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Acusado de espancar e tentar afogar ex é condenado a regime aberto e revolta cidade

A mulher publicou o resultado de um júri popular realizado no município após dez anos de espera

24 MAI 2019
Dany Nascimento
13h30min
Foto: Reprodução/Facebook

Revoltada com o resultado de um júri popular, Eva Fernandes fez um desabafo nas redes sociais sobre o a pena aplicada ao suspeito de tentar matar sua filha, há dez anos em Aquidauana. De acordo com a publicação, Marcos César de Oliveira Vera não aceitava o fim do relacionamento com a vítima, agrediu a jovem e tentou afogar a mesma em um brejo no município.

A sessão de julgamento foi realizada ontem (23), na Comarca de Aquidauana presidido pelo juiz Ronaldo Gonçalves Onofri. De acordo com a mãe, o suspeito teria torturado a jovem com socos, mordidas, joelhadas por mais de 50 minutos.  A mulher destaca, que o suspeito beijava a boca da menina ensanguentada dizendo que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.

“No dia 11 de novembro de 2009, após ter terminado ele, minha filha foi perseguida e interceptada em um local escuro, jogada no meio de um brejo e cruelmente massacrada com socos, mordidas e joelhadas por cerca de 50 minutos, entre desmaios e lutando pela vida de forma desesperada, minha filha, que na época tinha 20 anos se debatia tentando escapar do agressor covarde que não aceitava o fim do relacionamento. Durante a sessão de espancamento, o Marcos, conhecido pelo apelido de Huck, tentou estrangular minha filha, quebrou seus dentes, afundava sua cabeça no brejo, dava mordidas e beijava a boca dela ensanguentada dizendo que se ela não fosse dele não seria de mais ninguém e que ele iria matá-la para que pudessem ficar juntos em outro local, dando a entender que a mataria e em seguida cometeria suicídio”, publicou a mãe.

Conforme a publicação, o suspeito só parou de espancar a ex-namorada, com a chegada a Polícia Militar. “Amigos e amigas, após 50 longos minutos de uma tortura cruel, anjos enviados por Deus passaram pelo local e ouviram sussurros da minha filha clamando por socorro, pararam e acionaram a Polícia Militar, que chegou rapidamente ao local com sirene e giroflex ligados, iluminaram o mato e perceberam que o autor estava com os joelhos sobre os ombros da minha filha, dando socos em seu rosto, e mesmo após a ordem de parada o autor tentou fugir, mas não conseguiu devido ao brejo, sendo detido cerca de 20 metros à frente”.

Segundo a mãe, o júri realizado no município era composto por cinco mulheres e dois homens, que foram convencidos pelo advogado de defesa, que a vítima deu motivos para ser espancada.

“O Ministério público, cumpriu com maestria seu papel, comprovando por laudos médicos as graves lesões deixadas no rosto da minha filha, os policiais militares que prenderam o autor em flagrante na época, contaram e confirmaram que se não fosse a chegada deles, ela provavelmente teria sido assassinada, as testemunhas que viram, confirmaram que ele estava estrangulado e massacrando minha filha. Os laudos médicos apontaram derrame em uma das vistas, sinais de estrangulamento no pescoço, deslocamento do maxilar, língua praticamente decepada, mordidas, enfim, minha filha ficou 90 dias se recuperando das lesões e carrega o trauma até hoje, enquanto o réu permaneceu apenas 45 dias detido em uma delegacia. A defesa do réu, durante 1h30m tentou e conseguiu convencer os jurados de que o suposto comportamento errôneo da minha filha em relacionamentos passados seria a causa das agressões, acusou minha filha de ser garota de programa, disse que havia suspeita dela ter furtado dinheiro dos namorados anteriores, e, pasmem, chegou a dizer que minha filha era lutadora de MMA, e começou as agressões portanto merecia o que aconteceu, nas palavras da defesa homem não tem sangue de barata e ele só tinha os braços pra se defender de uma lutadora. Minha filha nunca foi garota de programa, nunca furtou e nunca foi lutadora e, na época, pesava pouco mais de 40 quilos”.

A mãe destaca que o réu foi condenado com pouco mais de dois anos em regime aberto pelo crime de lesão corporal de natureza grave.

“O motivo dessa postagem é pra levar a todos os organismos de defesa da mulher, o judiciário e a população em geral a uma profunda reflexão. Até quando nossas filhas, mães e esposas serão covardemente assassinadas? Quantas mulheres precisarão morrer ainda para que homens violentos sejam tratados como bandidos? Até quando meus amigos e amigas? Para finalizar, quero que saibam que após lida a sentença, o juiz parabenizou o réu pelo desfecho do Júri e, pasmem, desejou que ele siga sua vida de cabeça erguida e cumpra sua pena, e pior, não fez nenhuma menção a vítima ou seus familiares que estavam ali presentes. Como se não bastasse, tivemos que assistir o réu tirando foto do juiz ao lado de seus advogados. Pelo amor de Deus amigos, compartilhem ao máximo essa postagem para que outras mulheres não passem pelo que minha filha e minha família passou. Hoje foi minha filha e amanhã quem será? Este é o relato de uma mãe triste e se sentindo incapaz e impotente, mas q crê na justiça de Deus”.

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