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Entrevistas

13/03/2015 08:54

Capital sofre efeitos do desmatamento das beiras de córregos, diz Romero

Ondas de calor

Jornalista, professor e ator. A currículo profissional do vereador Eduardo Romero (PTdoB) por si só já serviria para destoá-lo dos gestores que habitualmente ocupam as cadeiras da Câmara de Vereadores de Campo Grande. Em seu primeiro mandado, iniciado em 2013, Romero ganhou notoriedade ao utilizar a bicicleta ou o transporte público para se locomover até o local de trabalho. A atitude deixa explícita a defesa de pautas como a preservação do meio ambiente, além da cultura, ambas historicamente relegadas a segundo plano pela gestão municipal.

Fazendo dos problemas ambientais no córrego de sua infância e da paixão pelas artes, bandeira para vida pública, o vereador apresentou projetos para o setor ao longo de dois anos. Em entrevista concedida ao Top Mídia News, falou das perdas e vitórias dentro da Casa de Leis e destacou a programação de debates referentes ao Mês das Águas, celebrado em março.


Top Mídia News - Como começou o interesse pelas questões ambientais?


Eduardo Romero - Eu milito na área ambiental desde a adolescência, na Escola José Barbosa Rodrigues, eu tive contato com as primeiras experiências na área. Eu ainda era estudante do ensino Médio, quando fizemos um trabalho para feira de ciências da escola, que tinha como tema a questão ambiental, e foi proposto por uma professora, que a gente fizesse uma trabalho na própria comunidade. Nós começamos naquele momento a fazer uma trabalho de visitação no Córrego Balsamo, que ficava a 800 metros de distância da escola. Presenciamos muitos problemas de degradação. Esgoto que era lançado diretamente no córrego sem tratamento, inclusive, esgoto industrial, muito lixo nas margens, algumas casas que haviam invadido a margem do local estavam irregulares.O caminhão de lixo não passava e os moradores jogavam o lixo direto no córrego.

Isto provocou um pensamento. Pois, conhecíamos um problema que estava na porta de casa e começamos a pensar em como intervir para resolver esse problema. Então, o que era apenas um trabalho para feira de ciências foi ganhando corpo e virando movimento. Acabei ingressando no movimento ambientalista e a pauta que era do Córrego Bálsamo passou a ser a pauta da cidade e passamos a olhar pelos 33 córregos de Campo Grande e logo mais para o Pantanal. Fui cursar jornalismo e então me identifiquei mais ainda com a questão ambiental e depois fui fazer o mestrado na área de comunicação voltando minha pesquisa para o meio ambiente. Virei vereador e, na Câmara Municipal, acabei assumindo a presidência da Comissão de Meio Ambiente.


Top Mídia News - Entre suas propostas mais significativas como vereador está a transformação do em tornos dos córregos da Capital em parques lineares. No que consiste esse projeto?


Eduardo Romero - Nós temos uma mudança fundamental no comportamento da cidade. Nos anos 90, as cidades cresciam e elas tinham vergonha do seus córregos. Os engavetavam, envelopavam, canalizavam. Tanto que temos reflexos disto em Campo Grande, como por exemplo, na rua Maracaju e na avenida Fernando Correia da Costa. Com a advento da Eco 92, passou a haver outro olhar sob o meio ambiente. Começamos a discutir como as cidades podem crescer sem perder qualidade de vida e daí surge o conceito de Parques Lineares. A grosso modo, isto significa pegar um córrego de onde ele nasce até onde ele termina e não descaracterizá-lo. Assim, se permite que aquele espaço atenda a necessidade da sociedade, mas sem a necessidade de esconder o córrego dentro da paisagem urbana. Essa defesa é a única maneira de você garantir o controle do micro clima da região. Hoje, enfrentamos ondas de calor em diversos pontos da cidade que ocorrem por conta da remoção da cobertura vegetal. A falta dessas árvores aumenta a temperatura e gera problemas no controle de chuvas.

