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Ação em presídio busca despertar espírito natalino como meio de ressocialização de detentas

Psicólogo psicodramatista, Rômulo Said Monteiro intitulou a realização como 'Sócio Drama: Auto de Natal'

23 DEZ 2016
Notícias MS
12h05min
Foto: Notícias MS

Vivências e lembranças de natais passados retratados em forma de dramatização. A experiência vivida por detentas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPIIZ), como parte do projeto “Gaia”, buscou no despertar, através do “espírito natalino”, a reflexão sobre a construção de uma vida melhor no futuro.

Realizada por meio de parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (Adepol) a iniciativa envolveu dinâmicas em grupos, nas quais as internas apresentaram e discutiram lembranças sobre esse período do ano e, após isso, encenaram para as demais suas vivências, refletindo sobre suas escolhas e quais as perspectivas de futuro.

Autor e responsável pelo projeto, o psicólogo psicodramatista, Rômulo Said Monteiro intitulou a realização como “Sócio Drama: Auto de Natal”. Segundo ele, a iniciativa consiste em utilizar experiências originais de natais, vividas desde a infância, nas montagens de cenas. “O objetivo é resgatar a verdadeira essência do natal, os laços familiares e o amor ao próximo, já que hoje o Natal é mais visto como uma data comercial”, comentou.

O evento contou com a presença do diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, que enfatizou que projetos como esses são muito importantes no ambiente prisional, já que contribuem para extrair coisas boas, mesmo se tratando de um momento difícil. “A felicidade é como o miolo do pão, ou seja, em que as cascas são os momentos mais duros, mas após passarmos, sempre tem o miolo, macio, que são os momentos bons, como este aqui”, disse durante discurso.

Segundo a presidente da Adepol, delegada Regina Márcia Rodrigues de Brito Mota, o projeto “Gaia” visa a ressocialização dos internos e é uma forma de prevenção de novos crimes. “Queremos que recuperem os valores que se perderam ao entrarem no sistema prisional, que sejam sempre íntegras e saiam melhores do que quando estavam aqui”, enfatizou a delegada.

O diretor de Assistência Penitenciária da Agepen, Gilson de Assis Martins, também defende que projetos como esse incentivam a busca constante por valores e alimenta a vontade de retornar ao berço familiar e à vida fora da prisão.

Para a diretora do presídio, Mari Jane Boleti Carrilho, atividades como o projeto “Gaia” ajudam no processo de reinserção social das internas, pois estimulam a autoestima e a autorreflexão. “São muito importantes essas parcerias que trazem um olhar diferenciado neste momento de clausura, que as estimulam a voltar a sonhar e a pensar nos erros do passado como problemas a serem superados para a construção de novos valores e novas histórias”, declarou.

A realização do projeto “Gaia” no presídio feminino contou com a participação do cantor Antônio César, que apresentou às internas canções natalinas e de sucesso.

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