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Polícia

Gaeco usa Fantástico pra se promover dentro do MPE

10 dezembro 2015 - 14h52Por Diana Christie

Aproveitando os holofotes gerados pelas investigações envolvendo políticos sul-mato-grossenses, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) utiliza a repercussão realizada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, para se promover dentro do Ministério Público Estadual.

Na terceira edição de folheto informativo, que contém oito páginas, a assessoria de imprensa do órgão destaca a abertura do programa nacional, que teve acesso a informações exclusivas como a identidade das adolescentes que foram vítimas de esquema de exploração sexual, além de imagens dos investigados Alceu Bueno e Sérgio Assis durante encontros com as meninas.

Foram distribuídos mil exemplares do folhetim entre os membros da instituição. O editorial é assinado pelo promotor de Justiça do Gaeco, Marcos Alex Vera de Oliveira, cotado como um dos pré-candidatos à presidência da PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) para as eleições de 2016. No texto, o promotor faz uma reflexão sobre o combate à corrupção em um ano marcado por escândalos.

“Uma visão superficial poderia levar à equivocada conclusão de que a corrupção no país aumentou. Que estamos vivendo uma crise ética e moral, que seria a falência do próprio regime democrático. Aliás, uma breve lida nos noticiários pode até levar a esta percepção, haja vista que as manchetes quase que diariamente são dominadas pela prisão de figuras públicas ou a descoberta de novos casos de corrupção”, diz.

“Contudo, a corrupção não aumentou, mas apenas se sofisticou. Ela sempre permeou as relações entre o público e o privado. A diferença entre o antes e o agora é que na atualidade, a corrução, em todos os níveis, está sendo desnudada pelos órgãos incumbidos da investigação e do controle”, complementa.

Chamadas de capa do folheto - Foto: Reprodução

Na sequência, o folheto reproduz um breve resumo da Operação Coffee Break, que investiga um esquema de compra de vereadores nos eventos que antecederam a cassação do prefeito Alcides Bernal (PP). Em destaque, imagens de funcionários do Gaeco exibidas pela Rede Globo, identificadas pelo símbolo da emissora no canto direito, e uma foto do ex-prefeito Gilmar Antunes Olarte (PP) na ocasião da prisão temporária.

Também aparecem informações sobre a investigação da rede de prostituição que aliciava menores para manter relações sexuais com políticos e empresários de Mato Grosso do Sul, que foi exibida na rede televisiva em 29 de novembro. Na quarta página, detalhes sobre os mandados de busca e apreensão que foram cumpridos na prefeitura de Água Clara e na casa do chefe do Executivo, Silas José da Silva, além da condenação por tráfico de drogas de presos na Operação Pactum Selerus.

O boletim também relata detalhes da Operação Tempestade que apurava irregularidades na aquisição de materiais e contratação de serviços de outros municípios pela prefeitura de Camapuã. Na época, o Executivo alegou que uma chuva forte teria danificado uma calha da sala de tesouraria e molhado documentos referentes às compras do município. Ainda são citadas no folhetim as operações Livro Negro, Rédea Curta, Remédio Controlado, Fantoche e Layout.