A existência dessa mata em torno do córrego permite que a água infiltre com mais facilidade no solo indo diretamente para reservas subterrâneas. Quanto se tem uma cidade arborizada, há chuvas mais regulares e menos violentas. Em Campo Grande, é comum ter em uma hora de chuva o que esperado para o mês inteiro. Isto é reflexo de mudança climática. Hoje temos estimativas que a Capital tenha menos de 10% da cobertura vegetal nativa. Atualmente, há oito Parques Lineares implantados em Campo Grande permitindo que a cidade cresça, mas com qualidade de vida.


Top Mídia News - Qual a importância da preservação do meio ambiente para cidade de Campo Grande em aspectos econômicos?


Eduardo Romero - Campo Grande é uma capital de serviços e que ainda depende da agropecuária. Você não consegue garantir nenhuma produtividade na agropecuária, se você não tiver um meio ambiente equilibrado, com regularidade de chuva e produtividade do solo. Quando não cuidamos do meio ambiente, estamos produzindo um grande estrago, além de um prejuízo na economia. Outro aspecto é que nenhuma indústria, de qualquer natureza que seja, se instala em uma cidade que não tenha oferta de água e energia. E isto só é possível em um ambiente equilibrado. Então, há diversas empresas mudando sua planta industrial para cidades com estas características. Sem equilíbrio ambiental não se mantém produção, nem a geração de emprego e nem qualidade de vida para a população. O prejuízo para qualquer cidade que não cuide das questões ambientais e entrar em colapso econômico.


Top Mídia News - Quais as ações previstas para o mês de março, Mês das Águas?


Eduardo Romero - Estamos neste mês com algumas agendas voltadas para as questões ambientais, pois é comemorado no dia 22 de março o Dia Mundial das Águas e estamos em algumas agendas. No dia 19, teremos uma audiência pública que tem como título Águas de Campo Grande, onde nós queremos debater com a sociedade três questões. Primeiro, é o programa Manancial Vivo, que é a experiência de PSA (Pagamento de Serviço Ambiental). O programa consiste na indenização de produtores rurais que estão dentro da área de preservação ambiental da Bacia do Guariroba, do Botas e do Lageado. Este programa está em funcionamento real desde 2010. Discutiremos também o plano de drenagem de Campo Grande. Até o momento, o projeto que prevê isenção de IPTU para imóveis de vítimas de alagamento e enchentes não foi aprovado. O mínimo que o poder público pode fazer é isentar o morador até que possa resolver o problema de fato. O projeto foi aprovado na Câmara, mas vetado pelo Executivo. O terceiro ponto que vamos discutir também é a questão do abastecimento da cidade, onde entra o debate sobre o uso ou não uso de poços artesianos.


Top Mídia News - O vereador atua também no teatro. Como avalia o atual cenário vivido pela cultura em Campo Grande?


Eduardo Romero - Sou artista de teatro desde 96. Faço parte de um grupo chamado "Os Caras de Pau" e sempre defendi a arte-educação. Hoje, posso te dizer, que te a fato a cultura não é prioridade na política pública de Campo Grande e isto não o privilégio desta administração. Isto é histórico. Infelizmente, a Capital sempre tratou como segundo ou terceiro plano as questões culturais. Percebemos que do ponto de vista legal, nós temos todas as referências de marco legal que poderíamos ter. Nós temos o Plano Municipal de Cultura, as Metas do Plano de Cultura, Fundo Municipal, Conselho e Fórum Municipal e nós temos a Lei de 1% para a cultura. Mas não tem o que comemorar, porque não avançamos na execução destes marcos legais. Temos as leis, mas não temos a prioridade política. Ou seja, ainda estamos tendo conflitos do ponto de vista cultural.

Temos ações da Fundação de Cultura que contrata artistas sem garantias de recebimento de cachê. Tanto que hoje, um dos projetos aprovados de minha autoria, que resultou de uma audiência pública com artistas, disciplina a contratação de artistas pelo Poder Público. Quanto é artista de fora, ele não vem executar uma agenda sem a garantia de que ele vai receber. O artista local faz a boa vontade de se apresentar sem essa garantia. Com esse projeto, o artista fará parte de um cadastro da Fundação de Cultura e a prefeitura vai ter critérios para garantir o pagamento. Está é mais um referência legal, mas se o gestor não olhar para a cultura com o olhar que precisa não adianta.  

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