Uma das causas de maior reclamação da população brasileira, a relação entre cliente e instituição bancária não é tão complicada como parece. O importante é ter conhecimento real do que está sendo feito, e ficar sempre atento. Essa é a principal dica do advogado Yuri Murano, especialista em direito bancário.
Murano é o entrevistado da semana do Top Mídia News, e falou sobre como melhorar a vida do cliente, além de dar dicas importantes para não existir problemas com os bancos. Confira a entrevista na íntegra:
O brasileiro tem uma boa relação com seu banco?
Acredito que as pessoas tem uma boa relação com o banco, um aumento no mercado está acontecendo mas eu vejo um impacto na relação cliente-banco. São problemas rotineiros dos próprios serviços bancários, que muitas vezes o cliente não tem conhecimento. O banco disponibiliza o serviço e auxilia o cliente, mas o mesmo nem sempre está disposto a ler aquilo que foi passado, por isso recomendo ao cliente ler um contrato do início ao fim, ler as cartilhas e os comunicados do banco, ou seja se atentar a todas as normas que o banco disponibiliza para eles, mas muitos clientes não fazem isso e acabam dificultando a relação.
O que é mais complicado na relação consumidor e banco? Relacionados ao que o senhor disse anteriormente, o que o cliente pode alegar de reclamação?
Muitas vezes o cliente alega que desconhece o contrato, desconhece uma norma daquele contrato, uma cláusula daquele contrato ou um serviço do banco, mas todos esses serviços são comunicados ao cliente, seja por carta, seja por e-mail ou até noticiário mesmo. O banco usa meios de informação, mas muitas vezes o cliente acaba não entendendo ou não se interessa mesmo.
Os serviços bancários se adequaram ao consumidor ou o consumidor se adequou ao serviço?
Os serviços bancários são adequados ao consumidor, o banco visa sempre a qualidade de vida do cliente, os serviços são todos disponibilizados e feitos para atender o cliente, não importa a renda.
Muitos avisos, como por exemplo o e-mail, acambam sendo vistas como fraude, como o cliente deve estabelecer melhor sua comunicação?
O cliente precisa se precaver. Por exemplo em uma transação on-line, o consumidor deve saber que o computador ou dispositivo móvel que usa precisa estar seguro, ter um bom anti-vírus, não acesar em cyber’s cafés, verificar o site... As fraudes existem em todo lugar, embora os bancos sempre tentem proteger o cliente, a principal precaução deve ser feita pelo cliente pois sempre estamos sujeitos a fraudes.
O que os consumidores devem fazer para ter uma melhor relação com o banco?
Procure entender o que seu banco está te oferecendo, os créditos disponíveis, as taxas de juros existentes, digo até para tratar o banco como se fosse sua segunda casa, uma parte da sua vida financeira, entenda os parâmetros de serviço e aonde você pode usufruir desse serviço.
Hoje em dia o senhor acredita que o serviço home banking ou até o caixa automático são aproveitados como deveriam?
Não, os meios fornecidos não são aproveitados pelos clientes, a maioria tem um receio muito grande de usar esses meios alternativos, o banco ensina a melhor forma de acessar seus dados, de fazer uma transação bancária, mas as pessoas ainda tem uma resistência a esses atendimentos. Muitos não acreditam nesse atendimento, pois acham que precisam de um comprovante impresso, preferem um atendimento interpessoal, ou seja, não acreditam no serviço on-line.
Sabemos que o serviço bancário tem muito nível de segurança envolvido, mas por quê sempre temos clientes buscando justiça? Por exemplo, com conta de saque indevido.
As pessoas precisam se resguardar mais, precisam entender que uma fraude pode acontecer com ela. Ter cautela com documento pessoal, com o cartão, senhas, informação dada por telefone e acessos de sites.
Muitos clientes passam por inconveniências com a porta giratória.
A porta giratória é um paradigma que as pessoas desconhecem. Na porta giratória as pessoas se sentem amedrontadas, se sentem coagidas, com vergonha e humilhadas. A sua função é para a segurança do cliente e dos funcionários. Há casos que temos clientes que possuem proteses metálicas e não conseguem passar pela porta giratória, nesse caso, a pessoa deve se dirigir ao segurança, mostrar que utiliza uma prótese metálica e será encaminhado a uma porta alternativa. Mas temos casos que as pessoas não adotam esse procedimento e querem passar pela porta giratória.




