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Polícia

Caso Taina: suspeito de sequestrar jovem e bebê foi denunciado pela ex por ameaça

Ex-companheira registrou boletim de ocorrência contra suspeito em maio deste ano. Jovem de 18 anos, e a filha de 8 meses, estão desaparecidas

29 novembro 2018 - 11h06Por Da redação / G1

A ex-companheira do homem suspeito de sequestrar a jovem Taina de Queiroz Mendes, de 18 anos e a filha dela Sofia Helena da Silva, de apenas 8 meses, afirmou ao G1 que já registrou boletim de ocorrência contra ele por ameaça.

Taina e a filha estão sumidas desde o dia 3 de novembro. O marido da jovem, Raul Kennedy da Silva, de 19 anos, registrou boletim de ocorrência de desaparecimento, mas suspeita que o ex-patrão, Luis Fernando Lourenço, tenha sequestrado as duas. Nesta quarta-feira (28), a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Sorocaba, responsável pela investigação, informou que passou a tratar o caso como subtração de incapaz e não mais como desaparecimento.

"Conheci o Luis em janeiro deste ano, em Jundiaí, e ficamos juntos por três meses. No início, ele conseguiu me iludir, se apresentou como empresário e conquistou a todos. Fomos morar em Araraquara, mas lá ele passou a ser agressivo. Vivia me ameaçando e não deixava eu falar direito com a minha família", afirmou a jovem, que prefere ter a identidade preservada.

Segundo a mulher, as ameaças começaram a ficar intensas quando ela decidiu romper o relacionamento em março e retornar para a casa da família. "Achava estranho algumas coisas, como ele dar nome e documento falso quando era abordado pela polícia. Mas estava iludida e aceitava as desculpas. Quando decidi terminar, ele foi atrás e ficava me ameaçando no portão. Ameaçava me matar e matar minha família", diz.

Ainda de acordo com a ex-companheira, ele chegou a mantê-la por alguns dias em um hotel em Santos sem contato ter contato com a família. "Um dia fui até São Paulo porque ele disse que ia me entregar um óculos e queria conversar. Eu fui. Tomei um suco e ele colocou calmante no suco. Quando acordei estava em Santos. Ele me deixou presa em um hotel, ligou para a minha família dizendo que tínhamos voltado e que estava bem, mas não me deixava falar com ninguém", conta.

Segundo a jovem, ela só conseguiu pedir ajuda e registrar boletim de ocorrência quando saíram da praia e o carro quebrou, em Diadema. "Tivemos que parar em um hotel no meio da rodovia, foi quando consegui ligar para a minha mãe. Em seguida, já registrei boletim de ocorrência. Ele continuou me ameaçando e só parou em julho, quando mandou foto da Taina dizendo que estava apaixonado e tinha encontrado uma pessoa melhor", diz.

De acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí, o boletim de ocorrência por ameaça foi registrado pela ex-companheira contra Luis no dia 22 de maio. Porém, ela não apresentou a representação no período de seis meses. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que Luis esteve preso em 22 de outubro de 2013 pelo artigo 158, que é constranger alguém mediante violência. Mas, segundo o órgão, foi solto no dia 23 de outubro.

Ainda de acordo com a SSP, Luis foi condenado por estelionato a cumprir pena de prestação de serviços à comunidade e, como não cumpriu a determinação, é considerado foragido. Agora, ele consta como investigado pelo desaparecimento de duas pessoas em Pilar do Sul.

Sumiço

Ao G1, o marido da jovem conta que viajou a trabalho para Castilho (SP) e, quando retornou para casa, não encontrou mais a esposa e a filha. Ele acredita que as duas tenham sido levadas pelo ex-patrão dele em uma empresa de Sorocaba (SP).

Raul ainda afirma que conheceu o ex-patrão, Luis Fernando Lourenço, há quatro meses, em Sorocaba. Ele se apresentou como cantor e empresário e ofereceu emprego para o rapaz entregar outdoor em cidades do interior de São Paulo.

"Ele levou a gente em shows e se mostrava uma pessoa que tinha conhecimento, importante. Nunca tive problema com ele, mas é um cara invejoso e não aceitava ver a gente feliz. Não sei por qual motivo está fazendo isso comigo", diz.

Vídeos

De acordo com Raul, os vídeos foram encaminhados por Luis Fernando para ele e parentes logo após o desaparecimento da esposa e filha.

Policiais civis de Pilar do Sul ligaram para Luis no número usado por ele para enviar as mensagens. O suspeito disse que as duas estavam bem, mas não contou onde estavam. Depois, policiais e familiares não conseguiram mais contato. Na imagem é possível ver Taina deitada em uma cama ao lado da filha. O homem que filma é o suspeito. Ele faz questionamentos e Taina responde. Segundo o delegado Acácio Leite, os vídeos não foram encaminhados para a Polícia Civil.

Parentes da jovem acreditam que ela apresentou sinais de que está sendo ameaçada nos vídeos enviados à família. Em entrevista ao G1, a prima de Raul, Aline Trindade, afirma que nas imagens do vídeo Taina está abatida, magra e faz sinais de nervosismo com as mãos e olha para o lado.

"Eu considero ela como minha prima e a conheço. Acho muito estranho tudo o que está acontecendo. Nos vídeos ela aparece com a mesma blusa, muito magra e tem um roxo no braço. Ela olha para o lado como se tivesse outra pessoa e faz sinais quando está nervosa", aponta a prima. De acordo com delegado Acácio Leite, Raul foi ouvido na terça-feira (27) e outros familiares serão ouvidos nos próximos dias, como o pai de Taina. O boletim foi retificado para subtração de incapaz.

“A partir das entrevistas com o pai e os vídeos que temos a gente entende que podemos ter uma subtração de incapaz. Nos vídeos mostra que ela está bem, sorrindo e em situação tranquila. Então, o desaparecimento cai por terra e já que temos a menina que pode te sido levada induzida por um erro por conta desse indivíduo, que é procurado pela Justiça. Por conta da criança, da gravidade envolvendo a menor, vamos retificar o BO”, ressaltou.

Ainda segundo Acácio, outros familiares serão ouvidos nos próximos dias para continuar com as investigações. Até o momento, a Polícia Civil não trabalhará com a hipótese de sequestro. "Conversamos com o marido, mas serão ouvidas outras testemunhas em Pilar do Sul para agregar com as investigações. Não vamos trabalhar ainda com a hipótese de sequestro porque não há pedido de resgate e não há elementos que mostrem o cárcere privado", diz Acácio.