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Polícia

Após matéria sobre abordagem da PM, jornalista é ameaçada em rede social

13 dezembro 2015 - 09h36Por Mariana Anunciação, Diana Christie e Vinícius Squinelo

Após denunciar a truculência em abordagens policiais recentes que ocorreram em um bar da Capital, a jornalista do TopMídiaNews, Izabela Sanches Silva de Carvalho Nanni, de 22 anos, recebeu ameaças e ofensas pela rede social Facebook, por meio de uma página intitulada 'Ser Policial por Amor'. A publicação, sem assinatura, traz palavras de ódio e ofensas contra a dignidade da repórter que apenas cumpriu seu papel como profissional de comunicação.

 “.. é aquelas feministas da esquerda, que adora fumar maconha e mostrar os peitos em praça pública. Na matéria, ela cita os bêbados baderneiros, maconheiros, mas diz que eles estavam sentados num canto do bar e que foram revistados só os negros. A animal também diz que os baderneiros ficam na rua apenas para atravessar de um bar para outro. E que a polícia agrediu "estudantes". Segundo ela, ninguém desacatou os PMs, apenas questionaram o motivo da abordagem”, diz o texto.

O Portal TopMídiaNews é solidário à jornalista, por entender que ela apenas cumpriu o seu dever e o juramento de profissão: "Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação. Juro empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade. Juro, no exercício do meu dever profissional, não omitir, não mentir e não distorcer informações, não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar em favor de interesses pessoais o direito do cidadão à informação."

A adesão dos demais veículos de comunicação de Mato Grosso do Sul foi imediata, em especial pelas ameaças contidas na publicação. “Imprensa vagabunda, suja, asquerosa. Vão aprender a respeitar a Polícia na marra”, relata outro trecho publicado na rede social, que foi compartilhado por várias vezes, entre postagens de apoio e repúdio ao fato.

TopMídiaNews se entristece com o acontecido, pois o ato de intolerância não apenas representa uma tentativa de censurar o jornalismo sério, compromissado com a verdade, como também reflete negativamente na própria Corporação, já que é evidente a importância do trabalho da Polícia Militar para a segurança pública. A classe não é inimiga da população e não deve ser punida pelo comportamento reprovável de alguns membros, mas o jornal também não se calará diante do abuso de poder e corrupção de alguns agentes.

“Ameaçaram nosso trabalho, e ainda estou tentando entender o que seria aprender a respeitar isso na marra. A polícia militar é nossa, paga com nossos impostos, e, portanto, é de meu entendimento que ela deve ser sim acompanhada e criticada quando percebemos em sua atuação aquilo que tantos lutaram para ver eliminado.. Desse modo, nenhum passo atrás ou arrependimento”, complementa Izabela Sanches, em sua página social.

A jornalista registrou boletim de ocorrência na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro na noite deste sábado (12), que será investigado pelo delegado João Eduardo Santana Davâncio, e o TopMídiaNews vai ingressar na Justiça para as medidas cabíveis. A Corregedoria da Polícia Militar também será acionada para o caso de o autor da postagem ser um membro da corporação.

Ainda, a equipe de reportagem entrou em contato, nesta manhã de domingo (13), com o presidente da ACS (Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul), Edmar Soares da Silva, para saber o posicionamento da Corporação sobre o assunto. Ele declarou que desconhece o ocorrido e que vai se inteirar do assunto primeiro antes de qualquer comentário.

Confira na íntegra a reportagem  sobre 'O que acontece quando a PM é questionada'.