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Polícia

Coffee Break: Carlão diz que movimentação financeira é da venda de carros

31 maio 2016 - 13h26Por Anna Gomes e Rodson Willyams

Às vésperas da entrega do relatório da Procuradoria-Geral de Justiça para o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), o vereador Carlão (PSB) não descarta a possibilidade de ser indiciado pelo Ministério Público após a quebra de seu sigilo bancário. As denúncias têm base em investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação Coffee Break.

Ao ser questionado na manhã desta terça-feira (31), o vereador diz que pode sim ser investigado, mas coloca a culpa da alta movimentação de sua conta - de aproximadamente R$ 200 mil ao mês - em vendas de veículos. "Posso ser denunciado, pois movimentei mais dinheiro do que recebi na Câmara, mas eles (Gaeco) não sabem que eu compro e vendo carros".

Ainda conforme o vereador, o processo da Operação pode ter erros e ele adianta que vai se defender como pode.

"O Gaeco investigou o que eu recebia na Câmara, mas além dos carros, também vendo tratores, onde compro sucatas, reformo os veículos e vendo. Já trabalho com isso há dez anos, inclusive, nesta semana já estive aqui no meu trabalho com três carros diferentes, um deles comprei por R$ 31 mil e vou vender por R$ 33 mil, já está até anunciado", explicou Carlão.

O parlamentar ressalta que, desde o ano de 2007, antes de ser vereador, sempre teve um grande movimento de dinheiro em sua conta bancária, mas segundo ele, tudo se tratava de compras e vendas de veículos.

Outra denúncia contra Carlão, seria a compra de 40 novilhos. Quando interrogado a sobre o assunto, o vereador novamente nega, dizendo que apenas agenciou uma compra e inclusive teria notas que comprovam a transação.

"Na época, não tinha fazenda e nem chácara, mas vou me defender'', disse o parlamentar insinuando que agora pode ser proprietário de terras.

Durante a Operação Coffee Break, o então presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB), foi flagrado em uma escuta pelo Gaeco, onde afirma que Carlão estaria indeciso na votação sobre a cassação do prefeito Alcides Bernal (PP). "Mario Cesar não fala por mim", se limitou em dizer.

Carlão jura não ter cometido nenhum crime e ressalta que vai se defender nem que seja até os próximos dois anos. "Eu vou me defender, não tirei vantagem, eu estou tranquilo e vou demonstrar que não tenho nada ilícito, não existe escutar onde eu ganho cargo", disse.

  

Para finalizar, o vereador comenta sobre a Operação e acredita que isso poderá afetar nas próximas eleições. "Em torno de 12 a 13 vereadores, mesmo que não apareçam nos relatórios, poderão ser indiciados. Essa Operação vai prejudicar a eleição, a conclusão dessa denúncia vai interferir no processo eleitoral, pois ao invés da gente responder sobre outros assuntos, vamos ficar falando sobre o Gaeco", disparou.

Operação

A operação Coffee Break foi deflagrada em 25 de agosto e cumpriu 13 conduções coercitivas, quando a pessoa é levada obrigatoriamente a prestar depoimento. O nome desta ação, conforme o coordenador do Gaeco, é uma referência ao “cafezinho”, que seria como os suspeitos da outra operação se referiam ao pagamento de propinas.

O então prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP), e o presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar Fonseca (PMDB), foram afastados dos seus cargos no mesmo dia, em razão da suspeita de corrupção ativa e passiva na votação da Câmara que cassou o mandato do ex-prefeito Alcides Bernal (PP), em março de 2014.

O vice-presidente da Câmara, Flávio César (PT do B), chegou a anunciar que assumiria a chefia do Executivo durante pronunciamento. Entretanto, durante a tarde de 25 de agosto, por 2 votos a 1, os desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) determinaram a volta de Alcides Bernal à chefia do Executivo campo-grandense.