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quinta, 01 de outubro de 2020
Polícia

Jovens que sonhavam com fama eram drogados e forçados a fazer sexo

Só a mãe de um deles deu para o golpista R$ 500 mil, tudo para realizar sonho do filho de ser um cantor de sucesso

02 abril 2019 - 15h17Por Da redação/Meia Hora

Com lábia e domínio das redes sociais, Antônio José de Barros Savino escolhia a dedo jovens do interior de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina que sonhavam com a fama no Rio de Janeiro. Savino controlava cada passo dos rapazes por WhattsApp, Facebook e Orkut e obrigava o grupo, de pelo menos 15, a entregar senhas e cartões de banco. Eles eram drogados e obrigados a fazer sexo com o empresário.

Só a mãe de um deles deu para o golpista R$ 500 mil, resultado da venda de uma casa, parte de uma indenização trabalhista, aposentadoria do INSS e um carro, além de alugar um apartamento no Recreio para que o filho fosse um cantor de sucesso. Para cortar o vínculo entre mãe e filho, Savino disse que o jovem estava viciado em drogas. Na verdade, usava medicamentos, tratados como vitaminas, para garantir sexo com o rapaz.

O juiz Marco Couto, da 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, condenou Savino a mais de 32 anos de prisão e seu comparsa Maycon Rodrigo da Cunha a mais de três anos. Savino está preso e Cunha foragido. Na internet, Savino apresentava falso currículo como empresário de 400 famosos. Publicava matérias fakes sobre o sucesso dos jovens em propagandas de empresas e projetos fictícios em novelas de emissora de TV. Mas confinava os rapazes em uma casa e apartamento na Zona Oeste.

Para impressionar os aficionados pela fama, Savino hospedou jovens em um hotel onde estavam os participantes do maior reality show do país. Assim passava a impressão de ser grande empresário do ramo artístico, dono das empresas Stage e A.J. Holding.

Quem ousava descumprir as ordens de Savino era ameaçado de morte. Ele dizia que recorreria a um policial especialista em dar surras. O terror psicológico era tão grande que os jovens eram proibidos até de ter namoradas e todos os contatos que faziam eram monitorados. Em depoimento ao juiz Marco Couto, no fórum de Jacarepaguá, vítimas contaram que Savino montava falsos projetos sigilosos com salários de até R$ 100 mil.

Para isso, os jovens só tinham que obedecer todas as ordens, de até tirar a roupa como desafio, para chegar ao topo do sucesso. Durante um ano, um deles até chegou a participar de pequenos papéis na TV, mas sequer recebeu a pouca grana do trabalho. Enquanto isso, Savino fazia retirada de R$ 1 mil e empréstimos que chegaram a R$ 100 mil nas contas bancárias dos rapazes.

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