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Entrevistas

10/07/2015 09:06

Vídeos da Operação Vintém sumiram e crimes podem prescrever, revela Semy

Após quase 35 anos militando no PT, o engenheiro civil Semy Ferraz surpreendeu ao deixar o partido que o projetou na vida pública para traçar novos caminhos pelo Psol. Para o Top Mídia News, ele conta os motivos de tal decisão e suas ambições políticas.

Cotado como um dos pré-candidatos para a prefeitura de Campo Grande, ele relata também um pouco da sua história e analisa a situação da cidade, em especial em relação às obras. Isso do ponto de vista de quem já ocupou a chefia da Secretaria de Infraestrutura, Habitação e Transportes.

Ex-deputado estadual, Semy revela ainda detalhes sobre os processos originários da Operação Vintém. Deflagrada em 2007, a operação conduzida pela Polícia Federal descobriu um esquema de corrupção para forjar uma suposta compra de votos, que acabou destruindo a campanha eleitoral de Semy. O ex-secretário de obras, Edson Giroto, seria um dos mandantes do crime, mas não foi condenado.

Confira a entrevista na íntegra:

Top Mídia News: Por que o senhor decidiu pedir a desfiliação do PT?


Semy Ferraz: Eu sempre militei no PT, praticamente há 35 anos. Eu vi o papel que o PT cumpriu no processo de redemocratização, na Constituição Federal de 1988, o próprio presidente Lula, cuidando das pessoas humildes, mas ultimamente a prática do PT tem deixado a desejar, principalmente no governo Dilma [Rousseff]. Eu entendo que o PT tinha que guinar para a esquerda e não para direita, guinar para os interesses da população.

Eu esperava mais da Dilma. Foi difícil a vitória, mas graça à CUT (Central Única dos Trabalhadores), os movimentos sociais, inclusive com o apoio do Psol, que ela conseguiu. Mas na hora de montar o governo ficou com um perfil de direita. O ministério das cidades, que é um Ministério caro para o PT, foi entregue para o [Gilberto] Kassab, o ministro da fazenda [Joaquim Levy] colocou o ajuste fiscal como prioridade, contra os interesses dos trabalhadores. [Edson] Giroto no Ministério dos Transportes, sendo que ele tem graves problemas de corrupção. Ela montou um governo dos piores.

Top Mídia News: E por que o senhor escolheu o Psol?


Semy Ferraz: É o partido que hoje mais representa as ideologias que eu defendo, os interesses das pessoas. É o PT de 30 anos atrás. Sei que ele possui uma bancada pequena, que vai demorar entrar no poder, mas não vou pelo poder. Eu milito na política porque gosto de defender os interesses da população. Primeiro que o Psol não tem dono e do outro lado tem a defesa dos mais pobres, dos indígenas, dos negros. Vejo no mandato Chico Alencar (Psol-SP) um exemplo, também do deputado Ivan Valente (Psol-SP). Por outro lado, não nego o papel importante que o PT cumpriu para o desenvolvimento da democracia brasileira. Foram avanços significativos. Não comungo com a posição da Marta Suplicy que saiu do PT e deu uma guinada para a direita. Não dá para acreditar no PSDB ou o PSB vai fazer a defesa dos mais pobres.

Top Mídia News: Qual o projeto político do senhor?


Semy Ferraz: Eu quero ajudar em um projeto para Campo Grande que passa por uma situação crítica. A cidade nunca foi tão mal administrada e passa por uma crise de gestão. Eu posso ajudar a elaborar um programa de governo, um projeto para a cidade. Conseguindo consolidar isso, eu não posso me negar colocar o nome à disposição. Não que seja a pretensão, estou ajudando a organizar o Psol em Paranaíba e há uma pressão para eu ser candidato lá, mas eu acho que eu contribuiria mais em Campo Grande. 

Fui para Campo Grande em 1979, fiquei mais tempo que em Paranaíba, mas eu entendo que o Psol também tem nomes consolidados. O próprio Sidney Melo, que é um nome sendo construído, da área da educação, disputou duas eleições. O que é mais importante nesse momento é discutir uma proposta de como melhorar Campo Grande. Já vinha ruim desde o PMDB, quando as empreiteiras mandavam e eram feitas ‘obra pela obra’, sem pensar no povo. Isso aguçou a crise de gestão. Não podemos partir sem o PSTU, o PC do B, o PV, Rede, PMN. Desses partidos teremos um candidato e uma chapa de vereadores para ver se melhora a qualidade da Câmara que é uma dos piores que eu já vi.

