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26/09/2014 08:00

Com recente conquista na Copa Brasil de tiro esportivo, paratleta de MS lamenta falta de apoio: 'Son

Medalhista

Há quatro anos, Rosana Clara Urbieta, de 32 anos, sofreu um acidente de moto e teve que amputar a perna esquerda. Desde então, as tarefas diárias se tornaram um desafio. Rosana passou a se locomover com uma prótese mecânica e uma cadeira de rodas. E quando menos esperava, o esporte apareceu para dar um novo sentido em sua vida.


“Depois que sofri o acidente e tive que amputar a perna eu comecei a usar uma prótese. Fiquei quase 1 ano inteiro assim. Um dia, eu tive um problema no joelho mecânico e vim pra Campo Grande pra poder fazer a manutenção, e alguns dias atrás tinha passado uma reportagem sobre essa atleta de tiro esportivo (Silvia) na TV. Meu filho acabou conhecendo ela, e a gente começou a conversar. Foi ela quem me indicou e me incentivou a começar a praticar a modalidade”, explica.


Rosana começou a se dedicar inteiramente ao esporte. E este empenho já lhe renderam bons frutos. Depois de cinco meses de preparação logo veio a primeira medalha, de prata, na primeira competição disputada, no Rio de Janeiro, em 2012. Hoje, colecionar medalhas virou rotina para a atleta, que mora no interior de Mato Grosso do Sul, em Juti.


Foto: Geovanni Gomes


Contudo, as dificuldades e falta de apoio andam são barreiras a serem ultrapassadas. Para conseguir treinar Rosana precisa enfrentar a distância entre Juti e Campo Grande. Já que o único espaço de treino que existe fica na Capital, na ARPP (Associação de Reabilitação Paradesporto do Pantanal). Para isso, ela percorre mais de 300 quilômetros, cerca de 11 horas de viagem, ida e volta. Trajeto que precisa fazer pelo menos duas vezes por semana para estar com a mira boa.


“Eu tenho que sair de Juti às 6h30, a viagem é longa e cansativa, e chego em Campo Grande por volta das 13h, retornando, posteriormente, às 19h e chegando por volta da 1h da madrugada”, lamenta.


Outro problema enfrentado pela paratleta é quanto ao custeio da viagem entre a sua cidade e a Capital, que são pagos do próprio bolso na maioria das vezes.


“Eu recebo um incentivo do Fundesporte MS no valor de R$ 800 que é a ajuda de custo que o Estado dá pra você comprar equipamento e tentar se manter. E isso pro tiro esportivo é quase que insignificante, uma arma você não compra por menos de R$ 10 a 12 mil. Não tem como treinar sem gastar. Tá pesado pra mim, mas é uma coisa que eu não queria deixar de fazer”

 

Recentemente, Rosana conquistou mais uma medalha na Copa Brasil e junto, a vaga para disputar o Brasileiro em novembro, que deve acontecer em Brasília, já que o Rio de Janeiro, local onde deveria acontecer o evento, segue com as reformas para sediar as Olimpíadas.


“Pra essas três competições (2 Copa Brasil e Brasileiro) eu tenho ajuda da Fundesporte, mas são oito copas no ano. Tenho outras duas, no dia 31 a 2 de outubro, em Curitiba, e outra de 21 a 23 de outubro em Resende. Essas, provavelmente teria que arcar com as despesas”.


Foto: Geovanni Gomes


Preconceito

Quanto ao preconceito, ela garante que superar os desafios é o que move a sua vontade de vencer. É com a ajuda do esporte que ela tenta ultrapassar os obstáculos do dia a dia.


“No meio do esporte até que nem tem tanto, pois a gente já está numa classe específica, mas na sociedade sim. Existe muito preconceito em relação ao tiro esportivo, porque as pessoas ligam o esporte com a violência. Mas estão enganadas. É o esporte que menos contato tem, você se quer vê um atleta falar alto dentro do stand porque não é permitido. Falta muita divulgação do esporte, aqui, é quase que desconhecido. Pra se der uma ideia, a gente tem campeão mundial no Brasil e ninguém sabe. Justamente por associar o esporte com violência. A falta de espaço, apoio, informação atrapalha bastante os atletas que praticam”.


Sonho

São horas de trabalho árduo. Cada desafio enfrentado fica o gostinho da superação das adversidades. Motivação a mais para as aventuras. Segundo ela, pensar em Paralimpíadas ficou mais distante, mas sonhar é algo que ela não abre mão.


“Pensando em Paralimpíadas é complicado, porque você precisa quebrar quatro índices para conseguir a vaga para a seleção brasileira e não tem mais tempo pra isso. Precisa participar de competições internacionais e sem incentivo fica difícil pra treinar, pra participar de competições, pra subir no ranking e entrar na Seleção. Minha busca por patrocínio é para conseguir chegar nessa meta. Participar de mais competições por ano e garantir a vaga na Seleção para representar o meu país.


Foto: Geovanni Gomes

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