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Civil prende 10 acusados de matar investigador em emboscada

Emboscada

29 JAN 2014
Carlos Guessy e Schimene Weber
15h15min
Mais de 50 polícias, de acordo com o delegado Fábio Peró, estão envolvidos no caso, além de inúmeras delegacias. O crime é complexo, ainda muitas respostas serão descobertas" Foto:Geovanni Gomes

O caso que chocou os campo-grandenses na manhã dessa quarta-feira (29), teve parte do desfecho divulgado em uma coletiva à imprensa na Delegacia Geral de Polícia Civil, no Parque dos Poderes. O caso começa na informação de que os policiais foram checar informações e não investigar o roubo da jóia avaliada em mais de R$ 80 mil. 

Até o final desta tarde, sete pessoas foram autuadas em flagrante, entre elas Cleber Ferreira Alves, de 36 anos, Lúcia Helena Barbosa, 50, Renato Ferreira Alves, de 21 anos, Geovanni de Oliveira Andrade, 18, Alexandre Gonçalves Rocha, 19, um adolescente de 15 anos e Alexsandro Gonçalves Rocha, de 21 anos, que é o travesti conhecido como Natália.

De acordo com as investigações policiais, todas as pessoas autuadas estão envolvidas no crime, mas a identidade do autor que efetuou os disparos que mataram o policial ainda permanece como incógnita, uma vez que existem três versões diferentes entre o menor de idade e os irmãos Alexandre e Alexsandro, sendo que um deles é o assassino.

Conforme apuraram os policiais envolvidos na investigação, o menor de idade, que também estava dirigindo o carro da fuga da 'família', é cunhado dos irmãos.

As outras pessoas envolvidas no crime foram ouvidas durante parte da manhã e da tarde de hoje (29), mas já foram liberadas.

Segundo o delegado responsável pelo caso, o Dr. João Reis Belo, o desfecho do caso só acontecerá daqui há, aproximadamente, dez dias.


“Se eles fossem para investigar, eles iriam em 10 e não em dois. E para checar informações, não precisam pedir minha autorização”, afirmou o delegado.


Até o momento, há a informação de que mais de 50 policiais, entre civis, militares e agentes da PRF, já foram envolvidos na operação. Respondem pela operação, também, os delegados Dr. Fabio Peró (Delegado Adjunto da DERF) e Dr. Fabiano Nagata (Delegado Titular da DERF). 
O policial morto e o policial agredido são da mesma delegacia. As investigações seguem agora pela 5ª D.P.


Entenda o Caso 

Segundo informações, a polícia recebeu a denúncia de que uma quadrilha estava vendendo jóias por um preço muito inferior ao praticado no mercado. Os investigadores, lotados na Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (Derf), passaram a atuar no caso.

Grande parte do material furtado foi recuperado, mas faltava uma corrente avaliada em R$ 80 mil. Osmar ligou para um dos criminosos e negociou a compra da peça. Fingindo colaborar com as investigações, sobre o roubo de jóias e inclusive uma corrente avaliada em R$ 80 mil, o travesti de nome Natália teria dito ao investigador Osmar Ferreira, 39 anos, que poderia entrar no imóvel e que entregaria o objeto.

A Polícia foi ao local na noite de ontem (28), no bairro Campo Nobre, porque recebeu a informação de que uma quadrilha estava “negociando” jóias por um valor muito inferior ao do mercado.

Sem utilizar nada que o identificasse como policial e com livre acesso, Osmar entrou na casa. Horas antes ele ligou para um dos bandidos para negociar a compra da jóia, mas foi reconhecido por Natália ao chegar no imóvel.

Segundo o registro policial, Natália pediu para outra pessoa que estava na casa para buscar a corrente no quarto. Na hora da entrega, esta terceira pessoa olhou para o policial e foi empurrada pela autoridade.

Nesse momento, Natália golpeou Osmar no pescoço, ele desmaiou, após ser imobilizado por mais algumas pessoas.

Quando acordou, ele saiu do imóvel e encontrou Dirceu Rodrigues dos Santos, 38 anos, já morto. O policial Dirceu tinha ficado na esquina, cuidando da movimentação, enquanto o amigo tentava recuperar os pertences roubados.

Osmar se deparou então com a chegada de viaturas e o Samu e inclusive informações de que o carro em que estavam, um Palio, foi abandonado quadras a frente.

Dirceu foi morto com três tiros segundo o delegado Fábio Peró, ele ainda tentou correr assim que recebeu o primeiro tiro na barriga. Não aguentou correr, Dirceu caiu ajoelhado metros adiante e foi alvejado mais duas vezes com um tiro na nuca e outro na testa.

O policial Osmar foi socorrido e deu entrada no Prontomed da Santa Casa, às 5h59 da manhã, sendo liberado horas depois.

Dirceu deixa três filhos. O velório aconteceu durante todo o dia, na rua Dolor Ferreira de Andrade, esquina com a 13 de maio, no Bairro São Francisco, na Capital.

Flagrante

A Polícia Civil prendeu todo o grupo que estava em uma casa no Jardim Campo Nobre e rendeu dois investigadores na madrugada desta quarta-feira (29), durante uma “emboscada” na qual o policial da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos, Dirceu Rodrigues dos Santos, 38 anos, foi morto por bandidos. Ele ia completar oito anos de carreira no dia 1º de fevereiro deste ano.

A Polícia registrou a ocorrência como homicídio doloso qualificado por assegurar a execução, a ocultação, impunidade ou a vantagem de outro crime, além de furto, lesão corporal dolosa, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, receptação e resistência e finalizou o flagrante na manhã desta quarta-feira (29), na Depac Piratininga.

Morte

Dirceu foi baleado e os bandidos ainda levaram o carro onde ele estava. Ele estaria em um veículo particular quando foi feito refém. As Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal foram mobilizadas para achar os responsáveis pela morte do investigador.

A PRF fechou as saídas da cidade, para evitar a fuga dos bandidos. A perícia foi chamada para atender a ocorrência. Dirceu foi alvejado duas vezes na cabeça. Já Osmar teve a arma tomada pelo bando.


*Matéria atualizada às 15h30m.

Mais de 50 polícias, de acordo com o delegado Fábio Peró, estão envolvidos no caso, além de inúmeras delegacias. O crime é complexo, ainda muitas respostas serão descobertas Foto:Geovanni Gomes
Mais de 50 polícias, de acordo com o delegado Fábio Peró, estão envolvidos no caso, além de inúmeras delegacias. O crime é complexo, ainda muitas respostas serão descobertas" Foto:Geovanni Gomes
Mais de 50 polícias, de acordo com o delegado Fábio Peró, estão envolvidos no caso, além de inúmeras delegacias. O crime é complexo, ainda muitas respostas serão descobertas Foto:Geovanni GomesFoto: Reprodução/PCFoto: Geovanni GomesFoto: Geovanni Gomes

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