Mesmo com a promessa de um "novo tempo" nas ruas de Campo Grande, o abandono das principais avenidas da cidade é visto, a olhos nus, por quem passa pelas vias. Mesmo as que passaram por obras há pouco tempo, como a avenida Guaicurus, já enfrentam problemas, como o descaso com a limpeza e o aparecimento de buracos.
No "olho do furacão" e tentando evitar uma CPI para investigar o serviços de tapa-buraco, após o escândalo do "buraco fantasma", o prefeito Olarte está buscando um empréstimo junto ao CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) para implementar o Programa de Recomposição do Pavimento Asfáltico, que irá, segundo ele, contemplar 35 vias, que compreenderão cerca de 87 quilômetros e beneficiar indiretamente 150 mil pessoas.
Cerca de US$ 140 milhões devem ser investidos no programa, sendo que US$ 70 milhões serão financiados junto ao CAF e os US$ 70 milhões serão provenientes do cofre da própria prefeitura. O projeto é batizado de “Recap Campo Grande”, mas pode não resolver a situação municipal, já que muitas das obras já constam no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Além disso, o que se questiona é a qualidade desses recapeamentos. A equipe de reportagem do Top Mídia News foi às ruas onde, nos últimos anos, foi realizado o serviço. As vias são: Avenidas Bandeira, Júlio de Castilho e Guaicurus, além da Avenida José Barbosa Rodrigues, inaugurada há poucos anos. O que se vê é que elas, no geral, já estão cheias de buracos. Mesmo as que ainda não tem buracos, como a Guaicurus, contam com outros tipos de problemas.
Para a dona de casa Lucilaura Albino, 29 anos, o recapeamento da Guaicurus está quase 100%, faltando apenas mais sinalizações nas esquinas. "Tenho um filho que estuda aqui perto e para atravessar a rua, faltam faixas de pedestre e mais sinalizações ou semáforos. Aqui depois que arrumou ficou um tapete, está uns 80% eu diria, porque falta ainda as ciclovias que foram prometidas", opinou a mãe.

Avenida Júlio de Castilho em frente a loja Americanas está com buracos próximo ao meio-fio
As chuvas de verão, que caem quase todos os dias na Capital acabaram danificando o cruzamento da Rua Ouro Verde com a Avenida das Bandeiras, que foi toda recapeada em sua extensão durante a administração de Alcides Bernal. "O que acontece depois de recapear, é que eles demoram para sinalizar ou fazem mal feito, ocorrendo vários acidentes de trânsito. Sobre o buraco aqui, foi um dia para a prefeitura vir tapar. Agora falta atenção dos motoristas", criticou o cabeleireiro Patrick Corvalan de 21 anos.
Recentemente a prefeitura acelerou o ritmo de trabalho das obras de recapeamento da Avenida Tamandaré, acesso da UCDB. O projeto prevê a pavimentação e drenagem da região do Seminário, contendo as inundações causadas nos dias de fortes chuvas na região. Os serviços estavam em ritmo lento, porém foram acelerados com a liberação de R$ 25 milhões do PAC2 Pavimentação que beneficia o projeto.

De todo os projetos de recapeamento da prefeitura, até o momento, 15% das obras estão concluídas, a projeção e que até dezembro atinja 48,55%.
Este programa, segundo Olarte será complementado com os 60 quilômetros do recapeamento previsto no Programa de Mobilidade Urbana, que abrangerá as vias onde serão implantados corredores do transporte coletivo. “Temos uma malha viária antiga, que precisa de uma solução definitiva, que é o recapeamento. O tapa-buraco é um paliativo, com alto custo para o município, porém é necessário fazê-lo”, afirmou o prefeito.
Uma obra que a população espera a décadas é o recapeamento e reordenamento da Avenida Ernesto Geisel, onde a prefeitura, com umfinanciamento da Caixa Econômica Federal, visa revitalizar as margens do Rio Anhandui, entre o Shopping Norte Sul Plaza até o Bairro Aero Rancho.

Algumas ranhuras no sentido bairro-centro podem ser vistas na Av. José Barbosa Rodrigues
Sobre a demora para a aceleração dos ritmos de frente das obras, o secretário de Infraestrutura, Transporte e Habitação, Valtemir de Brito, disse que a Seintrha está trabalhando em ritmo bastante intenso em 2015, concluindo as obras paralisadas e atendendo as demandas da população, principalmente aquelas encaminhadas através das lideranças de bairro. "O ano de 2015 será o ano das obras para Campo Grande. Estamos trabalhando bastante, e correndo contra o tempo agora pós-carnaval para reunir os documentos e levar para os vereadores, pois não tem necessidade de uma CPI, mas se vir, que venha, não temos medo", avisou o titular da Seintrha.

Na Av. José Barbosa o problema é o lixo que está entre entulhos, galhos e sofás tomando conta da extensão na via




