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Diretora da Seleta recebia até R$ 5 mil para manter funcionários 'fantasmas'

Ministério Público suspeita que desvios chegaram a R$ 26,5 milhões

17 DEZ 2016
Dany Nascimento
18h00min
Foto: Reprodução

Investigada na Operação Urutau, a diretora de Recursos Humanos da Seleta, Ana Cláudia Pereira da Silva, confirmou em depoimento que tinha em mãos recibos frios para 'maquiar pagamentos de serviços prestados', atendendo lista com nomes fantasmas, que eram enviados pelas secretarias do município.

De acordo com a decisão do juiz David de Oliveira Gomes Filho, ao prestar depoimento, a diretora confirmou ainda que recebia de R$ 3 mil a R$ 5 mil como gratificação por colaborar com o pagamento de funcionários fantasmas da Seleta e percebia a evolução patrimonial dos colegas na entidade.

"A  mesma esclarece ter percebido a evolução patrimonial de Diretores da entidade, bem como confirmou ter recebido valores entre 3 e 5 mil reais, em espécie, a título de agradecimento. Cumpre frisar que as declarações de Ana Cláudia vão ao encontro das informações contidas no Relatório de Inteligência Financeira", diz o documento.

Foram apreendidos na casa da diretora, 76 recibos de pagamentos que eram usados no desvio de verba. Segundo a Justiça, o valor desviado pode chegar a R$ 26.500.608,00, entre 2011 e 2015. "Diretores das entidades conveniadas teriam usado de recursos da entidade para atender de interesses próprios, suspeitando-se do desvio de R$ 26.500.608,00 entre 2011 e 2015, pois eram valores sacados em dinheiro, rotineiramente, das contas bancárias da Seleta".

Nas contas verificadas pela Justiça, fica claro que os depósitos eram feitos pela Prefeitura Municipal diante dos convênios firmados, já que "nas datas dos pagamentos, os valores eram sacados e repassados em espécie para os Diretores da Seleta, bem como emitidos recibos frios, nos moldes dos apreendidos na residência da própria, para maquiar pagamentos por serviços nunca prestados".

A Justiça determinou a extinção dos contratos tanto da Seleta como da Omep na sexta-feira (16) e, a partir de agora, os funcionários contratados  devem deixar de prestar serviço ao município, pois o descumprimento da decisão gera multa de R$ 10 mil por pessoa.

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