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Polícia

Jovens obrigados por PMs a fazer sexo oral um no outro estão deprimidos

Além de dois militares, dois seguranças também teriam participado da ação

13 julho 2019 - 11h04Por DA REDAÇÃO/MEIA HORA

Recebidas na sede da Defensoria Pública do Estado do Rio, as mães dos jovens abusados sexualmente por policiais e funcionários da concessionária na estação de trem do Maracanã no último domingo (7) afirmaram que a vida delas e dos filhos mudou. Os jovens, segundo contaram, estão deprimidos e com medo de sofrerem retaliação.

"Meu filho chegou em casa fedendo a mijo, mas só disse que tinha apanhado. Soubemos o que aconteceu quando o vídeo começou a circular. Me senti sem chão. Estou pensando até em mudar de estado”, afirmou a mãe do adolescente de 17 anos, referindo-se as imagens nas quais os jovens foram obrigados a fazer sexo oral um no outro.

"Desde segunda-feira para cá, estou muito para baixo. Estou à base de remédio. Meu filho mais velho quem me enviou o vídeo. Não consegui ver tudo. O chão se abriu na hora", afirmou a mãe do jovem de 18 anos, que só ficou sabendo do abuso por meio das redes sociais.

"Quando o meu filho chegou em casa, (no domingo) ele apenas tomou banho e foi dormir. Na segunda, recebi o vídeo. Só vi as primeiras imagens. Eles são amigos desde a infância. Meu filho chorou muito. É uma cena que vai ficar para sempre", acrescentou.

As famílias foram recebidas pela chefe de gabinete, Carolina Anástacio; o ouvidor-geral da DPRJ, Pedro Strozenberg; o coordenador e a subcoordenadora da Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cdedica), Rodrigo Azambuja e Beatriz Cunha; e as defensoras do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos, Mariana Castro e Carla Lima.

ACORDO 

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Supervia começaram a negociar um acordo de indenização para as famílias dos jovens. Representantes de ambas as organizações se reuniram, na tarde de sexta-feira, na sede da DPRJ, para conversar sobre os parâmetros da reparação. Familiares dos rapazes também foram recebidos na instituição.

Na conversa inicial, a concessionária demonstrou interesse em fechar o acordo por danos morais. Representantes da DPRJ e da Supervia, no entanto, voltarão a conversar na manhã da próxima terça-feira (16) sobre os detalhes da indenização. O defensor público-geral do Estado Rodrigo Pacheco explicou que a reparação financeira não apagará o trauma vivido pelos jovens, mas permitirá o mínimo para que sigam com suas vidas.

"A Defensoria Pública recebeu os familiares dos jovens, que foram barbaramente torturados e estuprados em uma estação ferroviária, para manifestar solidariedade, repudiar esse ato abjeto e colocar a Defensoria Pública à disposição para atuar em várias frentes", disse o defensor.

Além do diálogo com a Supervia para agilizar a indenização, Pacheco destacou como uma das frentes o acompanhamento do caso pelo Núcleo de Defensa dos Direitos Humanos (Nudedh) da instituição, para que não fique impune.

PRISÕES 

Polícia Civil prendeu dois seguranças expulsos da Supervia acusados de estupro contra dois adolescentes no último domingo na estação de trem do Maracanã. A Justiça também determinou a prisão temporária, por 30 dias, dos dois PMs envolvidos no caso. 

Wagner Castro da Silva, lotado na UPP Fazendinha, no Complexo do Alemão, se apresentou ontem na 18ª DP (Praça da Bandeira), onde prestou depoimento. Ele ficará preso no Batalhão Especial Prisional (BP). Já o soldado Lenine Venute da Silva Júnior, lotado no Batalhão do Choque, já é considerado procurado pela polícia.

Os mandados de prisão temporária foram expedidos nesta sexta-feira, 12 de julho, pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, da 35ª Vara Criminal da Capital.

Os agentes da Supervia foram identificados como Rafael Souza Marcolino e Carlos Renato da Silva Alamino.