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20/08/2014 10:00

Exame simples se torna letal em mãos inexperientes

Dignidade e Justiça

A colonoscopia é um procedimento que foi introduzido na medicina na década de 70. Com o propósito de identificar o câncer no intestino, era considerado na época um exame difícil e perigoso. No entanto, torna-se evidente que ele é imprescindível no diagnóstico de doenças colorretais, além de rastrear, detectar e prevenir o câncer na região.


Hoje, a colonoscopia é considerada bastante segura pela medicina. Porém, como qualquer procedimento médico, há sempre risco de problemas. A taxa de complicações é 0,2% e o risco de morte é de 0,007%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Problemas são mais comuns quando se necessita retirar um ou mais pólipos. Ainda assim, o risco é muito baixo.


Apesar da estatística, Ana Cristina Andrade Maricato viu sua mãe perder a vida depois da realização desse mesmo exame. Dona Íris, 77 anos, teve seu intestino perfurado durante o procedimento na clínica Digest, há quase dois anos. Orientações médicas a respeito do procedimento dizem que é preciso muita cautela ao realizar a colonoscopia em pacientes acima dos 50 anos. [Entenda no box abaixo].


Ana Cristina conta que a família já enfrentava uma batalha após a irmã ter sido diagnosticada com câncer. “Depois dessa notícia, minha mãe ficou muito abatida, devastada diante dessa situação.  Ela sentia cólicas de vez em quando, mas ela era muito cuidadosa com sua saúde”, relatou.


Após realizar um exame de mamografia, a ginecologista de dona Íris pediu a colonoscopia por causa das cólicas que havia apresentando. Ana Cristina confiou na médica, mesmo acreditando que a mãe deveria ter sido encaminhada primeiro a um gastroenterologista.


O procedimento - A filha acompanhou a mãe até a clínica Digest no início da manhã. “Eu sabia que o exame demorava em torno de uma hora para ser feito e eu percebi que ela não saía da sala. Fui até à atendente e perguntei sobre a demora da minha mãe, pois eu vi que pacientes que entraram para fazer esse exame junto com ela saíram bem antes.”


Após a demora, Ana Cristina foi chamada pela auxiliar da clínica e disse que a médica que havia realizado o exame em sua mãe a chamou numa sala. “Me deu um frio na barriga pois pensei que era um diagnóstico de câncer. A doutora deu voltas e voltas no assunto, mas não disse que perfurou o intestino da minha mãe. Se ela tivesse me falado a verdade eu procuraria ajuda naquela hora.”


Imagem: Ministério da Saúde


Demora – Ana Cristina foi chamada pela médica da clínica às 9h da manhã. O motivo da espera era que, segundo o relato da médica, sua mãe apresentava uma aderência na parede do intestino com muitos divertículos – a mesma doença que havia vitimado o ex-presidente Tancredo Neves.


Às 9h da manhã, dona Íris ficaria sob observação até às 17h da tarde. Contudo, Ana Cristina foi chamada novamente para fazer uma radiografia na mãe. Ao ver a senhora de 77 anos, ela estava com as mãos frias, alegando que nunca havia sentido uma dor tão grande na vida.


“Quando vi a minha mãe, ela não falava por conta de tanta dor e com a barriga exageradamente inchada. Perguntei se alguém havia oferecido almoço a ela e me disseram para ficar tranquila até porque o soro asseguraria que ela estivesse bem nutrida”, disse Ana Cristina.


Trajeto – Ana ainda relata que a mãe, mesmo com o intestino perfurado – situação nem imaginada pela família - andou até o carro e fez a radiografia em pé no Hospital Miguel Couto. “Foi uma dificuldade para ela locomover. Nem me passava pela cabeça sobre o que realmente estava acontecendo.”

Retornando à clínica para apresentar a radiografia, Ana Cristina não viu mais a médica que realizou o exame em sua mãe. "Outro médico, com boa vontade, nos atendeu, após o laudo radiográfico, e disse que a minha mãe deveria passar por uma cirurgia de emergência. Foi quando ele revelou que seu intestino havia sido perfurado", lembrou emocionada.


Ana Cristina ficou indignada ao saber que a clínica tinha convênio com empresa que oferece o serviço de ambulâncias (Quali Salva). Mesmo sabendo que dona Íris já estava com seu intestino perfurado, a Digest só ofereceu o serviço depois que filha levou a mãe para fazer a radiografia e retornou à clínica. "Eu fiquei possessa".


Triste desfecho - Às 16h do dia 21 de agosto de 2012, dona Íris se submeteu a uma cirurgia de urgência no Hospital do Pênfigo. Ana Cristina não falaria mais com a mãe. Após sete dias em coma, morreu de infecção generalizada.


Gastro ou pediatra? - Ana Cristina foi informada a respeito da médica que realizou a colonoscopia em sua mãe - era pediatra e havia feito um curso para manipular a endoscopia. "Essa doutora Adriana que foi culpada. Depois que minha mãe faleceu, ela chorou muito. Quando a pessoa é de idade, deve-se fazer o exame no hospital, principalmente acima dos 60 anos. Ela morreu de infecção generalizada. A médica não tinha experiência."


Para a filha de dona Íris, só ficou a saudade da mãe e a sensação de impunidade e negligência da clínica. "Ela tinha uma idade avançada, mas era mais saudável do que eu. Infelizmente, fico indignada e temerosa por outros que possam a passar pelas mesmas circunstâncias em que minha mãe passou."


Ana Cristina entrou na Justiça e o caso ainda aguarda a decisão judicial. Através da Associação das Vítimas de Erros Médicos, a família está representada pelo presidente da instituição, Valdemar de Souza Morais. "Não me interessa o dinheiro e que fique claro isso. Eu quero justiça." 


Localizada na Avenida Salgado Filho, nº 3543, Jardim Paulista, é possível também entrar em contato com a associação pelo telefone 3362-1375 e pelo e-mail ongms.avem@yahoo.com.br.

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