TopMídia News – Há cerca de três meses como diretora-presidente da Fundação de Cultura do Município, já conseguiu organizar as irregularidades que quase culminaram na CPI da Folia?
Juliana Zorzo - Nós fomos nomeados no dia 1 de abril e quando entramos aqui havia certas irregularidades em várias coisas. Várias pessoas nos procuraram alegando que a Fundac estava devendo a elas. Nós tínhamos aluguel atrasado, luz atrasada, água e telefone cortados.
A situação estava um pouco complicada, só que havia dinheiro para pagar as dívidas em atraso. Então, a gente não entendia razão do por que havia essas contas atrasadas quando assumimos a Fundação.
Nós acertamos e pagamos tudo. O prédio da banda e da orquestra estava com um ano e dois meses de aluguel atrasado. Eles estavam para ser despejados, tendo em vista também que se trata de um prédio insalubre, pois o teto está caindo e o chão afundando.
Nós vamos trocar a banda e a orquestra de lugar. Mandamos algumas propostas para a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) para que possamos escolher outro prédio a fim de abrigá-los em outro com melhores condições. A gente viu todas as irregularidades que foram citadas em audiência pública na Câmara.
Em relação aos artistas, ficamos mesmo constrangidos e envergonhados, pois foram mais de 70 artistas que não receberam da Fundac, totalizando em torno de R$ 105 a R$ 110 mil. Esses são só os artistas que temos o conhecimento de que precisam receber, só que não há nenhum tipo de processo ou contrato em arquivo da instituição. Não há nem mesmo registro de prestação de serviços.
TopMídia News - Os shows de fato foram realizados?
Juliana Zorzo - Os servidores concursados da Fundac e que trabalham há muito tempo na instituição atestam que eles trabalharam e fizeram os shows. Só que não foi aberto nenhum procedimento para que fossem pagos, foram contratos verbais, do tipo “vai lá e canta e depois a gente acerta”, só que isso não pode acontecer.
Eu fiz um parecer favorável dizendo que nós precisávamos acertar essa situação, só que nós não temos procedimento nenhum. A PGM (Procuradoria Geral do Município) devolveu, não porque não devêssemos, mas se pagássemos incorreríamos em improbidade administrativa.
TopMidia News – Por quê? Estava fechado o orçamento?
Juliana Zorzo – Não é que o orçamento estivesse fechado, mas eram contratos verbais. Sem autorizações, sem pedidos de serviço, sem reservas de empenho. Agora teremos que verificar os procedimentos possíveis junto ao Tribunal de Contas e Ministério Público para que haja um reconhecimento de dívida. Dessa forma, poderemos efetuar os pagamentos e nada mais justo que a gente faça isso.
TopMidia News – E o quem tem bom?
Juliana Zorzo – Vamos às coisas boas. Nunca na história foi colocado um fundo municipal de incentivo à cultura tão alto. Em abril publicamos o edital do Fmic (Fundo Municipal de Incentivo à Cutura) e Fomteatro (Fomento ao Teatro), no total de R$ 3.200 milhões do Fmic e R$ 800 mil do Fomteatro. Esse dinheiro está disponibilizado para que a população apresente projetos e receba verba para sua realização.
Outra inovação foi o edital para que o julgamento dos projetos que serão beneficiados não fiquem restritos às pessoas daqui. Através desse edital, pessoas do Brasil inteiro podem se inscrever e, de acordo com currículo e outras condições exigidas, serão escolhidas para analisarem os projetos recebidos, sem nome dos proponentes, e darem seu voto. Assim fica democrático e imparcial.
TopMidia News - Em termos de trabalhos neste momento?
Juliana Zorzo - Nós já implantamos ou demos prosseguimento a várias oficinas, estamos nos estruturando nos bairros, retomamos a quinta-gospel e a noite da seresta, que são mensais.
TopMidia News – Você gosta mais de atuar aqui na Fundac ou na Câmara?
Juliana Zorzo – É diferente. Hoje eu entendo a dificuldade que o Executivo tinha nas relações com a Câmara, e a dificuldade que a Câmara tem com o Executivo, existe muita burocracia. Essa burocracia deixa todos os processos morosos.
TopMidia News – Quais eventos não existiram na gestão anterior?
Juliana Zorzo – Estavam parados a quinta gospel e a noite da seresta.
TopMidia News – Existem projetos da sua administração programados para este ano?
Juliana Zorzo – Bom, fizemos a Vila da Copa, a Festa de Santo Antônio. Estamos com um projeto de uma orquestra composta por 4.500 crianças. Nós vamos forrar os bairros de oficinas que preparem crianças para esta orquestra. É um sonho. Outros eventos que eu posso mencionar, são a realização de Saraus, as quintas-feiras na Orla Morena com eventos culturais, a arte nos bairros, realizada na Praça do Peixe. Agora o Só Rock no Horto, também uma vez por mês. É um grande contingente de pessoas atendidas, mas a população ainda não percebe as ações porque não temos dado a publicidade necessária.
TopMidia News – São projetos já da sua gestão?
Juliana Zorzo – Não. Os projetos já existiam, nós estamos conseguindo melhorar, e queremos mais, montamos, inclusive um núcleo de comunicação para incrementar e dar publicidade dos eventos.
Nosso objetivo não é apenas levar eventos à população, mas cultura com qualidade, e principalmente para as pessoas que, por sua vulnerabilidade social, não têm acesso à cultura. Não queremos viver de eventos, mas construir uma base sólida de cultura, que é a identidade de um povo.
TopMidia News - O que merece especial destaque?
Juliana Zorzo – O que virá a ser uma das maiores realizações e que estava com a verba que é destinada pelo PAC. É o Centro de Artes e Esportes Unificado, um programa do Ministério da Cultura e que destinou para Campo Grande, R$ 7 milhões, mas que estavam travados na Caixa. Conseguimos, após peregrinar nos gabinetes em Brasília, a liberação. Serão dois centros: um no Jardim Noroeste e outro no Parque do Sol.
TopMidia News – O que são estes Centros?
Juliana Zorzo – São espaços de 7.000m², com quadras, áreas de skate, pavilhões para artesanato, dança, música, anfiteatro para 200 pessoas e muito mais. Então, duas áreas das mais carentes da Capital, recebendo esta estrutura fantástica, com funcionamento permanente de oficinas e espaço aberto para a realização de modalidades esportivas. Já temos garantida a contrapartida da Prefeitura e começamos a desenvolver os projetos.
São quatro fases do projeto: a construção, mobilidade, equipamento e manutenção. A construção e a mobilização caminharão juntas para que toda a população acompanhe a obra, que eles sejam parte do processo e entendam que aquela obra é para eles.
TopMidia News – Mais?
Juliana Zorzo – Temos a Usina Cultural da Vila Marly, também com verba federal que já está disponibilizada e utilizará o espaço da Associação de Moradores que será reformada e equipada.
O Centro de Belas Artes, nós temos outros rumos para ele, estamos removendo os entraves para dar sequência àquela obra. Outra dificuldade a ser vencida é conseguir a verba necessária para a conclusão da obra, ou para a conclusão parcial que nos permita ocupar alguns espaços.




