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PMCG - Prestação de contas

Cláudia Cruz faz visita para Eduardo Cunha na Polícia Federal, em Curitiba

Ela chegou por volta das 8h para visitar o marido, que está preso na PF

26 OUT 2016
O Globo
09h27min
Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

A esposa do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Cláudia Cruz, chegou por volta das 8h desta quarta-feira (26) para visitar o marido na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Cunha foi preso pela Operação Lava Jato na quarta-feira (19), em Brasília. A esposa chegou acompanhada do advogado e não falou com a imprensa. A última visita dela ao marido foi na sexta (21).

Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro. A prisão dele foi determinada pelo juiz Sérgio Moro, que é responsável pelas ações da Operação Lava Jato na 1ª instância.

Para o juiz, Cunha continuou a tentar obstruir investigações mesmo depois de perder o mandato de deputado federal.

Assim como o marido, Cláudia Cruz também é ré em processo da Lava Jato. De acordo com as investigações, ela foi favorecida, por meio de contas na Suíça, de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Cláudia tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em um montante superior a US$ 1 milhão em um prazo de sete anos, entre 2008 e 2014.

As investigações apontam que o valor é totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido.

Os recursos na conta de Cláudia Cruz foram usados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas no exterior, como artigos de grife como bolsas, sapatos e roupas, ainda conforme o MPF.

Bloqueio de bens de Cunha

Nesta terça-feira (25), o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve o bloqueio de bens de Eduardo Cunha. O pedido da defesa para liberar os bens já tinha sido negado em agosto deste ano pelo desembargador Ricardo Teixeira do Valle Pereira.

Os advogados do deputado cassado ainda podem recorrer ao TRF-4, por meio de um embargo de declaração, ou ir ao Superior Tribunal de Justiça, com recurso especial. O processo, de caráter cível, tramita paralelamente às ações penais da Lava Jato.

A defesa de Cunha recorreu ao TRF-4 buscando suspender uma liminar de 14 de junho, dada pela 6ª Vara Federal de Curitiba e mantida pela corte. Os advogados alegam que não existem elementos concretos que indiquem enriquecimento ilícito por parte do deputado, em decorrência do exercício do mandato, nem indícios de vinculação com o esquema de corrupção da Petrobras ou provas de que a origem dos valores retidos seja ilícita.

Segundo o relator do processo, o desembargador federal Ricardo Teixeira do Valle Pereira, foram apresentados elementos suficientes para demonstrar a suposta prática de atos de improbidade. Ele disse que há fortes indícios de que Cunha recebeu vantagens indevidas decorrentes de contratações feitas pela diretoria Internacional da Petrobras.

Em sua decisão, Pereira listou diversas transferência de valores provenientes da exploração da plataforma da Petrobras de Benin/África para o trust Triumph, que tem Cunha por instituidor e beneficiário. O desembargador afirmou que, em maio de 2007, a conta da Triumph tinha US$ 3,5 milhões de origem desconhecida.

 

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