Alívio é o que Edcelma Gomes sentiu ao ver que o assassino do filho, Jefferson Bruno Gomes Escobar, de apenas 23 anos, foi condenado, após 15 anos de luta na justiça. O mandado de prisão foi expedido na última quinta-feira (15), e o autor Cristiano Luna de Almeida não poderá recorrer. Bruno foi morto enquanto trabalhava como segurança de uma balada, em 2011.
Para a reportagem do jornal TopMídiaNews, Edcelma disse que foram anos de luta e mobilização em busca da justiça. "Senti um alívio. Graças a Deus estou viva e conseguir ver a justiça sendo feita. As pessoas sempre perguntavam 'e aí, ele está preso [o suspeito] e eu sempre tinha que responder que não, mas que tinha fé em Deus, e acredito na justiça dos homens. Recebi com certo alívio, não posso dizer feliz, já que nada vai trazer o meu filho de volta, mas ficamos aliviados de saber que ele vai pagar, vai ficar preso", declarou.
Entre as tristezas que cercam o caso, a mulher destaca a falta que o pai de Bruno faz para ver este momento, devido à demora para a resolução do crime. "O pai do Bruno morreu sem ver essa justiça acontecer, morreu em 2015 de tristeza. Eu já tive um infarto e pensei não iria ver a justiça acontecer".
"Agora ele entende a dor"
Sempre lembrado pela alegria e bom humor, a mãe de Bruno lembra que o filho era jovem e que ainda possuía diversos planos. "Ele tirou a vida de um ser humano, meu filho era trabalhador. Quantos sonhos, quantas coisas ele não almejava, não queria e tudo isso foi cortado. Agora pelo menos ele poderá descansar em paz".
A família nunca quis algum tipo de vingança contra Cristiano, e Edcelma deseja apenas que o autor se transforme em um pai melhor. "Agora que ele vai pagar, que seja um ser humano melhor; fiquei sabendo que ele é pai, então que seja melhor para o filho dele, porque agora sabe a dor, sabe o que é o amor de um pai, de uma mãe, o que é um filho, que é um pedaço da gente, um pedaço da gente que se vai, porque a gente morre junto".
O caso
Cristiano foi condenado há sete anos de prisão por matar Brunão com golpes de jiu-jitsu em frente ao estabelecimento que a vítima realizava trabalhos de segurança, em Campo Grande, no ano de 2011. O assassinato de Brunão causou forte comoção à época. A prima da vítima, Mayara Gonçalves, afirmou que a família recebeu a atualização com sentimento de alívio, após anos de espera por uma resposta definitiva do Judiciário.
Segundo familiares, o condenado chegou a ser preso logo após o crime, mas obteve liberdade cerca de três meses depois por meio de habeas corpus. A partir de então, passou a responder ao processo em liberdade, com medidas restritivas impostas pela Justiça.
Mesmo após as condenações, o réu apresentou sucessivos recursos. Conforme apontado posteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), os pedidos tinham caráter meramente protelatório, sem fundamentos jurídicos novos, a ponto de a Corte alertar sobre a possibilidade de aplicação de multa caso insistisse nas manobras processuais.







