Depois de declarar apoio e formar dobradinha com Delcídio do Amaral antes das convenções partidárias – quando então as executivas nacionais impediram a união das siglas -, Reinaldo Azambuja e o PSDB optaram por lançar candidatura como forma de permitir visibilidade à sigla, que sempre caminhou na sombra do PMDB de André Puccinelli e, até, para permitir palanque no estado para o presidenciável Aécio Neves.
Essa ruptura atraiu partidos que costumeiramente gravitam no entorno do poder, qualquer que seja, foram aceitos pela necessidade de tempo de exposição em Rádio e TV. Foi a primeira amostra de que uma reforma não se começa pela pintura, mas pelos alicerces.
O costume em ser coadjuvante dos governos, mas a ruptura a fórceps com o antigo aliado fez com que o PSDB buscasse no marketing política uma campanha publicitária que o torna-se, se não desejado, ao menos palatável. Criou-se o slogan “Novo Tempo”.
Novo?
Ouvindo o “Canto da Sereia”, aliou-se com quem já foi cúmplice e inimigo de tantos políticos quantos houveram no Estado e mesmo dos que administraram o País, e que ainda agora é incerto, ora está em acepipes com ex-mandatário municipal, ora canta loas ao companheiro de jornada.
Também nada é tão novo quando tem em sua equipe ‘conhecido responsável por captar recursos para campanhas políticas, de métodos pouco ortodoxos e que anteriormente conseguiu caudalosos recursos para candidatos que, escorados no montante arrecadado voluntariamente, conquistaram sem grandes dificuldades os cargos que disputaram democraticamente.
Novo com velhos métodos?
Prevendo uma pequena possibilidade de chegar ao segundo turno, desde que possa contar com os votos perdidos por Nelsinho Trad, e arrancar outros tantos de Delcídio do Amaral, a equipe de Reinaldo Azambuja tem utilizados dos “velhos e condenáveis métodos” para tentar eleger o “novo”. As estratégias vão desde ataques pelas redes sociais, até a distribuição de folheto de propaganda no formato de jornal de circulação diária com matérias que transformam suposições e conversas soltas como se fossem fatos. É necessário ter em mente que a traição é plural e sempre se repete, portanto é melhor um inimigo que respeita do que um amigo que traia.
E obedecendo à máxima de personagem do escritor Tomasi di Lampedusa, discípulo literário de Maquiavel: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”.
Outra acusação
Trilhando os caminhos dos velhos métodos políticos, militantes partidários da Coligação liderada por Reinaldo Azambuja foram flagrados no dia 30 de agosto, em uma caminhonete transportando R$ 47,5 mil, que seriam entregues para cooptar lideranças políticas de 12 municípios.
Cassação
Baseado neste eventual crime, a coligação “Mato Grosso do Sul com a Força de Todos”, liderada pelo candidato ao governo, Delcídio do Amaral, entrou com representação na Justiça Eleitoral pedindo a cassação da candidatura de Reinaldo Azambuja(PSDB), sob denúncia de esquema de compra de votos em troca de apoio político e a utilização de “caixa 2” na campanha, que ocasiona falhas insanáveis na prestação de contas do candidato tucano.
A representação ocorreu após o início da investigação de eventual crime praticado pelo candidato no dia 30 de agosto, em que uma caminhonete pertencente ao advogado pessoal de Reinaldo Azambuja, Alessandre Vieira, foi flagrada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) transportando R$ 47,5 mil, que seriam entregues para cooptar lideranças políticas de 12 municípios do estado.
O veículo pertencente ao advogado de Azambuja, Alessandre Vieira, foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando era dirigido pelo ex-vereador de Maracaju, Oclilane Sanches (Careca), fiel aliado do ex-prefeito de Maracaju desde sua gestão. Com o dinheiro, foram encontradas planilhas com contatos e valores para os meses de agosto e setembro.
Em depoimento à PRF, Oclilane confirmou que “o dinheiro era destinado ao pagamento de despesas de lideranças politicas que apoiavam o candidato Reinaldo Azambuja na Região Norte do Estado”.
A polícia, durante investigações, comprovou que nenhuma das lideranças políticas mencionadas durante depoimento fazem parte da planilha de despesas declaradas na prestação de contas da Coligação, o que sugere “Caixa 2” usada para cooptar apoio de lideranças políticas.
Caso comprovado que os velhos métodos venham sendo utilizados por quem vende a imagem de um novo jeito de fazer política, se comprovada a captação ou gastos ilícitos de recursos para fins eleitorais, será negado diploma o candidato, caso eleito, ou ele será cassado, caso já tenha sido empossado.




