(67) 99826-0686

Dinheiro e ciúmes fizeram trio matar e queimar Alceu Bueno, esclarece polícia

Suspeitos confessaram o crime e não entraram em contradições

29 DEZ 2016
Thiago de Souza e Kerolyn Araújo
17h31min
Katia, Elpídio e Josian foram presos por matar Alceu Bueno Foto: André de Abreu

A motivação para a morte do ex-vereador Alceu Bueno foi ciúmes e dinheiro, apurou a polícia Civil, que apresentou na tarde desta quinta-feira (29), os três suspeitos do crime. São eles Elpídio Cesar Macena do Amaral, 26, o sobrinho dele, Josian Edson Cuando Macena, 21 e a esposa de Elpídio, Katia de Almeida Rocha, 24.

A polícia apurou que Alceu Bueno participava de vários grupos no aplicativo Whatsapp, e em um deles conheceu Kátia. Bueno se interessou por Kátia e passou a dar em cima dela, querendo conhecê-la pessoalmente.  A mulher relatou à polícia que se sentiu incomodada e contou o caso para o namorado. Enciumado, Elpidio e o irmão Josian combinaram de ''dar um susto'' no ex-vereador. 

Katia então fingiu ter interesse em Alceu Bueno e o atraiu para a cada dela, no Jardim Seminário. Ali já estavam Elpídio e Josian prontos para dar o tal susto em Alceu. Porém, o vereador cassado não quis entrar e ficou apenas na frente da residência. 

No dia seguinte, Alceu convidou katia para sair e a buscou em frente a uma conveniência, momento em que ela percebeu que ele estava com seiscentos reais em notas de cem, o que teria despertado a ambição do trio. Nesse dia, a suspeita convenceu Bueno a ir para a casa dela. Ao chegarem, eles foram para um quarto e assim que deitaram na cama, ela disse para Alceu que iria até a sala fechar a porta. Nesse momento, Kátia deu sinal para Elpídio e Josian, que estavam munidos de uma tábua de bater carne e um martelo, respectivamente, e os dois golpearam a vítima. Josian deu o primeiro golpe com o martelo e depois Elpidio com a tábua de carne. 

Crueldade

(martelo usado no crime e papelão com sangue da vítima - Foto: André de Abreu)

Segundo o delegado Edilson dos Santos, Alceu Bueno ficou agonizando por um período, até que Elpídio consumou o assassinato enforcando ele com a alça de uma bolsa. 

O corpo do ex-vereador foi colocado no próprio carro de Alceu e levado para a casa de Josian, no Jardim Noroeste. Lá o trio pegou gasolina e seguiu para a região do Parque dos Poderes, local conhecido de Josian, que trabalhou como pedreiro em um condomínio próximo dali. Katia dirigia o veículo enquanto os dois atearam fogo ao corpo. 

Fuga 

Katia e Elpidio seguiram até o Paraguai após o crime, onde tentaram vender o carro, porém, diante da repercussão do assassinato, ninguém quis comprá-lo. Elpídio pediu a um amigo que desaparecesse com o veículo, de preferência queimando ele. Em seguida, o casal comprou passagens de ônibus e retornou a Campo Grande. 

Durante as investigações, a polícia encontrou uma das pessoas a qual o casal teria tentado vender o carro. Essa fonte informou um número de telefone à polícia, que começou a desvendar o caso com mais facilidade. ''Conseguimos o registro das passagens dele, descobrimos que eles foram de carro e voltaram de ônibus'', contou o delegado Santos. 

A partir de então coube a polícia localizar os três suspeitos. Na hora da prisão, na tarde dessa quarta-feira (28), o trio confessou o assassinato. Nenhum deles tinha passagem pela polícia. ''Esse crime foi premeditado e não tem nada a ver com que o Alceu Bueno fez no passado'', concluiu o delegado. 

Na manhã de hoje, a polícia foi até a casa de Kátia e achou um papelão com manchas de sangue embaixo da cama dela. A tábua usada para matar Bueno foi queimada junto com o corpo. Kátia, que estava junto com Elpídio na época do crime, voltou para o marido, que segundo a polícia não tem envolvimento no caso.

Os suspeitos tiveram o pedido de prisão preventiva decretado ontem. A polícia tem dez dias  para concluir o inquérito. 

 

Veja também