sexta, 23 de janeiro de 2026

Busca

sexta, 23 de janeiro de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Entrevistas

07/08/2014 13:21

Secretária da Semed garante que educação melhorou 60% em sua gestão

Entrevista

Com cinco livros escritos voltados à educação de crianças e formação de professores, a responsável pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), Angela Maria de Brito falou, nesta entrevista exclusiva ao TopMídia News, sobre a paixão pela área de educacional na qual trabalha há 32 anos, e os desafios de chefiar uma pasta de extrema importância para a sociedade.

 

TopMídia News -  Como surgiu o interesse em trabalhar na área de educação?

 

Angela Brito - Eu acho que já nasci educadora. Eu iniciei minha trajetória como estudante de psicologia e foi no curso que eu me encontrei como professora de educação infantil. Estudei 4 anos de psicologia, mas não finalizei o curso. Fui transferida para o curso de pedagogia. Comecei na antiga Fucmat e só depois fui fazer pedagogia na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para atuar nos anos iniciais e na educação infantil.

 

Iniciei minha trajetória como professora em 1982. Hoje essa escola que eu iniciei faz parte da rede Funlec. Depois disso me encontrei mesmo como professora na educação infantil, fiquei 18 anos atuando na rede estadual de ensino. Em 1990, fiz concurso para supervisora educacional e aí eu atuava como professora e supervisora. Em 1991 teve um decreto que transformou o supervisor em coordenador pedagógico. Eu me tornei coordenadora pedagógica e atuei até 2001.

 

Trabalhei durante 10 anos como coordenadora. Nesse ínterim, fui para a Secretaria Estadual de Educação e trabalhei como técnica lá. Em meio a esta função, eu tive a oportunidade de conhecer todo o estado, todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

 

Quando a gente começa a viajar por vários municípios, você vai vendo as realidades de cada um – uns mais desenvolvidos na qualidade da educação, outros menos. Quando foi em 2002, houve todo um movimento no estado em torno de projetos político-pedagógicos das escolas, porque tínhamos uma lei recente de 1996, a LDB [Lei de Diretrizes Básicas da Educação] e a gente teve todo esse movimento de 1996 a 2001 na elaboração dos projetos pedagógicos e esse movimento me impulsionou  a me aprofundar nos estudos de políticas educacionais voltadas para o “chão”  da escola.

 

Foi quando eu fiz o mestrado em São Carlos e eu trabalhava e estudava ao mesmo tempo. Na secretaria, eles me dispensavam dois dias para viajar para São Paulo. Ainda estava na Secretaria de Educação em 2002 quando eu finalizei o mestrado e fui convidada para trabalhar na faculdade da Funlec como coordenadora do curso de pedagogia, o que me impulsionou a trabalhar com a formação de professores, pois eu tinha muito claro que a qualidade do ensino passava pela formação dos educadores.

 

Um professor bem formado e valorizado é educação de qualidade na certa. Quando eu falo educação de qualidade eu estou falando em aprendizagem.

 

Angela Brito fala da paixão pela carreira e a responsabilidade de trabalhar com  a educação (Fotos: Deivid Correia)


"Um professor bem formado e valorizado é educação de qualidade na certa. Quando eu falo educação de qualidade eu estou falando em aprendizagem."

 

TopMídia News - O mestrado que a senhora estudou foi voltado a que área?

 

Angela Brito – Eu estudei políticas públicas em educação. Em saúde, nós medimos a qualidade quando a pessoa está bem, ou seja, não morre, não é assim? E em educação você mede a qualidade pela estrutura que a escola oferece e todo o contexto, mas especialmente na qualidade da aprendizagem do aluno. A escola pode ser linda, mas se os alunos não estiverem aprendendo, ela não é uma boa escola.

 

A finalidade nossa de trabalhar nessa área é para que o aluno aprenda e esse é o grande desafio: fazer com que todos aprendam de fato, em exceção.

 

Foi com essa premissa que eu pautei toda a minha vida educacional depois, na academia (universidade). Para mim, é uma luta constante e objeto de pesquisa – por que uns alunos aprendem e outros não?


Nos idos de 2006 e início de 2012, eu fui superintendente aqui na Semed (Secretaria Municipal de Educação). Nós tivemos seis anos aqui para trabalhar com a qualidade do ensino. Eu me debrucei juntamente com uma equipe muito boa que nós tínhamos para diminuir o índice de repetência que a rede municipal possuía.

 

Quando nós iniciamos, a rede tinha 15% de reprovação e entregamos com 5.67% de reprovação. Você pode dizer assim: diminuiu bastante. Contudo, ainda é um número muito grande, pois quando se coloca essa porcentagem de 5.27% num patamar para 100 mil alunos, são 5 mil alunos reprovados ao ano.

