Mais do que pela renovação política, a manutenção das políticas sociais reelegeu a presidente Dilma Rousseff, uma vez que o eleitor optou por manter um governo que tende à insegurança econômica, às manchas dos escândalos, masque irá assegurar que o bolsa família e outras políticas de proteção social serão mantidas.
O “sim” às propostas de Dilma, por uma diferença mínima de votos, é a clara indicação de que o medo da perda das políticas sociais foi o grande fator que mantiveram o Partido dos Trabalhadores no poder, mas indica claramente que a política econômica deverá sofrer mudanças profundas.
Ainda que as denúncias de corrupção tenham eclodido já durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a empatia do ex-presidente e o bom desempenho das políticas sociais, com o aperfeiçoamento das políticas de proteção social, o desemprego sob controle, a vinda da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas 2016, elegeram a candidata Dilma Rousseff, que ainda tem um resto de apoio da população para, enfim, cumprir suas promessas.
A economia sem rumo foi um dos maiores pecados de Dilma. Por um lado defende o modelo econômico, por outro demite por antecipação seu ministro chefe da área econômica, Guido Mantega.
O escândalo da Petrobras, da qual Dilma Rousseff não consegue se desvincular, parece ter sido perdoado. Ainda resiste na mentalidade de uma democracia capenga, a noção de que todos roubam, e que um candidato da oposição não faria diferente, e ainda poderia tirar o pouco que é distribuído entre os mais carentes.
A frágil situação da economia brasileira não foi um fator que pesou na opção por uma provável mudança com o voto em Aécio. O Brasil patina economicamente, não conseguindo acompanhar sequer os índices de crescimento dos países da América do Sul. Os números comprovam que a política econômica da atual administração é falha e que a atual presidente não aparenta capacidade de alterar essa realidade.
A população optou pelas benesses imediatas. Se o Prouni conseguiu mais salvar mais as universidades particulares falidas do que dar ensino superior de qualidade, ainda assim é o diploma sonhado, ainda que ele não abra portas para inserir este contingente de estudantes na economia. Se o Pronatec forma cidadãos com graves lacunas de aprendizado, ainda assim é a tábua de salvação dentro de uma educação toda ela com problemas.
O novo
Caso Dilma não altere sua política econômica, ainda que derrotados por quatro eleições seguidas, as oposições serão imbatíveis em 2018. O que causa temor é o país seguir nessa economia equivocada e que uma recessão que se apresenta à porta tome proporções incontroláveis e leve a população, nas próximas eleições, a tender para uma direita agressiva.
O número elevado de ministérios, que contemplam amigos e inimigos controlados, pode ter sido uma alavanca para muitos dos votos recebidos por Dilma Rousseff, mas tudo leva a crer que seja o grande fator a desestruturar a economia e a governabilidade. Dilma terá que optar entre dar corpo a uma Nação, ou dar seguimento à política de compadrio.
A torcida de quase 50% da população é que a futura administração de Dilma apresente uma equipe econômica competente. Causa temor as composições necessárias no Congresso manterem a presidente refém. O crescimento das oposições exigem a redução do número de Ministérios e o controle das contas públicas. Outras questões, como a reforma política e a reforma da previdência, estão centradas na força que estas forças de oposição passaram a ter. Dilma terá que repensar com quais forças quer governar.




