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Entrevistas

06/03/2015 09:22

No direito da família, pensão ainda é o maior problema, diz advogado Gustavo Romanini

O advogado Luis Gustavo Romanini, advogado, especialista em processo Cível, com foco direito da família, é o entrevistado da semana do Top Mídia News. No mercado há aproximadamente 15 anos, Romanini explica as principais situações encontradas para resolver problemas familiares, e também as dificuldades encontradas pelas famílias, e como cada um deve ver um processo envolvendo esse assunto. Confira a entrevista na íntegra:

Top Mídia News: Como foi sua história com o Direito?

Gustavo Roamanini: Me formei em 1999, trabalhei dois anos no Tribunal de Justiça como assessor de Desembargador e depois voltei para advocacia. Foi um ótimo período da minha vida, porque tive experiência de poder ver o outro lado, vendo a questão pelo "julgador" e isso acredito que me ajudou no direito de família. Muitas pessoas chegam ao escritório querendo lavar a ''roupa suja'', as pessoas acabam esquecendo que o processo é para resolver os problemas.

Acredita que um advogado precisa ser um pouco psicólogo também?

Sim, ouvimos as pessoas que estão passando por uma dificuldade na vida. Alguns clientes acabam esquecendo que o processo serve para resolver a questão do nome, como vai ficar, guarda dos filhos e pensão. Não é para falar quem tem a culpa na relação, pois não se discute mais este assunto em processo de família, é algo antigo que não tem mais relevância hoje em dia.

Quais são as principais reclamações que os clientes levam até seu escritório?

A maior ainda é a questão da pensão. Quando um casal está se separando, um culpa outro. As vezes alguns querem receber a pensão e manter o mesmo padrão de vida que tinha quando eram casados, mas nem sempre é possível. Por exemplo, se uma pessoa se separa e vai ter outra família. Não tem como bancar as duas com o mesmo padrão e quem ficou para trás não que entender isso. Nesta hora que acho importante o advogado chegar para seu cliente e dizer: "Olha, você não vai conseguir isso. Não é desta forma que funciona".

Já existiu algum caso que chegou até você e que precisou apenas de diálogo e não sendo necessário abrir um processo?

Alguns clientes que chegam até o escritório, que já da para perceber que a relação não tem volta e que estão decididos ao fim. Logo quando me formei, um casal queria se separar e isso a gente aprendia na faculdade, tentar primeiro conciliar os dois. Neste caso, percebi que os dois queria a separação por uma discussão besta, e foi quando eu perguntei se era mesmo a decisão que ambos queriam, eles não responderam e no dia seguinte me falaram que estavam bem.

Você acha que existe a necessidade de ter tanto processo?

Acredito que não é porque somos advogados que temos a necessidade de pegar todas as causas, tudo bem, é nosso trabalho, mas precisamos ter consciência que não é ''esfolando'' alguém que seria o certo. Muitas vezes o diálogo é a melhor solução, ou uma notificação extra judicial, porque a pessoa sabe o que precisa fazer, o que precisa pagar. As vezes falta um pouco de bom senso.

Ainda puxando por este lado, acredita que existe muitos ações  desnecessárias?

No Brasil são aproximadamente 100 milhões de ações em curso, na minha opinião acredito que 70% disso não precisava. Um dia em uma rede social, tenho um contato de um desembargador do Rio de Janeiro Alexandre Câmara,  ele fez um comentário da grande quantidade de ações que ele tinha em seu gabinete. Eu mandei para ele que 70% das ações não teriam necessidades e ele também concordou. Como por exemplo o marido viu a ex mulher com um namorado novo, ficou com ciúmes e não quis mais pagar a pensão que pagava. Ele espera a ex, propositalmente entrar com uma ação para voltar o pagamento.As pessoas tem o mau hábito de achar que a justiça pode adiar um pagamento, é uma pena, mas infelizmente acontece.

Hoje em dia existe algum caso que a ex- mulher paga pensão o ex- marido?

Eu vi dois casos, é uma novidade, na primeira vez me chamou muita atenção. Um exemplo foi uma senhora já idosa, que viu seu ex companheiro passando necessidade e resolveu pagar a pensão. Mas os dois foram casados há anos, dava para ver que a relação acabou, mas não ficou o rancor.

Acredita que uma separação prejudica os filhos?

Sim, quando não é amigável, os filhos sentem muito e se não terminaram a relação de forma tranquila, uma coisa é certa, vai usar o filho contra o outro. As vezes inconscientemente, mas faz, nem que seja em um comentário ou outro.

Existe algum conflito familiar que normalmente você considera irreversível, que não tem volta?

Atendo muito cliente que sofreram traições, e depois o parceiro até se arrepende, pois não pensa antes de agir. Mas trair causa uma mágoa muito grande, pode desculpar, mas não esquece. 

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