 

É assim que eu trabalho com os diretores hoje, para a gente não se conformar e o professor pensar – só tenho 5% de reprovação na minha sala – o que na verdade é muito.

 

Angela Brito fala da paixão pela carreira e a responsabilidade de trabalhar com  a educação (Fotos: Deivid Correia)

 

TopMídia News – O ideal mesmo então é o índice zero?

 

Angela Brito – Com certeza. O médico fica feliz se morre um paciente? De maneira nenhuma. Acontece a mesma coisa em educação.

 

TopMídia News – De quando ocorreu sua saída da superintendência da Semed em 2012 até o momento de assumir efetivamente como secretária, o que a senhora fez?

 

Angela Brito – De 2013 até o momento de assumir a Semed, fui escritora de livros infantis. Escrevi dois livros para crianças. Eu já tenho três livros teóricos editados para professores que tratam de memórias, formação dos professores e os dois livrinhos que serão lançados ainda este ano. Eles foram pensados e escritos para crianças pequenas. Um é para alunos da pré-escola e outro para os anos iniciais (1º, 2º e 3º ano).

 

TopMídia News – A senhora pode nos adiantar quais são os títulos desses livros ainda inéditos?

 

Angela Brito – Sim – o primeiro da pré-escola é o “Uga - A Tartaruga” e o outro é Mina – A Menina que Colecionava Palavras. Na realidade, quando trabalhamos com educação infantil, a gente já vai desenvolvendo a ideia do livro e quando eu saí da faculdade, já que e eu tinha um tempo mais disponível, eu me debrucei sobre eles. Aí vem à mente as falas dos seus ex-alunos, como a criança pensa, e a historinha da Uga é justamente porque ela reclamava de tudo, do tipo “ por que o vagalume acende a luzinha e eu não”, então são coisas que criança faz mesmo de questionar.

 

O livrinho aborda justamente a questão da identidade – cada um tem a sua e trabalha a questão das diferenças entre as pessoas.

 

TopMídia News – Como foi receber o convite para assumir a Secretaria Municipal de Educação?

 

Angela Brito – É muito gratificante receber um convite desses, mas eu resisti inicialmente porque eu gosto muito das questões pedagógicas e sou muito voltada para o processo ensino-aprendizagem. E como gestora de uma pasta da educação, eu sei que eu não poderia estar 100% voltada para esse processo, pois a secretaria demanda outras questões: planejamento estratégico, do orçamento, etc. Sem esse planejamento, o processo ensino-aprendizagem não se efetiva lá na ponta.

 

Então só quando se assume uma pasta como essa é que temos a dimensão do trabalho. Eu sou muito espiritualista, confio muito em Deus e eu tomei esse desafio como uma missão que eu tinha que cumprir depois de mais de 30 anos trabalhando com educação.  Esta experiência hoje me dá a possibilidade da credibilidade junto à população que a gente está gerindo, que é de educadores.


Compreendemos as possibilidades de realizar um bom trabalho, apesar dos limites que temos que enfrentar. Porque quando nós estamos na sala de aula ou na secretaria da educação, nós temos limites e muitas vezes temos que fazer do limão uma limonada e eu tenho isso muito claro, sou muito proativa, criativa e isso faz parte da nossa característica enquanto educadores.

 

TopMídia News - Quando a senhora assumiu a secretaria, quais foram os principais desafios enfrentados?

 

Angela Brito – Primeiro, fomos muito bem recebidos aqui, e isso não foi um desafio, pelo contrário, foi uma responsabilidade muito grande e eu senti o peso nas costas, pois a expectativa das pessoas em relação à nossa gestão era muito alta.

 

Mas uma questão que me tranquilizou muito foi a nossa relação positiva em relação ao prefeito Gilmar Olarte. Ele é um companheiro de trabalho, gestor público que eu aprendi nesses 135 dias de gestão a admirar. Então, quando temos um líder que lhe dá autonomia para trabalhar, você quer corresponder a essa autonomia e tem sido muito boa a relação e isso fez com que a gente avançasse em todos os processos.

 

A primeira situação mais difícil que tivemos de resolver foi a questão do pagamento dos fornecedores da merenda. Quando chegamos aqui, havia três meses que os fornecedores não recebiam e estavam prestes a cortar o fornecimento da merenda. Então, juntamente com o nosso secretário adjunto, fomos negociar com essas empresas, inclusive fizemos um realinhamento de preço, porque eles estavam com os preços defasados e eles solicitaram o reajuste. Essa foi uma questão desafiadora para nós, logo no segundo dia.

