Após vasta investigação, policiais da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) apuraram no final desta quinta-feira (28), um crime de apologia ao tráfico de drogas, em que dois adolescentes de 15 e 17 anos, de Campo Grande, postaram fotos com tabletes de maconha nas redes sociais (Facebook).
Após a publicação das imagens, no início do mês de agosto, o fato chegou ao conhecimento das autoridades, que levou cerca de uma semana para conseguir identificar os adolescentes. Com a análise policial, foi constatado que o local onde a foto foi tirada é a casa de um traficante, conhecido como “Careca”, localizada nas proximidades da Lagoa Itatiaia, no Bairro Tiradentes, na Capital.
Ao pesquisar a fundo, a página pessoal de um dos envolvidos foi possível encontrá-los. “Tivemos que desdobrar as informações para encontrarmos os meninos. O crime de apologia é enaltecer o uso de drogas, incentivar o tráfico. A publicação estava aberta, para quem quisesse acessar”, contou o delegado da Deaij, Maércio Alves Barboza.
“Para que revelar minha situação, se o vermelho dos meus olhos revelam o verde da maconha”, esse é um dos comentários postados que, segundo o delegado, tem a intenção de afrontar a polícia. "Enquanto os Zé Povim fala mal da Nossas Vidas", desafia o adolescente, ao comentar a foto com a maconha nas mãos.

No momento, a residência onde a foto foi tirada está abandonada, e a polícia prossegue com as investigações para encontrar o traficante. A droga não foi apreendida, já que os adolescentes alegam que teriam "fumado". A polícia informou que eles moram na região do Nova Lima, se conhecem desde a infância, e sempre se encontram para usar drogas.
Com o desfecho das investigações, os dois adolescentes, de 15 e 17 anos, que estão posando na foto vão responder por ato infracional equiparado ao artigo 287 de Apologia de Ato Criminoso. Eles aguardam em liberdade o parecer da Justiça, que aplicará a medida socioeducativa compatível, já que possuem residência fixa e estão colaborando.
Fotógrafo
Já o outro adolescente de 16 anos, que foi o “fotógrafo”, foi qualificado como testemunha do caso. A mãe dele, a diarista de 33 anos, revelou que sabia do envolvimento do filho com as drogas, mas está esperançosa, acreditando na sua possível recuperação. “Não tenho como impedi-lo de usar drogas e nem de proibir de andar com as más companhias. Sou mãe solteira, é difícil ter controle de tudo, mas nossa relação é aberta e ele sabe que é responsável pelos próprios atos. Espero que depois disso, ele aprenda”, desabafou.

Em contrapartida, o delegado afirma que apesar dos pais não serem totalmente culpados pelas atitudes dos filhos, eles devem se esforçar para educar. “Os pais alegam que o Estado tira a autonomia deles de cuidar dos próprios filhos. Mas isso é uma interpretação errada da lei. É uma interpretação cômoda. Os pais tem, sim, obrigação de estabelecer limites e cuidar dos filhos”, explica o delegado.
Punição

Maércio afirmou ainda, que além das medidas socioeducativas, ele faz questão de acompanhar o desenvolvimento dos adolescentes. “Não temos a obrigação, mas vamos acompanhar a família desses meninos. Os pais são pessoas boas, trabalhadoras e que perderam o controle. Os meninos da foto já nem estavam estudando. Agora, com a nossa atuação, voltaram a frequentar a escola”, contou otimista.
Para finalizar, o delegado deu uma "lição" à mãe de um dos adolescentes: "Os pais tem que dar aos filhos a força mental, espiritual e moral, para que eles embora se deparem no meio social em que estão inseridos, com drogas, práticas ilícitas e malfeitores, possam ter condições de conviver com tais situações e adversidades. Sem se misturarem ou aderirem a elas", concluiu.
*Matéria editada para acréscimo de informação 13h22