Top Mídia News: A eleição municipal de 2016 é considerada imprevisível. Como o senhor analisa o atual cenário?


Semy Ferraz: Vai ser uma eleição pulverizada. Só o PDT tem três ou quatro que querem ser candidato. O PT do B tem dois deputados estaduais e os dois querem. Outro dia eu fui listando e cheguei a 22 nomes que pareceram tem dito serem candidatos.  Tende a ser uma eleição pulverizada, mas para o segundo turno isso é importante porque cada candidato tem que mostrar a que veio. Até 1996 foi pulverizado, de 2000 para cá que era a favor do André [Puccinelli] ou contra ele. Não discutiam a cidade e sim os atributos do André. Essa vai ser uma eleição mais democrática, de debate. Quem não tiver ideias, propostas, vai perder o bonde.

Top Mídia News: Como ex-secretário municipal de infraestrutura, como o senhor avalia a atuação do secretário Valtemir de Brito à frente da pasta?


Semy Ferraz: Eu fico meio constrangido de fazer uma crítica de uma pasta que eu ocupei. Vou tentar fazer uma critica genérica para não ficar pessoal. Temos algumas obras públicas que começaram mal na gestão do Nelsinho [Trad]. Ele pegou obra de Ceinf (Centro de Educação Infantil) que o recurso era de R$ 1,3 milhão quando já sabia que o custo seria R$ 2 milhões e tanto. Não avaliou se a prefeitura teria ou não caixa para aportar essas obras. Então tivemos muitas obras com problemas de pagamento na educação, saúde, também problemas de desapropriações. Tive dificuldade de convencer o [Gilmar] Olarte e o próprio [Alcides] Bernal que a desapropriação é necessária. Por exemplo, as obras do Bálsamo, [a prefeitura] fica com muito apego ao dinheiro, a obra não anda, fica atrasada e corre o risco de perder recurso. É um problema de gestão e eu não queria responsabilizar o secretário. A engrenagem foi montada errada e o quadro ficou difícil com a crise nacional.

Um programa que não tem desculpa para atrasar é do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Pavimentação. Tem que ter ritmo, não tem desculpa que o empréstimo eu deixei aprovado. Nós precisamos modernizar a gestão das obras, fazemos obras como se fazia há 30 anos. O dinheiro que vai para o tapa-buraco é jogado fora, não atuamos na prevenção, só curativo. Temos muito que modernizar na gestão das obras públicas, como também precisamos modernizar a gestão da saúde, da educação. Pois se não tomar cuidado a administração fica defendendo interesses.

Top Mídia News: Como está a movimentação dos processos provenientes da Operação Vintém?


Semy Ferraz: São dois processos. Uma ação penal que estava no STF (Supremo Tribunal Federal) porque o Giroto era deputado federal e outra reparação de danos que estava no TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). A primeira desceu e está na 5ª vara, mas com mesmos problemas de antes. Os vídeos que sumiram continuam desaparecidos e não estão no processo. Isso é o Judiciário contribuindo com a morosidade para inocentar réus. A Justiça que poderia ser ágil, célere, entra nesse jogo e quando julgar, com certeza, o crime estará prescrito.

A ação de reparação de danos, na primeira instância condenou o Giroto e o Edmilson Rosa, o funcionário que colocou o dinheiro para me incriminar. Mas nós não concordamos com o valor e recorremos. Lá inocentaram o Giroto, baixou a indenização para R$ 20 mil e aplicaram uma multa R$ 20 mil, ou seja, vamos receber para pagar a multa. Recorremos e o processo está hoje no STJ (Supremo Tribunal de Justiça), subiu dia 25. É mais para não estimular outros erros como esse, para que eles não façam o mesmo que fizeram comigo. O Giroto mesmo teve dificuldade para ser nomeado no Ministério do Trabalho. Se eu tivesse largado esse processo, eles continuariam fazendo com outros.

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