Em meados da década de 90, quando não havia a profusão de informações na internet (com seus indeléveis discadores) a única preocupação que havia eram as fofocas nas rodas de amigos, colegas de trabalho e a vizinhança sempre atenta a observar quaisquer flagras alheios. Com o advento da www (world wide web) e posteriormente das redes sociais, o comportamento da sociedade em si mudou em função dos hoje conhecidos "stalkers" que nada têm a fazer a não ser fuçar quaisquer conteúdos publicados pelo círculo de contatos.
A palavra stalker, de origem inglesa, significa "perseguidor". No âmbito da internet, transfere-se o termo para cyberstalker - o que remete ao comportamento daqueles que ficam revirando postagens e fotos do alvo de seu interesse.

Movimento "fique longe do Facebook". Americanos passam cerca de duas horas no Facebook todas as semanas. A maior parte desse tempo é desperdiçado em espionar ex-companheiros e rivais. Nós seríamos humilhados se eles descobrissem, mas talvez nós já estejamos humilhados.
Fora da realidade das celebridades, que tradicionalmente são perseguidas pelos fãs, cidadãos 'comuns' precisam entender as complicadas ferramentas de manutenção da privacidade na web - leia-se as do Facebook, a rede social mais acessada do momento. Contudo, o termo "googar" já faz parte do vocabulário dos internautas e não há nada que possa evitar que informações pessoais, tais como a colocação do indivíduo em editais de concursos públicos, fotos e quais redes sociais determinada pessoa participa - estejam disponíveis ao público e visíveis para quem quer que seja.
Dá para remover informações pessoais do Google?
Segue então a explicação do Google sobre o porquê da não retirada de informações particulares da web:
“Os resultados de pesquisa do Google são um reflexo do conteúdo disponível para o público na Web. Os mecanismos de pesquisa não podem remover conteúdo diretamente de websites. Ou seja, a remoção de resultados da pesquisa do Google não remove o conteúdo da Web. Se desejar remover algo da Web, você deve entrar em contato com o webmaster do site em que o conteúdo está postado e pedir a ele para alterá-lo. Após o conteúdo ser removido e o Google registrar a atualização, a informação não aparecerá mais nos resultados da pesquisa do Google. Se tiver uma solicitação de remoção urgente, você também poderá visitar nossa página de ajuda para mais informações.”
Ou seja, as informações compartilhadas em sites são como uma infecção que se espalha em velocidade espantosa sem que o indivíduo possua controle algum sobre o processo de compartilhamento desses conteúdos.
Manifesto saia do Facebook
O editor da seção Mente Aberta da revista Época foi um dos que aderiram à exclusão de sua conta no Facebook. De acordo com Luís Antônio Giron, achou que se excluísse seu perfil da rede social, não iria sobreviver.
"Planejei com cuidado minha saída. Há algum tempo, publiquei uma tola confissão dos meus vícios internéticos aqui em Época. Claro que me arrependi no dia seguinte, quando vi todos os meus inimigos fazendo comentários e tweets desairosos a minha pessoa. Gente que nunca imaginei passou a me chamar de "tecnófobo de plantão", "retrógrado" e virou minha inimiga para sempre", escreveu em sua coluna.
Círculo vicioso - Todo o dia 31 de maio acontece um movimento mundial chamado "Quit Facebook Day" - o dia de desistir do Facebook. Um desastre. Mesmo que muitos detonem a rede social, são igualmente viciados e existe uma codependência já arraigada entre a fonte de informação fácil e o internauta que precisa se sentir incluído na bolha.
Dos 500 milhões de usuários do Facebook, somente cerca de 30 mil deletaram suas contas - algo em torno de 0,009% - no primeiro evento que ocorreu em 2010. De lá para cá, o site mais visitado do mundo (segundo o ranking do Google) cresce em média 250% ao ano só no Brasil. No próprio site do "Quit Facebook Day" avisa: "Sair do Facebook não é fácil. [...] É como parar de fumar".
O torturado e o torturador
Assim como é difícil manter a privacidade na web, comportamentos obsessivos também são replicados por aqueles que, a princípio, são os perseguidos. A fim de minimizar os danos no cotidiano das pessoas (brigas entre familiares, companheiros e amigos) os desenvolvedores quebraram a cabeça para manter o mínimo de privacidade nas redes sociais.
Mas é preciso muita paciência para configurar todos os tópicos necessários à blindagem dos perfis. Para Fabrício Bazé, administrador e marqueteiro, travar o Facebook é a medida mais eficaz para que haja equilíbrio entre a vida real e a vida virtual. "Redes sociais, quando mal usadas, podem destruir carreiras, acabar com relacionamentos e criar atritos entre amigos e familiares. Uma coisa muito rara de ser ver hoje em dia e extremamente necessária para quem usa o Facebook, por exemplo, é sempre ter bom senso antes de postar qualquer coisa."

Ferramentas de privacidade do Facebook mudam a cada atualização do site
Para quem não tem facilidade em mexer com ferramentas, diversos sites e blogs ensinam a configurar a privacidade do Facebook. Contudo, se ainda for difícil de entender, uma boa ideia é chamar amigos, filhos ou mesmo profissionais que atuem na área para ajustar as configurações do perfil. Veja aqui.
No mundo interconectado da atualidade, a dicotomia informação/privacidade é algo que a sociedade deve e precisa encontrar os caminhos para ajustar a vida virtual ao mundo real. Ao longo do processo, danos invariavelmente acontecem, mas como todos sabem, "é errando que se aprende”. Não seria diferente para as redes sociais.




