A 69ª Promotoria de Justiça denunciou sete pessoas investigadas na Operação Danúbio Livre, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro de 2016. Os suspeitos vão responder pelos crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual de crianças e adolescentes, associação criminosa e tráfico de drogas.
Conforme o MPE (Ministério Público Estadual), as investigações começaram quando a polícia identificou que várias pessoas do bairro Danúbio Azul, localizado na periferia de Campo Grande, foram dadas como desaparecidas. A suspeita de que poderia haver uma ligação entre os sumiços surgiu após a morte de Leandro Aparecido Nunes Ferreira, mais conhecido como “Leleco”, em 2 de setembro de 2016.
O autor do homicídio, um adolescente, disse que matou a vítima por desconfiar que Leandro seria o responsável pelo desaparecimento de seu irmão, que era usuário de drogas. Segundo o adolescente, várias dependentes químicos estavam desaparecendo e as mortes pareciam conectadas.
Durante as investigações, quando os policiais descobriram um ‘cemitério do crime’ no bairro Chácara dos Poderes, também identificaram uma rede de aliciamento de crianças e adolescentes para o tráfico de drogas e exploração sexual. De acordo com o promotor Luiz Antônio Freitas de Almeida, seis dos denunciados faziam os convites para pessoas em vulnerabilidade social participar de orgias e atos sexuais diversos.
O pagamento pelos programas sexuais era realizado através de drogas, principalmente pasta-base de cocaína. A sétima pessoa denunciada foi acusada por consumir drogas junto com adolescentes, mas, ao menos até agora, não há prova de que tenha participado das orgias envolvendo as vítimas.
O promotor explica que a investigação policial coletou provas da prática de crime de vários homicídios, crime de maus-tratos de animais, tráfico de drogas e porte de arma de fogo, que serão analisados pela 2ª Vara do Tribunal do Júri, e outros crimes sem conexão com o caso, que devem tramitar na Vara Criminal de competência especial de Campo Grande.
“Caso o Juiz competente receba a denúncia, os acusados passarão à condição de réus e responderão o devido processo penal, com ampla defesa, de sorte que poderão ser condenados ou absolvidos, conforme as provas produzidas. Ou seja, nem a denúncia, nem o recebimento da denúncia implicam que sejam culpados”, destaca o MPE.
Ao todo, a denúncia descreveu 12 fatos criminosos. A pena máxima para os crimes pode chegar a mais de 100 anos de prisão, conforme a participação do denunciado. Seis dos acusados já estão presos. Outras informações sobre o casos foram colocadas em sigilo pela Justiça.








