A Polícia Civil ainda não localizou a espingarda, adaptada para munição calibre 22, usada no assassinato de um menino de 10 anos, encontrado já sem vida em uma chácara próxima ao lixão do Jardim Noroeste na última semana. O autor do crime, o chacareiro Antônio Aparecido Rosa de Souza, de 59 anos, se apresentou à polícia e confessou ter matado o menino, mas por estar colaborando com as investigações e não possuir passagem pela polícia vai responder em liberdade.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Daniella Kades, da 3ª Delegacia de Polícia, todo o caso está entrando em acordo, porém o frentista que encontrou o corpo do menino é filho do proprietário da chácara e está se contradizendo com as versões sobre a arma. “O José Rafael diz que a arma não é dele e não viu o caseiro indo embora com mala nenhuma do local e nada foi encontrado durante buscas na propriedade. É impossível esconder uma espingarda desta forma”.
Estava marcado para a tarde de hoje (2) a entrega da arma e a nova declaração de José Rafael, mas apenas o advogado compareceu à delegacia defendendo o seu cliente. “Ele está a disposição da polícia, pois o meu cliente não tem participação nenhuma neste crime. A única vez em que pegou em uma arma foi quando serviu o exército”, afirma o advogado Conrado de Sousa.

O caso
Na última sexta-feira (28) José Rafael acionou a polícia ao encontrar o corpo da criança no chiqueiro da chácara. O menino, que possuía problemas psicológicos, estava com ferimentos de arma de fogo, marcas de agressões nas costas e machucados nas pernas.
Em depoimento, o caseiro confessou como tudo aconteceu. “Ele disse que estava bêbado no local quando escutou um barulho e viu um vulto. Ele pegou a arma e disparou contra o vulto para assustar, mas a pessoa veio em sua direção e ele atirou novamente. Na mesma noite encontrou o frentista e disse o que havia acontecido. José foi verificar o fato, usando uma lanterna, viu que era uma criança quando empurrou o corpo com os pés, ‘justificando’ as marcas de agressão”, explica a delegada.

Após isso, o caseiro foi orientado a pegar seus objetos e da esposa e fugir da chácara, então só no dia seguinte a polícia foi comunicada da morte. A vítima estava no local junto com um colega de 8 anos porque queria pegar um porquinho para o natal.
Já que tentou se favorecer, José pode responder por falso testemunho e por porte ilegal de arma de fogo.
Triste realidade
O menino vivia na região do lixão, frequentemente brincava pelo local e não tinha o acompanhamento da mãe porque ela é gari, saía cedo de casa e só voltava no final da tarde. Além dos problemas mentais, o garoto também havia sido estuprado.







