O trânsito de Campo Grande é apontado como um dos mais perigosos no Brasil. Com o objetivo de reduzir o número de óbitos e de acidentados, a Chefe da Divisão de Educação para o trânsito da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ivanise Rotta vem realizando projetos junto à sociedade para conscientizar a população da necessidade de mudar este perfil. Ao Top Mídia News, ela falou sobre direitos e deveres de cada um no trânsito, além das campanhas Pedestre eu Cuido, Volta as Aulas e sobre projetos futuros para o ano de 2015.
Sabendo que não é possível uma educação de qualidade num ambiente escolar de violência ou insegurança, estão sendo desenvolvidos vários projetos de educação para o trânsito. Segundo a chefe do setor, um conjunto de fatores de risco (velocidade, infraestrutura, motociclista, jovem condutor e álcool ) contribuem para que Campo Grande se destaque entre as capitais com altos índices de morte no trânsito.
Confira a entrevista da semana na íntegra com Ivanise Rotta:
Top Mídia News - Como é o setor da Divisão de Educação para o Trânsito da Agetran?
Ivanise Rotta - Esse setor de educação visa trabalhar juntamente com toda a população de Campo Grande, em todos os segmentos. Então hoje atendemos as empresas, as propagandas, as campanhas para o público em geral, atendemos muitos as escolas das três esferas, tanto as municipais, estaduais e as particulares. Todas as pessoas que sentirem a necessidade de desenvolverem determinado trabalho, seja em eventos, seja em associações, em empresas e escolas, nós também temos material e disponibilidade para poder estar agregando as ações que essas instituições propõe a fazer e preservação de vidas. O principal objetivo hoje de educação no trânsito é preservar vidas, que é o Projeto Vidas no Trânsito, que Campo Grande está inserida e sou coordenadora juntamente com a secretária de saúde do município.
Como que estão as estatísticas de acidentes no trânsito hoje em Campo Grande?
Tivemos seis óbitos em janeiro de 2014 e seis óbitos em janeiro de 2015. Tivemos 11 em fevereiro do ano passado e nós já estamos hoje até o dia 12 de fevereiro, com dois óbitos. Quando você fala de educação um óbito envolve diretamente várias pessoas, afetivamente, financeiramente, é uma perda muito grande à sociedade. Então tudo isso avaliamos quando estamos trabalhando nesse setor.

Atualmente qual é grupo que mais se envolve em acidentes de trânsito na Capital?
O motociclista é o nosso principal grupo de vítimas, é o que a estatística aponta. Não é porque ele é mais louco, porque ele se arrisca mais. É porque a motocicleta é considerada no mundo inteiro um veículo de alto risco, o motociclista então é o mais vulnerável de todos os atores no trânsito, sendo aí precedido pelo ciclista e pelo pedestre.
As nossas avenidas, por serem largas e por facilitar esse meio de transporte, acabam fazendo com que eles se acidentem. O fator de risco que contribui é a velocidade. Fizemos uma pesquisa com o nosso radar portátil e constatamos que a velocidade média hoje do campo-grandense é de 70, 80 quilômetros por hora. A estatística aponta que o atropelamento que um acidente por 40 ou 50 por hora a pessoa tem chance de sobrevivência.
Você acha que campo-grandense dirige mal? Não tem consciência dos atos no trânsito?
Não acho que dirigimos mal não, acho que temos muitos condutores com falta de atenção. Um exemplo que gosto de passar é da pessoa que bebe e dirige, nós temos algumas pessoas que tiveram que arcar com multas pesadas. Seria muita utopia dizer que o brasileiro só aprende ou obedece quando dói no bolso, na verdade precisamos que doa no coração, precisamos que as pessoas se sensibilizem, que possam se colocar no lugar do outro, respeitando o outro. As campanhas elas fazem uma acolhida para a sociedade.

As campanhas educativas como a ‘Pedestre eu Cuido’ e a ‘Volta as Aulas’ como serão em 2015?
Nesse ano nós vamos continuar com os dois fatores de risco que também se repetiu em 2014 que são a velocidade e o álcoo. A campanha com o pedestre está vindo com mais força ainda para 2015 porque a engenharia ela agrega com os trabalhos de educação. Então é pedir para esse pedestre realmente atravessar na faixa, e que esse motorista possa estar observando as placas, não é somente onde tem, mas onde ele acostumou a parar somente. Isso não é uma invenção campo-grandense, não é uma invenção de Brasília, é o que rege o código de trânsito no Brasil e em vários países do mundo. A vida deve ser sim colocada em primeiro lugar.
A campanha Volta as Aulas, já concluímos a segunda etapa, a primeira etapa foram as escolas particulares, a segunda foram os ceinfs, e a terceira etapa será com as escolas municipais e estaduais. Temos o mapeamento de todas as sete regiões de Campo Grande, pegamos as escolas mais numerosas, as de maior fluxo de pedestres para fazer um reforço nessa sinalização. Essa campanha também agrega ao trabalho que os professores desenvolvem em sala de aula que é desenvolvido durante o ano inteiro. Amanhã, sexta, começamos com a campanha de carnaval, ‘’Carnaval da Diversão: No Volante Não Entra Beberrão”.
Ao longo do dia, equipes da Agetran e o trio de músicos da companhia teatral Chico Maria estarão percorrendo diversos pontos de Campo Grande com ações de educação, focadas na responsabilidade no trânsito, antes, durante e depois das festas carnavalescas. As ações começam no Mercadão. No período da tarde vamos ter no Shopping Pátio Central, e em seguida, a ação segue para o Shopping Norte Sul. A meta é abordar no mínimo 2 mil pessoas, vamos orientar e distribuir abanicos com o foco nas atitudes corretas, para contribuir na hora do trânsito. O objetivo é incentivar a conscientização, reduzir os acidentes e problemas, durante este período de Carnaval.
E as outras ações do setor e o que esperar da gestão da nova presidente Beth Félix?
Além dessas campanhas já tradicionais o ‘Escola Segura’, fazemos palestras em todas empresas, Clube do Setinha que atende as crianças de quatro a 12 anos em eventos, escolas no qual formamos multiplicadores de trânsito enquanto pedestres, ciclistas e passageiros, não é pensando no futuro condutor, mas no que essa criança possa a ser hoje e também em algumas ações que vamos integrar com a nova presidente da Agetran, Beth Félix que com certeza enriquecerá o nosso órgão com a bagagem que ela tem no Detran, ajudando o nosso órgão a salvar mais vidas no trânsito. Teremos muita coisa boa no decorrer do ano.





