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Polícia

AMOR? A cada hora, duas mulheres são ameaçadas de morte pelos companheiros

Veja a história de uma mulher que permaneceu mais de 20 anos sob ameaças e agressões; ela acreditava que ele poderia mudar

03 junho 2020 - 17h00Por Rayani Santa Cruz

Sabe aquele amor maldito? Aquele em que a pessoa está em posse da outra e numa situação em que a vítima não consegue se livrar? Pois é, neste exato momento, dezenas de sul-mato-grossenses já foram ameaçadas de morte pelo namorado, marido, e companheiro. 

Em Mato Grosso do Sul, dados de 2019, do mapa do Feminicídio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres, indica que a cada hora duas mulheres são ameaçadas de morte pelos companheiros e, a cada semana, 150 mulheres sofrem agressões físicas tipificadas como lesão corporal. 

Entre os crimes de violência doméstica, destacam-se por sua maior incidência, a ameaça (16.846) e a lesão corporal dolosa (7.770), observando que ambos os tipos podem ser enquadrados numa mesma situação, com um BO por lesão corporal e ameaça, entre outros crimes eventualmente praticados contra uma mesma vítima.

Tiro no rosto e ameaça

A aposentada por invalidez de 48 anos vai ser identificada nesta matéria pelo nome fictício de Tânia. Foi há pouco tempo, quando ela após anos de espancamentos e murros no rosto que culminaram na perda de um dos dentes, e até um tiro no rosto separou e divorciou do marido. 

A relação perturbada iniciou quando ela tinha apenas 14 anos. O namorado, que passou a ser marido começou a mostrar quem realmente era, ao tê-la em sua casa. “Eu era adolescente e não podia falar nada que desagradasse que ele dizia que ia me bater. Até que isso passou a acontecer. Quase todo o dia ele me dava um, tapa na cara, e a mãe dele e às duas irmãs, não faziam e não falavam nada. Depois ele voltava a agir como se nada tivesse acontecido”.

O tempo foi passando e Tânia engravidou. “Ele ficou com raiva e foi a primeira vez que levei uma surra. Chutou a minha barriga, me deu socos e depois parou. Pensei em voltar pra casa da minha mãe, mas também pensei que era tarde”.

Ela diz que sempre que ele a agredia chorava e pedia desculpa. Dizia que ia mudar e que aquilo fazia parte do amor e da relação deles. Ao mesmo tempo, as ameaças de morte eram constantes, quase como um presságio do que viria adiante.

Ela conta que o amor era doentio e que a posse chegou ao ponto dele a impedir de sair de casa. Até que tentou matá-la com um tiro que acertou no rosto (na bochecha) e não dentro do ouvido como pretendia. 

“Eu vi que ele ia me matar e reagi como nunca havia feito. E ele acabou acertando minha bochecha. O tiro atravessou entre minha boca e meus dentes. Foi sorte de não ter morrido e de ter tido ajuda depois para sair daquela casa”.

Inocentou

Após alguns meses, Tânia foi procurada pelo ex, que desejava perdão e reatar o casamento. Ela, como muitas mulheres o inocentou no dia do julgamento e numa infeliz escolha e desejo de mudança reatou o casamento. Ele teve como pena serviços comunitários.

O inferno recomeçava, mais uma vez na vida de Tânia. “Errei feio na escolha. Não houve mudanças e eu que só tinha um filho, tive mais cinco. Entre idas e vindas, as crianças cresceram em meio à violência. Como resultado, dois estão presos e um morreu após ficar na cadeia e ter câncer”, disse.

Ela conseguiu sair do ciclo há pouco tempo

“Foi só depois de tudo isso que eu tive uma luz e vi que fiz tudo errado a vida toda. Depois de muitos anos, sai da casa da família dele e me divorciei. Mas, ainda me sinto culpada por não ter feito isso antes. As ameaças se misturaram ao sentimento de amor e no final não sobrou nada, nem eu, nem minha família”.

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