 

Também o contrato das empresas que faziam o transporte para as nossas escolas rurais, pois elas estavam atuando, porém, sem documentação com a Semed. Como é que nós poderíamos pagar esses empresários sem contrato? Tivemos que fazer uma consulta ao Tribunal de Contas para que nós pudéssemos reconhecer essa dívida e fizéssemos o pagamento para que também o transporte escolar não fosse interrompido e as crianças não ficassem sem aulas na escola rural.

 

Houve também a cobrança da sociedade pelos kits compostos por materiais escolares e uniformes. No início, eu nunca pensei que esse uniforme tivesse tanta importância assim, mas tem e muita, pois as famílias já contam com essa economia que farão no início do ano recebendo os kits escolares e os uniformes, já que as mães economizam em sabão em pó, na água, na roupinha que não precisará comprar. O uniforme também é a identidade do aluno da rede municipal, aonde ele estiver e em que espaço ele estiver, vai auxiliar na identificação, o que é muito positivo. Isso fortalece também a nossa rede.

 

TopMídia News – E como a senhora solucionou essas questões? Já que houve essa consulta no Tribunal de Contas do Estado (TCE) que reconheceu a dívida do transporte escolar rural, foi solucionado. No caso das Ceinfs, já não havia mais merenda para oferecer às crianças, portanto o que foi feito?

 

Angela Brito – Houve uma conversa inicial no sentido de que essas empresas que fornecem a merenda escolar esperaram três meses e que não seria em dois dias que conseguiríamos resolver esse problema. Foi muito bacana esse pacto em prol da educação de Campo Grande. Eles esperaram o prazo pedido, começaram a oferecer a merenda ainda sem terem recebido. Somente quinze dias após assumirmos a Semed efetuamos os pagamentos, pois enquanto isso estávamos organizando o orçamento. Estava tudo parado.


TopMídia News - Quantas escolas e ceinfs ficaram sem merendas?

 

Angela Brito - Hoje nós temos 190 unidades. Então não estava faltando a merenda em sua totalidade, contudo em determinada unidade não tinha o macarrão, em outra, não havia o molho ou a carne, o leite estava faltando também. Quando falta algum desses elementos na merenda, o que acontece? A refeição fica repetida e isso acaba sendo publicado pela imprensa e houve uma reclamação de que em alguns casos, as crianças só comiam bolacha, por exemplo.

 

Agora não. Entregamos os uniformes em 27 escolas e durante as visitas, entramos em todas as despensas verificando os estoques de alimentos.  Olhamos todos os freezers que hoje tem peixe, carne e frango. Estamos abastecidos e graças a Deus este problema está sanado.

 

TopMídia News – E quanto aos uniformes?

 

Angelo Brito - Se nós tivéssemos que passar por um processo licitatório, ele seria completado apenas em outubro e teríamos de deixar a questão somente para o próximo ano. Mas graças a Deus conseguidos aderir a uma ata semelhante a do Estado de São Paulo e obtivemos sucesso em atender essa expectativa, principalmente a de alunos e pais pais. O uniforme, além de bonito, tem qualidade.

 

Os alunos mais velhos, por exemplo, que não queriam mais usar os tênis, agora querem (risos).

 

TopMídia News - Quando a senhora mencionou sobre a resistência inicial em assumir a Semed, foi em relação aos problemas que existiam na REME?

 

Angela Brito – Não foi nesse sentido, pois nós sempre achamos que não estamos preparados, pois sou muito crítica comigo mesma. A responsabilidade é muito grande: ter 97.350 alunos que representam um outro tanto de famílias e mais de 6 mil funcionários, em torno de 3 mil administrativos. A primeira pergunta que eu fiz foi: será que eu tenho esta competência para gerir todas essas pessoas? Até então eu sou da academia e pensava "será que do lado de cá, quando eu estiver à frente da pasta que é uma das mais importantes do município eu vou saber corresponder?"

 

Então, foram estas as indagações que eu fiz, como profissional, ser humano e educadora. Isso assusta de imediato.

 

TopMídia News – Fazendo uma comparação entre a administração anterior da Semed e a atual, o que mudou, segundo a sua visão? Que nota daria?

 

Angela Brito – Eu não daria uma nota, mas eu acredito que nós avançamos, vamos dizer, de 100%, avançamos 60% nesse período de 135 dias. Eu tenho que enaltecer a equipe que organizamos na Secretaria de Educação. Nós valorizamos os funcionários que já estavam na secretaria. Não trouxemos ninguém de fora, quer dizer, as pessoas já possuíam um trabalho desenvolvido e isso impulsionou a melhoria, por isso nós conseguimos resolver mais pendências em menos tempo por conta da valorização do nosso profissional. Nós primamos pelo técnico e não pelas questões políticas. De que partido ou visão política o colaborador possuía, não importava. Isso para mim foi uma premissa dessa gestão – primar pela competência.

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também