Há quase 11 meses atrás, no dia 11 de novembro de 2024, a vida de Ana Cláudia Rodrigues Marques, de 45 anos, foi brutalmente interrompida. Ela e seu marido à época, Carlos Augusto Pereira de Souza, de 49 anos, teriam sido assassinados pelo ex-companheiro dela, Flávio Saad. Apesar de ter acontecido há quase 1 ano, o suspeito segue foragido, e a família clama por justiça.
“Estamos vivendo um pesadelo, pois não sabemos o paradeiro dele. Não temos uma resposta da polícia e já vai fazer um ano em novembro”, desabafa Roberta Rocha, irmã de Ana Cláudia. “Vivemos com medo e um sofrimento que não tem fim.”
O caso permanece sem desfecho, e a angústia da família só cresce com a ausência de informações por parte das autoridades. “Queremos uma resposta da polícia, do Estado. Até onde soubemos, ele é o único feminicída do estado que não foi capturado”, afirma.
Segundo a filha, Ana Cláudia era mãe de três filhos com o suspeito, mas desde o crime Flávio desapareceu completamente. “Ele evaporou da Terra. Nem um tipo de contato, nada.”
A revolta e o sentimento de abandono motivaram a família a buscar a imprensa. “Mediante essa situação, minha mãe pediu para relembrar o caso. Não podemos deixar cair no esquecimento. Que ela não seja mais uma estatística. É muito doloroso para nós, familiares, viver isso tudo.”
Sobre a atuação policial, Roberta relata frustração: “Nenhuma resposta. Só mandam nos aguardar. Precisamos de mais empenho nesse caso.”
A família acredita que a prisão de Flávio Saad representaria um passo importante para a justiça. “Com certeza não a trará de volta, mas irá nos dar um certo conforto. E também evitará que ele faça outras vítimas, pois ele é de alta periculosidade. Minha mãe precisa dessa resposta para amenizar o sofrimento.”
Duplo homicídio
Carlos Augusto e Ana estavam na casa da irmã dela, quando foram assassinados a tiros por Flávio, na madrugada de segunda-feira (11). O crime aconteceu na Rua Ibirapuã, bairro Coophatrabalho, em Campo Grande
O crime ocorreu por volta da meia-noite. O filho de Carlos Augusto, um adolescente, acordou ao ouvir o som de aproximadamente 10 disparos de arma de fogo e os gritos de socorro da madrasta.
Ele se escondeu no canto do quarto e acionou a Polícia Militar. Às autoridades, ele contou que reconheceu a voz do autor dos disparos, que seria do ex-marido da madrasta.
Segundo o menor, enquanto Flávio atirava, teria dito frases como "É isso que talarico merece" e "ainda não morreu?". Os agentes do Batalhão do Choque encontraram o corpo da mulher no corredor e o do marido na porta do banheiro. O suspeito havia fugido do local.
Os policiais iniciaram diligências ao longo da rua e tomaram posse das imagens de uma câmera de segurança, onde viram o suspeito indo e voltando do local do crime. As filmagens foram mostradas ao filho maior de idade do atirador com Ana Cláudia, que reconheceu o pai.
Esse jovem passou um endereço onde o pai estaria possivelmente escondido. Lá, os policiais encontraram cápsulas de revólver calibre .38, 12 munições de calibre .32, 84 munições de calibre .357, um revólver calibre .22, e um revólver Smith & Wesson calibre .357, mas não encontraram o suspeito.
A cena do crime foi preservada até a chegada da equipe de perícia e da delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). As armas e munições encontradas foram apreendidas e entregues à equipe de perícia.
O suspeito não foi localizado e o caso segue sob investigação.







