segunda, 19 de janeiro de 2026

Busca

segunda, 19 de janeiro de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Eleições 2014

há 11 anos

Política: 'Irmãos siameses' separados há dois anos voltam a se unir

Enredo

A política é uma grande novela que se repete e, como toda novela, tem mil tramas, mas finaliza com um “final feliz”. Para a política, o final feliz é o poder. Para os perdedores, as batatas. Ideologicamente os partidos (exceto aqueles de aluguel de almas) têm ideologias e projetos que, cada um a seu modo, apresentam soluções para melhorar o que está a contento – até porque bom, nunca está – e resolver as (muitas) mazelas da população. Democraticamente se unem para conseguir a maioria necessária que referende a própria Democracia. Mas alguns casos são inusitados.

Nunca como antes na história deste estado”, os enredos da novela política foram tão incompreensíveis para o admirado público, que ainda tem sobressaltos com as tramas que aparentemente não se encaixam, esquecidos que tudo caminha para um final: o poder dos amantes, se não eternos, de ocasião.

Capítulos

Ainda em maio de 2014, Reinaldo Azambuja (PSDB) e Delcídio do Amaral (PT) caminhavam juntos e ensaiavam um casamento político para as eleições de 2014.

Reinaldo declarava: “Embora existam restrições no plano nacional, as executivas estaduais do PSDB e do PT vão continuar conversando para que possamos elaborar um projeto comum, que irá ao encontro dos anseios dos sul-mato-grossenses”.

Delcídio declarava: “Não tenho dúvida de que a nossa aliança, mesmo que informal, será vitoriosa.”

Em relação à então provável proibição de aliança pelas executivas nacionais, Delcídio falou: “Era preferível que pudéssemos construir uma aliança por dentro, mas isso não muda a forma de vermos o momento político em que Mato Grosso do Sul vive. Temos a mesma linha de pensamento, em que é preciso construir um projeto alternativo para governar o Estado. Seja por dentro ou por fora, acredito que estaremos do mesmo lado”

Enquanto isso, Nelsinho dizia: Reinaldo e Delcídio compactuaram com a “ilusão de pessoas que votaram pela mudança, mas não pelo combate à corrupção”.

Entre tapas e tapas

Sem afagos, os três concorrentes ao Governo do Estado digladiaram-se e, como a disputa mais acirrada se deu pela conquista do segundo lugar, não faltaram acusações entre Reinaldo Azambuja e Nelsinho. A cada crítica do candidato tucano contra a administração petista, Nelsinho lembrava que o PSDB sempre fez parte das administrações peemedebistas. Reinaldo rebatia dizendo que as pastas administradas pelo seu partido sempre foram competentes e nelas não havia corrupção ou jogo de grupos. Era dizer que estava estancando uma hemorragia usando uma pedra de gelo.

O altar e a noiva

Mas o tempo para o final da trama se aproximou. Vieram os resultados do primeiro turno das eleições e restaram dois noivos para uma noiva.

Os noivos eram os amigos fraternos, os mesmos que juraram amor eterno. Mesmo que as famílias não permitissem esta amizade, eles asseguraram que nada abalaria sua amizade e que seus planos de vencer na vida seguiriam no mesmo caminhar, ainda que não de mãos dadas...

Enquanto isso, o vilão estava vencido, abandonado pela maioria de seu partido e pelos eleitores.

E restava apenas uma noiva para dois homens.

Redenção

Mas a redenção se deu. Tudo em nome da conquista dessa noiva.

O vilão quer apenas participar da festa, conviver na mesma casa. E faz lembrar a um dos noivos, todo o tempo que conviveram numa união xifópaga, dividindo parte de um mesmo corpo de poder. “Agora a noiva é sua, mas eu quero estar com vocês”. E bastou.

O presente ofertado, uma bancada de 6 deputados estaduais e 2 federais, que se uniriam ao deputado federal e quatro estaduais do noivo, calou fundo no coração.

A política

As trocas de acusações foram transformadas no discurso em união das diferenças por um bem maior, que outro nome não tem que não seja a governabilidade.

Correndo sozinho, Reinaldo Azambuja, caso vença, teria o apoio dos deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM), e Márcio Monteiro (PSDB); e estaduais Zé Teixeira (DEM), Ângelo Guerreiro, Professor Rinaldo. Flávio Kayatt e Onevan de Matos (PSDB). Não formaria uma base suficiente para tocar de forma harmônica seu governo.

A partir da união dos iguais, passa a contar também com os federais Carlos Marun e Geraldo Resende (PMDB), Teresa Cristina (PSB – ex PSDB); e estaduais Junior Mochi, Eduardo Rocha, Maurício Picarelli, Renato Câmara e Antonieta Amorim (PMDB); Lidio Lopes (PEN); Mara Caseiro e Márcio Fernandes (PTdoB), todos da cota do governador André Puccinelli (PMDB), que vai se aliar com o vencedor, qualquer que seja ele. Reinado também poderá contar com o deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB), único da bancada que não tem boas relações com o governador.

Esta bancada lhe dará condições e poderes para governar em céu de brigadeiro e permitir que os trabalhos se desenvolvam sem que se toque na caixa de maribondos das administrações passadas.

Final

Caso este estranho caso de xifópagos que a política reuniu após a separação cirúrgica, dê resultados, haverá um final feliz para uma trama estranha. O público só espera ser beneficiado por este final. Que não reste de bom apenas o sonho de que, se para eles a felicidade foi conquistada, também é possível para nós. Que ela seja real e concreta. Afinal, a vida imita a arte, mas a arte da política costuma inverter lógicas.

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também