Top Mídia News: Por que é importante fazer revisão nas panelas?
Antenor: Muitas pessoas não sabem, mas um pino velho, uma válvula de segurança velha coloca em risco a vida das pessoas. Uma explosão de uma panela de pressão é capaz de destruir um cômodo de uma casa, é capaz de ferir gravemente uma pessoa e dependendo da distância que ela está do local da explosão, pode ser que até mate. As pessoas tem que entender que é necessário fazer manutenção, assim como em um carro, uma moto, é algo que necessita de revisão para evitar acidentes.
Top Mídia News: O que tem que ser consertado em uma panela para dar segurança aqueles que à utilizam?
Antenor: A válvula de segurança é o principal, ela precisa ser trocada porque ela é que da a segurança na hora de cozinhar. O pino também deve ser trocado porque com o tempo ele deixa de funcionar. Tem as borrachas também que deve ser trocadas, cabos que ficam velhos com o tempo devem ser trocados para evitar que quebre no momento em que está sendo utilizado.
Top Mídia News: Quando uma pessoa pode perceber que a panela necessita de revisão?
Antenor: Quando a panela deixa de fazer aquele chiado que ela normalmente faz quando está pegando pressão. Se ela parar de fazer barulho, significa que está começando estragar e é importante já trazer para conserto. Aqui eu também corto panelas, faço a limpeza delas, trocamos cabos, tentamos atender a necessidade do cliente.
Top Mídia News: Qual foram os casos mais precários em que uma panela veio para o conserto?
Antenor: Já teve pessoas que chegaram aqui com durepox na válvula, com palito no pino e isso não pode acontecer, isso ajuda a panela a explodir. Para fazer uma revisão geral na panela, a pessoa gasta no máximo R$ 20,00 e pode cozinhar segura por seis meses.
Top Mídia News: Como você se sente hoje diante da profissão que exerce?
Antenor: Eu me sinto muito bem graças a Deus, consegui criar minhas filhas, agora crio uma neta e assim vou seguindo a vida. Sou realizado porque consegui evoluir muito dentro da minha profissão, hoje tenho meu carro, minha casa própria, consigo sustentar minha família sempre e isso me deixa muito feliz.





