O sonho de uma casa tranquila em harmonia com a natureza faz parte do imaginário de boa parte população brasileira. Para construir uma moradia, muitas pessoas se obrigam a se afastar dos centros urbanos, onde a estrutura de comércio e prestação de serviços é melhor.
Nas cidades densamente urbanizadas, a realização desse sonho está cada vez mais difícil. Se um campo-grandense, que convive com cerca de 843 mil de pessoas, por exemplo, morasse somente em casas isoladas, essa urbe - termo usado para área de 31 km², com densidade populacional de 28 hab/km² - ocuparia um território gigantesco e economicamente inviável. A verticalização é um processo sem volta para atender à demanda de moradia e viabilizar sua infraestrutura.
Circulando pelo município é fácil verificar que antigas residências, localizadas nas regiões mais urbanizadas, foram transformadas em comércios, principalmente na região central de Campo Grande. Nessas áreas e nas vias de grande circulação de veículos, dificilmente se constroem novas unidades isoladas.
Para preservar a qualidade de vida, a procura por condomínios fechados aumentou, tendo a segurança como principal argumento. A procuradora Federal lotada no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Maria de Fátima Soalheiro, que também é síndica de um condomínio na Capital, explica como é viver em um centro urbano, mas em harmonia com a natureza. Ela relata um pouco de sua história, das dificuldades e das facilidades de viver 'em conjunto'.
Mineira e apaixonada pela natureza, Maria reside em um condomínio há mais de 30 anos. Nele existe uma área de preservação permanente, com terrenos grandes. Ela conta um pouco de sua experiência e diz que é preciso muita organização para conseguir cuidar de tudo onde o verde predomina as ruas e as casas. Em entrevista ao Top Mídia News, ela relata como é unir o verde tanto no trabalho como no local onde mora.
Top Mídia News: Como começou essa paixão pela natureza?
Maria: Costumo dizer que a necessidade uniu duas paixões. Quando comecei a trabalhar no serviço público, fui conduzida para o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), então trabalhava no campo e agora no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Tudo envolve verde e natureza.
Top Mídia News: Como surgiu a ideia de morar em um condomínio e ser síndica do local?
Maria: Também surgiu em função de uma necessidade minha de viver bem e em contrapartida a não existência de 'fazer tudo sozinha'. De um lado queria viver de forma agradável e do outro a dificuldade de ter um recurso, aí surgem os condomínios, onde se reúnem pessoas na intenção de construir um patrimônio, o seu lugar de ter qualidade de vida.

Foto: Geovanni Gomes
Top Mídia News: Quais são as dificuldades e os benefícios de se morar em um condomínio?
Maria: Existem as vantagens e as desvantagens. Quando moramos em um condomínio, reunimos pessoas totalmente diferentes umas das outras, em que a nossa única afinidade é a defesa do patrimônio. São pessoas que não defendem a mesma fé e nem torcem para o mesmo time torce. Resumindo: Todos se unem para fazer com que o dinheiro permita que vivam em um lugar melhor.
Top Mídia News: Você acha que morar em um local fechado é uma tendência entre todas as classes?
Maria: Andando pela cidade, vemos que a quantidade de condomínios têm aumentado muito. É uma tendência de viver dentro dos muros, seja pela falta de segurança, ou pela dificuldade de se construir tudo sozinho. Quando as pessoas fazem a opção de morar em um local assim, o principal objetivo é se sentir seguro e sempre manter a organização de se viver em um bom lugar.
Top Mídia News: Como o síndico toma as decisões do que deve ser mudado no condomínio?
Maria: Primeiramente é preciso gostar. É difícil administrar um condomínio. Como já havia dito, são pessoas diferentes que só estão reunidas para defender um patrimônio. Para decidir o que fazer ou o que vamos deixar de fazer, nos reunimos em assembleias para buscar as soluções. É complicado como, por exemplo, quando vamos fazer uma obra. Um morador quer, outro não. Quando queremos construir algo, precisamos estudar. Às vezes apresentamos um projeto e existem pessoas na assembleia que discordam, outras concordam, mas condomínio é assim, viver em conjunto é assim.

Foto: Geovanni Gomes
Top Mídia News: Você está envolvida com o primeiro plano de manejo de capivaras no Estado. Como isso funciona?
Maria: Aqui a natureza é muito rica, existem vários animais e uma capivara entrou no condomínio. Achamos bonitinha e deixamos ela ficar vivendo no lugar, mas o número desses animais acabou aumentando e eles começaram a destruir todas as plantações das casas. Existe um plano de manejo junto ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), que é o órgão de meio ambiente do Estado, de as capivaras para um lugar onde elas vão viver melhor.
O meio ambiente está preocupado com o bem estar dos animais. Como o espaço aqui é pequeno, contratamos um biólogo que detectou que eram animais que estão isolados. Por causa dos muros, eles não podem sair e nós não podemos tirá-los sem uma autorização do Poder Público. Depois de um longo trabalho, chegou-se a um parecer do Imasul e hoje estamos com um plano de manejo, que é o primeiro plano de manejo das capivaras para que possam viver no mesmo habitat que já estão acostumadas.
Top Mídia News: E no trabalho, os crimes contra o meio ambiente têm aumentado ou a população está se conscientizando?
Maria: A população está tendo consciência do que é ilegal. As multas estão maiores e as pessoas podem pegar pena, o que diminuiu bastante os crimes contra o meio ambiente.




