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Polícia

Justiça vê sinais de tortura em bebê de 6 meses vítima de maus-tratos

Pais da criança estão presos por tempo indeterminado, menina foi diagnosticada com fraturas, assaduras, queimaduras e desnutrição

31 outubro 2018 - 10h41Por Da redação / G1

A Justiça do Distrito Federal decretou nesta terça-feira (30), a prisão preventiva dos pais de um bebê de seis meses, internado no Hospital Regional de Sobradinho com sinais de maus-tratos. Eles haviam sido presos em flagrante quando levaram a menina para o hospital, na segunda-feira (29). Com isso, não há prazo para que eles sejam soltos.

A menina sofreu uma parada cardiorrespiratória em casa. Ao ser socorrida, os médicos constataram marcas de agressões e, por isso, chamaram a polícia. Ela foi diagnosticada com fraturas na clavícula, no fêmur e no punho, assaduras e queimaduras no rosto.

Para o juiz Aragonê Nunes Fernandes, há indícios de "tortura". Ao decretar a prisão, o magistrado disse que a menina "apresenta múltiplas queimaduras nos órgãos genitais e também ao longo do corpo".

"Ela apresenta sinais de tortura, maus tratos e de agressões antigas e recentes, destacando-se fratura óssea já calcificada, o que evidencia o calvário enfrentado pela bebê."

Com a decisão, os pais perderam, temporariamente, a guarda e estão impedidos de se aproximar "ou de manter qualquer forma de contato com a criança".

Lesão grave

A mãe da menina tem 23 anos e o pai, 29. O casal foi autuado por "maus-tratos qualificado por lesão grave". Os dois foram levados para o Complexo Penitenciário da Papuda. No processo, não constam advogados de defesa.

Ao considerar a natureza do crime, o juiz também determinou que, na Papuda, eles sejam separados dos demais detentos, "a fim de zelar pela integridade física de ambos".

Relembre o caso

A bebê de 6 meses foi diagnosticada na segunda-feira com fraturas na clavícula, no fêmur e no punho, assaduras e queimaduras no rosto, ao redor da boca e no nariz. A criança foi internada no Hospital Regional de Sobradinho. Nesta terça (30), ela foi transferida para a UTI do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), na Asa Sul.

Segundo os médicos, a bebê tambem está desnutrida – desde os 15 dias de vida, ela ganhou apenas um quilo. Ela respira com a ajuda de aparelhos. De acordo com o delegado Henry Peres, que registrou o caso, a criança foi parar no hospital após um chamado dos pais ao Samu. A menina havia parado de respirar dentro de casa e teve uma parada cardiorrespiratória. Os socorristas levaram 50 minutos para reanimá-la.

Ainda segundo o delegado, além dos sinais de violência no corpo da bebê, o que chamou a atenção dos médicos e dos policiais foi a "indiferença" do casal com o estado de saúde da filha. "[Estavam] falando de outros assuntos, parecia que nem se lembravam da vítima. Parecia que estavam lá para outro coisa que não o atendimento da criança, da filha que estava gravemente ferida."

Peres descartou que os pais do bebê tivessem ingerido bebida alcoólica, drogas ou algum tipo de entorpecente. "Estavam em seu juízo normal e isso, realmente, nos despertou atenção."

"Eu nunca tinha visto isso antes. Impressionou até os mais experientes policiais."