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13/02/2015 14:54

Sem médicos e remédios, saúde enfrenta verdadeiro caos

Só problemas

A equipe de reportagem do Top Mídia News percorreu, durante a semana, as unidades de saúde de Campo Grande para ouvir a população que depende dos serviços do Sistema Único de Saúde, o SUS.  A reportagem esteve nas três mais movimentadas UPAs, Unidade de Pronto Atendimento ,da Capital: Coronel Antonino, Vila Almeida e Universitário e também no Centro Regional de Saúde, o CRS do Tiradentes e no CRS do Guanandi.

 

Em todas as unidades, a reportagem entrou no local sem a identificação do crachá de repórter e repórter fotográfico. Caso contrário, a equipe era barradoa por guardas municipais que cuidam do patrimônio e segurança dos locais.

 

Foto: Geovanni Gomes

 

Em três dias de visitas aos postos de saúde de Campo Grande, foi constatado que a maior reclamação entre os usuários do SUS é a falta de médicos e a demora no atendimento. No Centro Regional de Saúde do bairro Guanandi, cinquenta pessoas aguardavam um único plantonista no local. Detalhe, já se passava das 20 horas da noite de terça-feira, dia 10 de fevereiro.

 

Uma menina no chão chamou a atenção da reportagem, ora pelas caras e bocas, talvez de dores. “Eu cheguei aqui com minha mãe não era nem 18h ainda. Ela ficou um pouco comigo e foi para o hotel onde trabalha de camareira, não dá para matar serviço assim. Estou com dores na barriga próxima ao umbigo. A dor é pior que cólica, nunca tive isso. Antes de vir pra cá minha mãe meu deu um remédio de dor, mas não passa de jeito nenhum. Tenho medo de ser grave, me dá calafrios tem hora, muita agonia e demora para atender. Veio uma mulher agorinha falar que o outro plantonista não veio e por isso está tão cheio. Ninguém faz nada, isso tinha que ser denunciado, passar na TV”, reclamou a universitária Tamires de Souza, 19 anos.

 

Foto: Geovanni Gomes

Já na Upa da Vila Almeida, região oeste de Campo Grande, a visita foi no final da tarde, também com a unidade lotada. Porém, na tinham muitas mães acompanhadas de crianças e pré-adolescentes. A manicure Edileuza Maria, 30 anos, foi levar a filha de 10 anos, que segundo ela estava com febre alta e dores pelo corpo. “Aqui na região do Santo Amaro a dengue está infestada. Meus vizinhos todos tiveram e semana passada minha sogra também teve. Estou com muito medo de ser também, pois já tive essa doença é muito ruim”, desabafou a mãe que ainda revelou que sofreu preconceito com as atendentes que estavam na noite de quarta (11). “Cheguei desesperada aqui, porque a Bia parecia convulsionar. Eles me recusaram atendimento e falaram para eu procurar o hospital infantil lá da Afonso Pena, despois te tanto bater boca eu consegui que eles atendessem aqui minha filha e escutei as mulheres me chamando de ‘’Neguinha’’. Onde já se viu isso, quem eu procuro para me defender, só porque somos pobres e temos cor”, indagou a mãe as lágrimas.

 

Na quinta-feira (12), por volta das 21 horas da noite, fomos visitar o posto de saúde do Tiradentes. A reclamação da população era pela demora em ser chamado, após a triagem, que em alguns casos passava de 1 hora. Discretamente perguntei quantos médicos estariam de plantão, e segundo os atendentes eram três médicos prestando serviços.

 

Foto: Geovanni Gomes

 

A aposentada Maria da Graça Pereira, 67 anos, foi no final do dia pegar remédios na farmácia do posto de saúde e aproveitou para ver se tinha vaga para um clínico geral. “Como moro pertinho, eu venho sempre aqui. Peguei meus remédios do mês e vi que tinha vaga para consulta. Estou com dores nas costas, juntas. Não sei se é ‘velheira’ ou é algo mais grave. Mas, em todo lugar o povo sofre meu filho com a demora dos atendimentos médicos. Isso aqui é igual em todos os postos do Brasil. O pobre sofre, é humilhado, e já vi gente morrer aqui pela falta de gentileza de médicos e enfermeiros”, desabafou a aposentada.

Foto: Geovanni Gomes

 

O Ministério Público Estadual abriu nesta semana 16 inquéritos para investigar supostas irregularidades na rede pública de saúde de Campo Grande. De acordo com o documento do Diário oficial do órgão, a 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública investiga eventual falta de profissionais para compor equipes, baixa capacidade potencial dos médicos, falta de equipamentos e medicamentos básicos.

 

A reportagem tentou falar com o secretário de saúde do município, Jamal Salém, mas ele não atendeu o celular e em alguns dias chegou até recusar as ligações. Mandamos cerca de 10 e-mails para a assessoria de imprensa da prefeitura e até o fechamento do texto não tivemos retorno. Enquanto isso, o povo brasileiro, trabalhador, sul-mato-grossense, em especifico o campo-grandense, sofre com o caos instalado nos postos que estão lotados, outros sofrem com a falta de médicos e remédios nas unidades de saúde de Campo Grande.

 

Foto: Geovanni Gomes

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