A morte de Adolfo Coelho de Souza de 82 anos, por volta das 15h do dia 29 de agosto, internado por 16 dias na Santa Casa de Campo Grande reacende a polêmica sobre a qualidade do setor de oncologia do hospital. A assessoria de comunicação da Santa Casa já garantiu que o caso não está relacionado com as três mortes investigadas pela delegada Ana Cláudia Medina, da 1ª Delegacia da Polícia Civil.
No entanto, a polícia instaurou inquérito para investigar mais este óbito. A delegada explicou que já colheu alguns depoimentos, como o da viúva, filho e cuidadora do idoso. Agora, a delegada está aguardando o resultado do laudo necroscópico de causa morte, que deve sair nos próximos dias, para dar andamento às investigações.
A delegada contou que o senhor descobriu que sofria de câncer depois da repercussão sobre a investigação das três mortes no setor de oncologia da Santa Casa, tanto é, que os familiares pensaram se tratar do mesmo problema. Na época, o médico constatou câncer de esôfago e prescreveu quimioterapia para conter a doença, com cinco dias de infusão e internação, em razão da idade.

Por ser paraibano, os familiares relataram que apesar de fumar, ele era forte, fazia caminhada e bem saudável. Ele teria internado no dia 13 de agosto e no dia 14 tomou soro com a medicação. A esposa o acompanhou durante o primeiro dia de internação, das 7h às 19h da noite. Pelo fato da mãe também ser de idade, o filho teria contratado a cuidadora Elza de Oliveira, 55 anos, para ficar com ele durante os dias de internação.
Erro Médico
Em depoimento, a cuidadora Elza contou que no dia 14 de agosto, havia no quarto localizado no 2° andar do hospital, outros dois pacientes, fazendo o mesmo tipo de tratamento. A senhora percebeu a visível diferença no tempo da máquina com uma espécie de bomba piscar e gotejar a medicação. Ela chamou a atenção das enfermeiras, dizendo que a máquina dele estava rápida, com a diferença de 1 minuto. A equipe alegou que o procedimento seria normal.

A cuidadora relatou que, por volta das 8h30 do mesmo dia, o medicamento tinha esvaziado por completo, mas o paciente continuou lá. No outro dia, o idoso já estava tendo crises. Durante o dia, a esposa o acompanhou e ao retornar à noite, a cuidadora disse que os acompanhantes contaram que tinham tirado a máquina, porque ela estava com problemas. A situação do idoso começou a se agravar, com vômitos, manchas pelo corpo, perda de cabelo e feridas na boca.
Os familiares contaram que estranharam o fato de ter passado os cinco dias de internação sem medicação na maior parte do tempo e nada do idoso ter alta, apenas ficando debilitado. Também suspeitaram de “erro médico” quando solicitaram para liberar o corpo para o enterro e o hospital informou que teria encaminhado para o Instituto de Medicina Odontológica Legal (Imol) para fazer exame de necropsia.
A delegada informou que o caso das três mortes está mais complexo. “No caso do inquérito das três mortes estou em fase de definições, estão finalizando alguns exames específicos em São Paulo, enquanto trabalho na análise de vários documentos aqui. É necessário os resultados para dar continuidade nas oitivas. Trata-se de situações pontuais, já o inquérito do idoso está mais fácil, devido ao prontuário que há indicação do erro”, explicou a delegada Medina.

Ela revela ainda, que no prontuário médico está registrado que a medicação deveria ser feita em 120h durante cinco dias, sendo que fizeram tudo em apenas 2h. “Ele fez toda a medicação das 6h30 às 08h30. Mas falta apurar ainda, se teria como reverter este quadro. Com o exame necroscópico em mãos, vou colher novos depoimentos de testemunhas, da equipe médica e outros. O inquérito está em andamento, já ouvi os familiares”, concluiu.







