O presidente da federação de Jiu-Jitsu de Mato Grosso do Sul, Jerson dos Santos, repudiou o crime cometido pelo lutador Rafael Martinelli Queiroz, de 27 anos, que espancou até a morte, Paulo Cezar de Oliveira, 49, durante um ataque de fúria dentro do Hotel Vale Verde, no último sábado (18), em Campo Grande.
De acordo com Jerson, a grande repercussão do assassinato está prejudicando a imagem do esporte e que algumas pessoas acabam associando o jiu-jitsu como se fosse algo violento. Ele ressalta que o campeonato que Rafael veio participar na Capital, não tem nenhuma ligação com a federação.
"Ele veio do Estado de São Paulo para participar de um campeonato no dia do crime no Círculo Militar, onde todos os atletas eram faixa preta de jiu-jitsu. Mas esta competição não teve ligação com a federação do esporte", disse Jerson.
Ainda segundo Santos, este é um episódio muito triste para o jiu-jitsu, pois ressalta que em Mato Grosso do Sul nunca houve nada parecido. Ele explica que a disciplina e a educação são cobradas de todos os atletas.
"Além de professores, somos educadores e trabalhamos a mentalidade de todos os praticantes. O jiu-jitsu é um esporte saudável e não tem nada de violento, muito pelo contrário, procuramos disciplinar todos os alunos. O que aconteceu foi péssimo para o esporte, o Rafael é um desequilibrado, matou uma pessoa e somos totalmente contra", finaliza o presidente da federação.
O Caso
O lutador virou manchete no final de semana, após espancar até a morte, com auxílio de uma cadeira, Paulo Cezar de Oliveira, de 49 anos, durante um ataque de fúria dentro do Hotel Vale Verde, no último sábado (18), em Campo Grande. Segundo relatos, ele estaria furioso com uma suporta traição da namorada.
Conforme consta no boletim de ocorrências, Rafael, que é da cidade de Araçatuba (SP), veio a Campo Grande disputar um torneio de jiu-jitsu, acompanhado da namorada, Carla Dias, de 24 anos. O casal se hospedou no quarto 221 do hotel e, por volta das 22h20, os dois iniciaram uma discussão em que a jovem teria contado que estaria grávida e que o pai da criança não seria o lutador.
Revoltado, Rafael teria iniciado uma série de agressões contra a companheira que conseguiu fugir do quarto em que estavam hospedados. Completamente transtornado, Rafael iniciou uma sessão de quebra-quebra no hotel e invadiu um dos quartos a procura da namorada. Paulo foi surpreendido pelo lutador que começou a desferir vários golpes violentos sem mesmo conhecer a vítima. Uma cadeira de madeira teria sido usada para golpeá-lo até a morte.
Depois do ocorrido, Rafael foi até a recepção entregar uma joia da vítima e procurar pela namorada. Ao notar o aparente nervosismo do esportista, a funcionária do hotel foi até o terceiro andar, onde o crime aconteceu, e constatou a morte de Paulo. A polícia foi chamada ao local e depois de resistir, Rafael foi preso em flagrante pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar e encaminhado para a sede do Garras (Grupo Armado de Resgate e Repressão a Assaltos e Sequestros).
Pela rede social Facebook, a namorada do lutador negou que a briga tenha sido motivada por ciúmes e alega que Rafael apresentou um comportamento estranho durante o dia todo. Em seu depoimento na internet, a jovem classificou o caso como 'sem explicação' e relatou que o esportista apresentava 'sinais de alterações emocionais', estava agitado e falava coisas desconexas - 'sem sentido'.







