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Entrevistas

31/07/2015 12:46

Movimento pede renúncia do presidente da Federação para resgatar o futebol de MS

A entrevista desta semana é com um dos lideres do Movimento Pró-Futebol de Mato Grosso do Sul, o ex-presidente do Comercial e atual cronista esportivo, Artur Mário, que participa da luta para resgatar o futebol do Estado, em crise no momento.

Ele defende a renúncia do atual presidente da Federação de Futebol, Francisco Cesário de Oliveira, acompanhado de toda a sua equipe. Segundo ele, o grupo está a quase 30 anos a frente da organização do esporte, que definha no Estado com o passar do tempo.

Mário classifica a gestão de Cesário como péssima e o acusa de não desenvolver o futebol sul-mato-grossense que, em crise, luta para poder sobreviver sem ajuda de incentivos financeiros por parte da organização.

Top Mídia News - Artur como está a situação do futebol sul-mato-grossense?


Artur Mário - Não está boa. A Federação tem como presidente o Francisco Césario que não desenvolve o futebol de Mato Grosso do Sul. Não há investimentos ou projetos e nem uma gestão transparente para que a gente possa tomar conhecimento sobre o que acontece no setor por parte da Federação.

Por exemplo, no caso dos estádios, o Madrugadão de Três Lagoas foi interditado devido a sanções que foram impostas pelo Estatuto do Torcedor e pela Medida Provisória aprovada pelo governo, onde impuseram um carga imensa de responsabilidades aos estádios. Usaram realidades que são de São Paulo e do Rio de Janeiro, que não se enquadram com a nossa. Com isso, as atividades ficaram limitadas e nada foi feito para melhorar. Há um rigor tamanho na legislação que nos prejudica aqui.

Top Mídia News - Diante da crise que o senhor destaca, o Movimento Pró-Futebol de Mato Grosso do Sul é uma forma resgatar o futebol do Estado?


Artur Mário -  O movimento aconteceu porque há um sistema comandando por quase 30 anos pelo Cesário e seus apadrinhados, que fazem manobras estatutárias aonde nenhuma chapa de oposição consegue disputar a presidência da Federação. É mais fácil ser candidato da Fifa do que da Federação em Mato Grosso do Sul.

Esse movimento mexeu com uma causa nobre e agora outros movimentos solicitam o nosso apoio para ajudá-los. Por exemplo, a Federação de Basquete pede ajuda para que faça uma 'abração' no Estádio Guanandizão, como fizemos no Morenão. O pessoal do Aero Racho quer que nós façamos o mesmo no Parque Ayrton Senna. Lá no Tarcila do Amaral também.

Quando nós abraçamos o Morenão era para chamar a atenção da população para esta situação. Agora nós vamos tomar outras medidas pró-ativas para recuperar o futebol.

Top Mídia News - E o Movimento já conseguiu algum resultado?


Artur Mário - Sim. Pelo que sabemos eles começaram a se mexer. Depois que o Mutirão ganhou força, foram lá no Estádio Morenão e parece que vão pagar os laudos que a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul não pode pagar porque é de responsabilidade das Federações e Confederações.

Parece que também vão lançar um campeonato que não estava planejado, o campeonato sub-17 amador. O Mutirão está pressionando ao ponto do presidente Cesário me chamar para  conversar. Mas disse a ele que converso desde que ele renuncie e convoque uma nova eleição.

Top Mídia News - E como o senhor analisa a gestão do atual presidente da Federação? Ainda mais pela forte influência que ele detém sobre as outras federações da Confederação Brasileira de Futebol?


Artur Mário - Ele é bom na cartolagem e péssimo na gestão. Não desenvolve nada, já foi reeleito por várias vezes e nunca apresentou nenhum projeto. É só ir atrás, nesses 20 anos, e ver se tem algo bom. Não tem nada! Ele faz parte de um grupo que lidera as pequenas federações, que são maioria na CBF. As grandes ficam em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Se a Federação na qual ele é líder quisesse virar mesmo o futebol brasileiro, ele teria força nessa assembleia. Mas, infelizmente, eles aceitam aquilo que os grandes clubes e as federações impõem. E enquanto isso, não se joga futebol nos estados pequenos, como é aqui em Mato Grosso do Sul.

Se a CBF quisesse desenvolver o futebol junto a federação já teria feito investimento no setor. E inclusive, a Federação, que tem recurso, já teria pago os laudos do Morenão e com isso, a UFMS  já teria reaberto o estádio.

Essa gestão está em total descompasso com discurso que eles fazem. E eles colocam os dirigentes de clubes como reféns a mão armada.

Top Mídia News - Como assim?


Artur Mário -  Esse dias um jovem dirigente do Operário Futebol Clube me disse que nenhum presidente de clube vai estar com o Mutirão Pró-Futebol porque estão como vítimas de um assalto a mão armada. Se reagirem, eles morrem. O nosso mutirão é composto por ex-presidentes, ex-jogadores e todos aqueles que não estão na estrutura e que não detém o poder de voto.

Por exemplo, quem discute a questão sobre como os recursos são aplicados, onde os recursos da CBF são aplicados? Ou onde os recursos da Federação que arrecada dos clubes são investidos? Ou seja, isso é uma situação grave e séria. Por isso, nós voltamos a afirmar que o grupo do Césario renuncie. Há ainda um outro fato.

Top Midia News - Qual é esse fato?


Artur Mário - Você sabia que o Comercial, que é o atual campeão, e o Operário não vão jogar o Campeonato Sub-junior e Sub-19? Porque a inscrição chega ao valor de R$ 18 mil, em um total de 25 atletas. O Comercial não tem dinheiro para investir esse dinheiro. Como querem desenvolver o futebol se a CBF e a Federação impõem uma coisa dessas? Cada jogar custa R$ 700 no amador e no profissional chega a quase R$ 1,2 mil. Isso é um absurdo.

Top Mídia News - E o que precisa ser feito? E o setor político não pode resolver ou ajudar?


Artur Mário - Nós conseguimos acompanhar a queda do Ricardo Teixeira muito mais pelos jornalista investigativos de Zurique (Suíça) do que pelos jornalistas do Brasil. Até porque a gente sabe que tem a Globo que está no futebol. Mas nós esperamos que haja uma renovação em todos os níveis do futebol e inclusive em Mato Grosso do Sul.

Já com relação a política, a Assembleia Legislativa é totalmente omissa com a questão. Quem que a gente conhece que é ligado ao futebol lá? O próprio governador Reinaldo Azambuja (PSDB), quando liberou R$ 700 mil para o futebol, perguntou por que o Estado não tem representantes na série B, considerando que só estamos na série D. O Itaporã teve que abandonar o campeonato e isso ficou muito feio para o Estado.

Nós ainda sabemos que a CBF banca 300 parlamentares, entre deputados federais e senadores, que são custeado por ela. Esse grupo é conhecido como a bancada da bola. Do Estado, nunca fiquei sabendo que tem gente ligado e olha que sempre vou à Brasília. Mas o futebol precisa ser levado a sério, as leis precisam ser revistas e as federações e confederações precisam oferecer uma contrapartida, coisa que hoje não existe.

O empresariado também precisa participar do setor, considerando que Cesário afasta todos aqueles que tem intenção em ajudar do futebol. Ele só coloca pessoas que são da confiança dele e que possam ter uma certa influência.  E empresários do meio também já falaram que não ajudam nenhum clube enquanto ele for presidente da Federação. 

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